Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10316/99785
Title: Derivação nominal em português Denominações em –ismo
Authors: Barbosa, Ana Isabel Simões Dias Vieira
Orientador: Rio-Torto, Graça Maria de Oliveira e Silva
Issue Date: 2012
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: O trabalho que se apresenta tem por objeto de estudo o comportamento genolexical do sufixo –ismo. Adotámos uma perspetiva associativista (Booij 2009, 2010, 2012, a sair a) e b); Correia 2004; Rio-Torto 1993, 1998a, 2006b, 2011) da componente genolexical, ao considerar que o produto derivacional resulta, morfológica e semanticamente, da articulação de dados provenientes da base, da RFP e do afixo. Esta conceção da componente genolexical foi integrada no quadro mais amplo da Parallel Architecture de Jackendoff 2002, 2010. Este modelo encara o domínio genolexical numa perspetiva dinâmica e com interfaces ativas entre os diversos domínios linguísticos, tal como também se apresenta em Rodrigues 2006. Este enquadramento teórico, que comporta a Conceptual Semantics (Jackendoff a sair), foi por nós complementado com os pressupostos teóricos da Linguística Cognitiva (Geeraerts 2006c; Silva 2006, 2010), para o estabelecimento de uma rede teórica sólida para o estudo do comportamento genolexical do sufixo e para a abordagem do seu significado. Iniciámos o estudo pela observação de sufixos cognatos de –ismo em espanhol, italiano, francês e inglês. O sufixo é originário do grego e chegou de forma idêntica, através do latim, às línguas em questão, nas quais apresenta uma configuração sufixal, um comportamento e uma origem idênticos. A observação do sufixo nas línguas clássicas e do seu percurso histórico no interior da língua portuguesa permite-nos observar a génese das atuais propriedades do sufixo. A análise sincrónica de –ismo, o cerne do nosso trabalho, iniciou-se pelo estudo detalhado da configuração e do comportamento das bases selecionadas pelo sufixo, e permitiu aferir o peso determinante da configuração semântica das bases no processo genolexical. Verificou-se que as bases são tomadas pela sua capacidade predicativa, isto é, por fornecerem ao sufixo um predicado/atributo/qualidade/propriedade. Este valor semântico pode ser veiculado por uma base de origem nominal (a base preferencial), adjetival, adjetival/nominal e, residualmente, de origem verbal. Quanto à estrutura morfológica, a base é, maioritariamente, um radical não autónomo simples. A análise semântica dos nomes em –ismo foi feita também com base na determinação da sua qualia structure (Pustejovsky 1991, 1998, 2001), e forneceu-nos a lista de significados possíveis dos produtos nominais. A abordagem ao estudo do significado das bases e do sufixo fez-se no quadro teórico da Conceptual Semantics e da Linguística Cognitiva. Resultante de mecanismos de conceptualização, o significado é, ele próprio, conceptualização; portanto, é complexo, flexível, dinâmico. Assumimos que os afixos são unidades semanticamente densas e complexas (Lehrer 2000, 2003), uma vez que o seu significado, tal como o das palavras, é um constructo semântico. A variedade semântica dos nomes em que o sufixo –ismo ocorre é a este imputada, já que se trata de uma unidade polissémica. A polissemia da unidade implica a determinação de como se articulam os diferentes significados atestados (‘qualidade’, ‘princípio epistemológico’, ‘prática’, ‘atitude’, ‘fenómeno’ e ‘locução’), e ainda a compreensão de como se estabelecem no interior de uma mesma unidade. Assim, não só determinámos a existência de um significado prototípico e de significados dotados de diversos graus de saliência, como determinámos os fatores que os ancoram numa mesma unidade. Tomando em consideração (i) os diferentes graus de abstração dos significados, (ii) a condição imposta à base de se configurar predicativamente e (iii) o facto de ser subjacente a todos os significados atestados, determinámos QUALIDADE como significado prototípico. Os diferentes graus de saliência dos restantes significados atestados foram aferidos avaliando os critérios de abstração, frequência e presença do valor semântico sujacente de SISTEMATICIDADE. A análise em termos de prototipicidade empreendida sobre a diversidade semântica do sufixo revelou-nos o valor seminal de QUALIDADE, subjacente a todos os significados atestados, e o de SISTEMATICIDADE, subjacente a quase todos os significados atestados, com exclusão do de ‘qualidade’. Assim, advogamos que semanticamente o sufixo se estrutura em dois níveis: (i) um nível subjacente, que comporta os significados seminais de QUALIDADE e de SISTEMATICIDADE; (ii) um nível de significados atestados, que comporta todos os significados presentes nos nomes em –ismo e que são gerados a partir dos significados seminais. Os dois valores seminais atualizam-se nos significados atestados por diferentes mecanismos: QUALIDADE perde, em graus diversos, o valor de abstração, e o significado de SISTEMATICIDADE apresenta--se como maior ou menor força nos vários significados atestados. Pelas suas propriedades, o sufixo foi considerado um operador periférico da RFP ESSIV (Rio-Torto 1998a). O significado dos seus produtos resulta da articulação, por mecanismos de coindexação, dos valores da base com os do sufixo. Complementarmente, recorremos a Booij 2010, 2012, a sair a) e b) para, dentro da Construction Morphology, determinarmos o esquema construcional subjacente aos nomes em –ismo.
The present work aims to study the suffix –ismo behaviour in word formation component. We adopt an associative model of word formation (Booij 2009, 2010, forthcoming a) and b); Correia 2004; Rio-Torto 1998a, 2006b, 2011), considering that the derivational product results, morphological and semantically, from the joint of data taken from the base, the RFP and the affix. This conception of word formation component was integrated into the broader framework of Parallel Architecture designed by Jackendoff 2002, 2010. This framework conceives of word formation component as having dynamic and active interfaces between the various linguistic domains, as also stated by Rodrigues 2006. This theoretical framework involves the Conceptual Semantics (Jackendoff forthcoming), which was complemented with the theoretical assumptions of Cognitive Linguistics (Geeraerts 2006c; Silva 2006, 2010). Thus, we have established a solid theoretical network to study the word formation mechanisms of this suffix and the approach to its meaning. We began our study by the observation of cognate suffixes of –ismo in Spanish, Italian, French and English. These units are identical in their suffixal configuration, behavior and origin. The suffix had his origin in ancient Greek and passed to Latin; from this language it arrived to the modern languages. An observation of the suffix behaviour in the classical languages and of its history within the Portuguese language allows us to see the genesis of the current properties of the suffix. The synchronic analysis of –ismo, the core of our work, was initiated by thoroughly studying the configuration and behavior of the bases selected by the suffix. This study confirmed the weight of semantical configutation of the bases in word formation processes. Thus, it was found that bases are taken by their attributive capacity, that is, by providing the suffix a predicate/attribute/quality/property. This semantic value can be transmitted by a base of nominal origin (the preferential basis), and of adjectival, adjectival/nominal and, residually, verbal origin. The morphological structure of the base is mostly a non autonomous simple root. The semantic analysis of nouns in –ismo was also made by determining their qualia structure (Pustejovsky 1991, 1998, 2001), and provided us with the list of meanings that can be updated by these names. The approach to the study of meaning of the suffix and of the bases was made within the theoretical framework of Conceptual Semantics and Cognitive Linguistics. Resulting of mechanisms of conceptualization, the meaning is, himself, conceptualization, therefore, is complex, flexible and dynamic. We assume that affixes are heavy, complex semantic units (Lehrer 2000, 2003), since its significance, such as in words, is a semantic construct. We ascribed the semantic variety of names to the suffix –ismo, so we felt that it was a polysemic unit. The polysemy of the unit involves determining how to articulate the different attested meanings of the suffix ('quality', 'epistemological principle', 'practice', 'attitude', 'phenomenon' and 'locution'), and also the understanding of how they establish within the same unit. Thus, we not only determined the existence of a prototype meaning and the different salience degrees for the several atested meanings, but we also have determined factors which are responsible for the presence of this meanings in the same unit. Taking into account (i) the different degrees of abstraction of meaning, (ii) the predicativity condition imposed on the basis and (iii) the ability of generating new meanings underlyingly to all atested meanings, we determined QUALITY as prototypical meaning. The different degrees of salience of the other attested meanings were measured by evaluating the criteria of abstraction, frequency and presence of the semantic underlyind value of SYSTEMATICITY. The analysis undertaken in terms of prototypicality on the semantic diversity of the suffix has revealed to us the seminal values of QUALITY, underlying all attested meanings, and of SYSTEMATICITY, underlying almost all attested meanings, excluding 'quality'. Thus, we hold that the suffix is semantically comprised of two levels: (i) an underlying level, which comprises the seminal meanings QUALITY and SYSTEMATICITY and (ii) a level of atested meanings comprising all the meanings identified in the names in –ismo, and which are generated from the seminal meanings of the first level. The two seminal meanings are instantiated on the attested meanings by different mechanisms: QUALITY loses, in varying degrees, the value of abstraction and the meaning of SYSTEMATICITY is presented as more or less strong in the various atested meanings. For its properties, the suffix was considered a peripheral operator of RFP ESSIV. The significance of his products results from the articulation, by coindexation mechanisms, of the values of the base with the values of the suffix. Complementary, we used Construction Morphology proposed by Booij 2010, 2012, forthcoming a) and b) to determined the constructional schema of nouns ending in –ismo.
Description: Tese de Doutoramento em Línguas e Literaturas Modernas, especialidade Linguística Portuguesa, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
URI: https://hdl.handle.net/10316/99785
Rights: openAccess
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