Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/39150
Title: Sobre livros impossíveis: quatro personagens escritores na obra de Eça de Queirós
Authors: Bittencourt, Rodrigo do Prado 
Orientador: Reis, Carlos António Alves dos
Keywords: Eça de Queirós; Classe Social; Século XIX; História de Portugal; Realismo.; Eça de Queirós; Social Class; 19th Century; History of Portugal; Realism.
Issue Date: 27-Jul-2017
Project: Bolsa de Doutorado Pleno no Exterior da CAPES 
Abstract: Esta tese (chamada Sobre livros impossíveis: quatro personagens escritores na obra de Eça de Queirós) tem por objetivo investigar a relação entre a escrita e classe social na vida de quatro personagens de três livros de Eça de Queirós: A Capital! (começos duma carreira); Os Maias — Episódios da vida romântica e A Ilustre Casa de Ramires. Pretende-se analisar os interesses de classe que perpassam a publicação ou não das obras planejadas por Carlos da Maia, João da Ega, Gonçalo Mendes Ramires e Artur Corvelo. Assim, faz-se necessário conhecer o “campo literário” (Bourdieu, 1996) português da segunda metade do século XIX para melhor entender as influências condicionantes que pesavam sobre o escritor iniciante. Há um capítulo que pretende traçar linhas gerais que são percebidas como um padrão da Fortuna Crítica a respeito de Eça de Queirós. Nele, não se almeja esgotar os temas aqui elencados, mas tão somente mostrar que eles têm sido os preferidos dos estudiosos queirosianos e, portanto, os mais trabalhados até então. Com isso, pretende-se elucidar o caminho para os que estão a iniciar-se nos estudos sobre este escritor ou ainda resgatar uma visão geral dos estudos queirosianos para os que encontram-se por demais dedicados à sua especialização dentro deste campo. Assim, foram percebidos seis eixos principais dentro da Fortuna Crítica estudada: a ironia; a decadência e o “vencidismo”; o tédio; o francesismo; o último Eça e o erotismo. Também é importante analisar historicamente a sociedade portuguesa como um todo e qual o papel que os diferentes grupos que a compunham destinavam à leitura e à escrita. A partir daí, pode-se perceber qual o significado social de se publicar ou não e o efeito de cada tipo de publicação e género textual. Deste modo, portanto, entende-se melhor alguns fatores que contribuem para o sucesso de Gonçalo, o fracasso de Artur e a desistência de Carlos e Ega; personagens criados dentro de uma proposta de retratar fielmente a realidade. Percebe-se, por fim, que a escrita e mesmo a não escrita podem ser pensadas como partes de uma estratégia, mais ou menos consciente, de busca por poder no âmbito da luta de classes. Isto é evidente no caso de Gonçalo, que escreve por almejar tornar-se deputado, mas também é válido para as demais personagens. Para Carlos e Ega, a não escrita era mais interessante dentro do âmbito da luta de classes que a escrita: por isso sua revista e seus livros tornam-se “impossíveis” socialmente. Para Artur, o sucesso é impossível, já que suas obras e suas estratégias para bem lançá-las são inviáveis e mesmo contraproducentes. Só Gonçalo alcança o que quer, pois só ele realiza a escrita de um modo coerente com sua posição de classe.
This dissertation (On impossible books: four writer characters in the oeuvre of Eça de Queirós) aims at researching the relationship that exists between writing and social class in the lives of four different characters from three books by Eça de Queirós: A Capital! (começos duma carreira) (“The Capital”); Os Maias – Episódios da vida romântica (“The Maias”) and A Ilustre Casa de Ramires (“The Noble House of Ramires”). I will be taking a closer look at class-related interests that permeated the publication of (or the inability to publish) works by Carlos da Maia, João da Ega, Gonçalo Mendes Ramires and Artur Corvelo. It is thus necessary to be better acquainted with the “literary field” (Bourdieu, 1996) established in Portugal during the second half of the 19th century to better grasp the constrictions endured by the novice writers. In this work, a chapter aims at outlining the pattern behind the critical fortune written about Eça de Queirós. I do not aim at providing an exhaustive analysis of all themes listed in this paper; rather, my goal is primarily to show which themes have been preferred by Queirosian scholars and therefore featured more prominently in studies about the author. This will be carried out with a view to shining the way to newcomers to the field, or helping those who have narrowed down their specialization to acquire a broader view on Queirosian studies. Thus, I have identified six main thematic hubs within this critical fortune: irony; decay and “vencidismo”; tediousness; “francesismo” (or Queirós’s interpretation of frenchness); the last Eça and eroticism. It is also important to undertake a historical analysis of the Portuguese society as a whole, and different groups thereof, to understand the importance invested in the act of reading and writing. The stigma still attached to mechanical labor (which should, when properly elucidated, be within reach of every educated man) and to industrial and commercial occupations is nothing more than a byproduct of the few lights that indulge in enlightening it. If labor humbles men, industry praises them, regardless of the field to which it may be skillfully deployed. From this starting point I will then move on to an analysis of the social significance of being or not being published, and the perceived effect of each type of publication and text genre. This will finally allow for a better understanding of the circumstances behind Gonçalo’s success, Arthur’s failure and Carlos and Ega’s renouncement; characters created with a view to faithfully portraying reality. In the end it will become clear that writing (or the inability to write) can be classified as a more or less conscious strategy employed in the search for power in the midst of a class struggle. This is all the more clear in the case of Gonçalo, who writes with the intention of becoming a deputy, but is also true for the other characters. For Carlos and Ega, not writing is more advantageous than writing in the context of the class struggle: this is why their magazine and their books become socially ‘impossible’. For Arthur, success itself is impossible, as his works and his publishing strategies all turn out to be unfeasible and even counterproductive. Gonçalo is the only one who reaches the goal he sets out for himself, writing in a way that is coherent with his class position.
URI: http://hdl.handle.net/10316/39150
Rights: openAccess
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