Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/100476
Title: A prática na teoria: enfoques e percepções sobre as três idades dos arquivos a partir da análise da literatura arquivística
Authors: Bittencourt, Paola Rodrigues 
Orientador: Freitas, Maria Cristina Vieira de
Rodrigues, Ana Célia
Keywords: Arquivística; Gestão de Documentos; Teoria das três idades; Ciclo de vida dos documentos; Teoria arquivística
Issue Date: 30-Mar-2022
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: A presente pesquisa teve por objetivo desenvolver um estudo que permitisse a identificação e análise das diferentes abordagens e percepções sobre a teoria das três idades, para compreender como seu desenvolvimento teórico-conceitual é caracterizado pela literatura arquivística, como este modelo tornou-se referência para o gerenciamento dos arquivos e como é percebido e na atualidade em distintos contextos arquivísticos. Caracteriza-se como uma pesquisa básica, cujo método é identificado como fenomenológico. A partir da abordagem para cumprimento dos objetivos, é caracterizada como qualitativa, de natureza exploratória, descritiva e explicativa, tendo, como principais recursos, as fontes documentais e bibliográficas produzidas por autores e instituições, em suas construções teóricas e no desenvolvimento das práticas institucionais. A análise de dados foi realizada a partir da análise de conteúdo, que permitiu identificar e analisar o fenômeno tal qual se delineou na literatura. A elaboração da pesquisa cumpriu o desenvolvimento de três eixos paralelos, cuja construção, possibilitou: identificar um possível marco de surgimento da teoria das três idades e verificar seu percurso demarcado pela literatura; mapear as diferentes percepções, em produções institucionais e acadêmicas, com abordagem sobre a divisão dos arquivos em diferentes estágios de guarda; confrontar as diferentes percepções sobre a teoria das três idades, tendo em vista as novas propostas e demandas para o gerenciamento dos arquivos. O primeiro objetivo pretendeu construir, em uma perspectiva evolutiva, um mapeamento dos indícios de adoção da teoria das três idades, em países da América do Norte, Europa e América do Sul. Com a análise foi possível perceber que a teoria das três idades não surgiu no mesmo ambiente e contexto da gestão de documentos, na administração governamental americana. A divisão dos arquivos em fase corrente, intermediária e permanente, tem seus primeiros indícios na divisão entre records e archives, resultado do período revolucionário francês, do final do século XVIII, com a então criação de um novo modelo arquivístico estabelecido a partir da criação do Arquivo Nacional francês. Onze anos depois da criação da instituição arquivística francesa, a legislação arquivística italiana, apresenta orientação normativa para utilização de um estágio intermediário entre o arquivo corrente e o permanente, designado como arquivos de depósito. O segundo objetivo tinha a finalidade de identificar os tipos de abordagens sobre a doção das três idades na literatura arquivística. Tal mapeamento verificou que a teoria das três idades foi absorvida pelos diferentes contextos arquivísticos, fato que se reflete na literatura técnica e científica analisada. Identificou, ainda, que seu uso está presente nas práticas arquivísticas, porém com termos diferentes para sua designação, evidenciando sua constante associação de sinonímia ao modelo de ciclo de vida dos documentos, este sim, ao que indica a literatura, surgido no mesmo ambiente e contexto da gestão de documentos norte-americana. O terceiro objetivo, por fim, dedicou-se a analisar as diferentes designações utilizadas para caracterizar as três idades dos arquivos, a partir da análise dos termos teoria, noção, modelo ou método, para, em seguida, confrontar as diferentes percepções e associações entre teoria das três idades e ciclo de vida dos documentos, confrontadas, na sequência, com o modelo de records continuum, indicado pela literatura como uma alternativa ao modelo de ciclo de vida dos documentos. Conclui-se, portanto, que a divisão entre arquivos corrente, intermediário e permanente está fortemente presente na literatura arquivística analisada e não tem seu surgimento associado à concepção da gestão de documentos. Apesar de ter assumido sua designação terminológica como teoria das três idades na segunda metade do século XX, tem sua primeira evidência no final do século XIX e está registrada no manual de Eugenio Casanova, de 1928. Entretanto, o estágio intermediário somente ganhou repercussão nas reflexões teóricas e nas práticas arquivísticas, a partir das propostas norte-americanas voltadas ao controle do grande volume de documentos produzidos no período entre guerras. Ficou também evidente que teoria das três idades e ciclo de vida dos documentos, ainda que sejam elementos complementares, possuem objetivos distintos. Enquanto o ciclo de vida dos documentos funciona como um modelo teórico que oferece uma sequência lógica de fases para nortear a aplicação dos procedimentos específicos da gestão de documentos, a teoria das três idades funciona como uma referência operacional para separação dos arquivos a partir do processo de avaliação e tem como objetivo distribuir os documentos arquivísticos em diferentes estágios de tratamento e guarda.
This research aimed to develop a study that allowed the identification and analysis of different approaches and perceptions about the theory of three ages, in order to understand how its theoretical-conceptual development is characterized by archival literature, how this model has become a reference for the management of archives and how it is currently perceived in different archival contexts. It is characterized as a basic research, whose method is identified as phenomenological. From the approach, to fulfill the objectives, it is characterized as qualitative, exploratory, descriptive and explanatory in nature, having as main resources the documentary and bibliographic sources produced by authors and institutions, in their theoretical constructions and in the development of institutional practices. Data analysis was performed based on content analysis, which allowed the identification and understanding of the phenomenon as outlined in the literature. The elaboration of the research fulfilled the development of three parallel axes, whose construction made it possible: to identify the path followed by the theory of the three ages of archives; to map the different perceptions, in institutional and academic productions that address the theory of the three ages; to confront the different perceptions about the theory of the three ages, in view of the new proposals and demands for the management of files. The first objective intended to build, in an evolutionary perspective, a map on the evidences of adoption of the theory of three ages, in countries of North America, Europe and South America. With the analysis, it was possible to see that the theory of three ages did not emerged in the same environment and context as document management, in the American government administration. The division of archives into current, intermediate and permanent phases has its first indications in the division between records and archives, a result of the French revolutionary period, in the 18th century, with the creation of a new archival model, the French National Archives. Eleven years later, Italian archival legislation provides normative guidance for the use of an intermediate stage between the current and permanent archives, designated as deposit files. The second objective was to identify the types of approaches to the adoption of the three ages in archival literature. Such survey verified that the theory of the three ages was absorbed by different archival contexts, a fact that is reflected in the technical and scientific literature analyzed. It also identified that the use is part of archival practices, but with different terms for its designation, showing its constant association as synonym of the life cycle model of documents. Such model, as indicated by the literature, emerged from the same environment and context of the North American document management. The third objective, finally, was dedicated to examine the different designations used to characterize the three ages of the files, from the analysis of the terms theory, notion, model and method, to then confront the different perceptions and associations between theory of the three ages and life cycle of documents, then confronted with the records continuum model, indicated in the literature as an alternative to the document life cycle model. It is concluded, therefore, that the division between current, intermediate and permanent archives is strongly present in the analyzed archival literature and does not have its emergence associated with the concept of documents management. Despite having assumed its terminological designation as theory of the three ages, in the second half of the 20th century, it has its first evidence in the late 19th century and is registered in the 1928 manual by Eugenio Casanova. However, the intermediate stage only gained repercussion in the theoretical reflections and archival practices, based on North American proposals, aimed at controlling the large volume of documents produced in the interwar period. It was also evident that the theory of the three ages and the life cycle of documents, although they are complementary elements, have different objectives. While the document lifecycle works as a theoretical model that offers a logical sequence of phases to guide the application of specific document management procedures, the three-age theory works as an operational framework for archive separation, based on of the evaluation process and aims to distribute archival documents in different stages of treatment and storage.
URI: http://hdl.handle.net/10316/100476
Rights: openAccess
Appears in Collections:FLUC Secção de Informação - Teses de Doutoramento
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