Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/95432
Title: Esposas de Cristo: as comunidades cistercienses femininas na Idade Média
Authors: Rêpas, Luís Miguel Malva de Jesus
Orientador: Coelho, Maria Helena da Cruz
Keywords: Monaquismo feminino; Female monasticism; Monjas cistercienses; História Social; Nobreza; Linhagens; Prosopografia; Cistercian nuns; Social History; Nobility; Genealogy; Prosopography
Issue Date: 26-May-2021
Project: Bolsa de Investigação da FCT, com a referência SFRH/BD/3329/2000 
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: A imagem que, habitualmente, prevalece do monaquismo feminino cisterciense português, em tempos medievais, associa-o às elites nobiliárquicas, o que parece resultar da sua identificação com os primeiros mosteiros fundados pelas filhas de D. Sancho I, as Infantas D. Teresa, D. Mafalda e D. Sancha (em Lorvão, Arouca e Celas), aqueles que melhor se conhecem e que primeiro foram estudados. Tal como sucedeu noutros reinos europeus, também nestas três casas conventuais sobressai o papel desempenhado por mulheres poderosas que usaram a sua fortuna pessoal e o seu prestígio pessoal para fundar ou reformar mosteiros onde instalaram monjas cistercienses, sobre os quais exerceram depois um controlo directo como padroeiras. Estes espaços religiosos ofereciam às mulheres da família real ou da nobreza, sobretudo viúvas, com riqueza e poder, a oportunidade de viverem a derradeira fase da sua vida num ambiente espiritual propício à salvação das suas almas e em conformidade com a sua elevada condição social. A protecção e o favorecimento que lhes foram dispensados pelas Infantas, que aí viviam a par das suas comunidades, associando-as à realeza, depressa captaram as atenções e a preferência de muitas mulheres da mais ilustre aristocracia medieval portuguesa, que se lhes juntaram, também elas pródigas para com tão prestigiantes cenóbios, não raras vezes escolhendo-os para neles levarem vida monástica. Dentro deste grupo os referidos mosteiros (sobretudo o de Arouca e o de Lorvão) estabeleceram, então, o seu principal campo de recrutamento durante todo o século XIII e uma grande parte do século XIV. Esta é, porém, apenas uma das faces das casas de monjas cistercienses, uma vez que sob a obediência à mesma ordem monástica viviam sete comunidades constituídas por religiosas de diferentes estatutos sociais e, também por isso, com níveis de riqueza, vivências e aspirações bem díspares. Na verdade, um dos maiores desígnios desta tese consiste, precisamente, em mostrar como o universo dos mosteiros cistercienses, nos séculos XIII e XIV, era multifacetado. Tratando-se do primeiro estudo de grande fôlego sobre todas as casas de monjas da ordem de Cister existentes em Portugal, procura-se estabelecer uma visão comparativa sobre as diversas casas monásticas, mostrando o que têm de similar e o que as distingue. E são, de facto, muitos os aspectos que as diferenciam. Sobressai, ao nível institucional, a comunidade de Cós, que vivia na dependência económica do Mosteiro de Alcobaça, revestindo-se, assim, de contornos bem díspares das suas congéneres cistercienses, desde logo pela sua subordinação directa aos religiosos de Alcobaça, que proviam as suas sorores de tudo quanto necessitavam, incluindo a alimentação, o vestuário e o calçado. Destaca-se, ainda, a este nível, o Mosteiro de Odivelas, com os seus estatutos próprios, impostos pelo fundador, o monarca D. Dinis, que as suas religiosas estavam obrigadas a cumprir e que procuravam marcar a diferença em relação às restantes comunidades. Aborda-se, também, a organização das comunidades conventuais, mostrando-se o percurso trilhado desde o noviciado à profissão monástica, bem como as funções inerentes aos vários ofícios que, normalmente, eram desempenhados pelas monjas, para garantir o bom funcionamento da casa. E lança-se, depois, um olhar para os vários elementos da vasta família monástica que, de diversas formas, se associavam aos mosteiros e ao bem que aí se fazia. O outro grande propósito desta tese prende-se com a elaboração das biografias de todas as monjas cistercienses portuguesas até 1385, a partir das quais nos foi possível traçar perfis sociológicos das comunidades. Ou seja, o tratamento e a análise destes dados permitiram-nos perscrutar os padrões de recrutamento de cada mosteiro e, nalguns casos, a sua evolução ao longo do tempo (salientando as características que são comuns e aquelas que os distinguem), precisar essas especificidades e articular o recrutamento monástico com factores políticos, sociais, demográficos, geográficos, espirituais e económicos. Tal trabalho torna evidentes as disparidades que existiam ao nível da composição social das várias comunidades e procura associar as vivências anteriores e as expectativas dessas religiosas ao modo como efectivamente viveram os preceitos monásticos, como a clausura, a castidade ou a pobreza. O estudo das monjas, individualmente e no seu conjunto, de acordo com a realidade de cada comunidade conventual, demonstra como os mosteiros cistercienses aqui analisados responderam às necessidades sociais e espirituais da sociedade portuguesa, ao longo dos séculos XIII e XIV, beneficiando de um contexto extraordinariamente favorável à sua expansão, para o qual convergiam múltiplos factores. Corresponderam também ao aumento do protagonismo feminino no fenómeno religioso europeu, verificado no século XIII, que levou à multiplicação de casas de monjas. Mostra, por fim, como, independentemente da riqueza e do prestígio de cada mosteiro, do estatuto social das monjas que integravam cada comunidade ou das familiares que aí se acolhiam, da forma como aí se vivia, da sua localização ou até do estado dos seus edifícios, para cada uma das mulheres referidas nesta tese, o mesmo mosteiro tanto poderia representar uma carreira, como uma vocação, uma prisão ou um refúgio.
The commonly prevailing image of Portuguese Female Cistercian monasticism in the medieval period carries with it associations with the noble elites, apparently owed to the fact of the first of these monasteries having been founded by King D. Sancho I’s daughters, the Infantas D. Teresa, D. Mafalda and D. Sancha (at Lorvão, Arouca and Celas), which are the most well-known and which were the first to be studied. As in other European kingdoms, so in these three houses, manifest was the role played by powerful women who employed their personal fortunes and prestige to found or reform monasteries in which they installed Cistercian nuns, and over which they exercised direct control thereafter as patrons. These religious spaces offered these women of royal or noble birth, especially widows with riches and influence, the opportunity of living-out the final phases of their lives in a spiritual environment propitious to the saving of their souls and in accordance with their elevated social status. The protection and favour afforded the relevant convents by the Infantas, who resided therein alongside their communities thus linking them to royalty, quickly captured the attention and preference of many women belonging to the most illustrious branches of the medieval Portuguese aristocracy who sought association with these houses, their very persons becoming boons which contributed to further increase the prestige of these convents, and who often chose to live the monastic life within them. It was among this aristocratic group that the abovementioned houses (especially Arouca and Lorvão) found their principal recruiting grounds during the thirteenth and a large part of the fourteenth centuries. However, this is merely one aspect of these Cistercian nunneries since, under the obedience of the same monastic order, there lived seven communities made up of nuns of differing social status and enjoying very different levels of wealth and aspiration. Indeed, one of the principal purposes of this thesis is precisely to demonstrate the multifaceted nature of Cistercian convents during the thirteenth and fourteenth centuries. The first major study embracing all Cistercian nunneries in Portugal, herein it is sought to present a comparative view of the various houses, highlighting their similarities and differences. Certainly, there are many points of difference between them. Outstanding, at the institutional level, is the community of Cós which lived in economic dependence upon the Monastery of Alcobaça, thus being possessed of contours very different from those of its Cistercian counterparts due to its direct subordination to the monks of Alcobaça who provided their sorores with all they needed including food, clothing, and footwear. Further of note for its institutional features is the Monastery of Odivelas, with its own statutes bestowed by its founder, the monarch D. Dinis, obliging the nuns to compliance and which were intended to distinguish their community from the others. Also addressed herein are the organisational aspects of conventual communities, showing the path followed by the novice up to full monastic profession, as well as the functions inherent to the various offices usually discharged by the nuns to ensure the smooth functioning of their house. Further, there is consideration of the broad monastic family which, in various ways, were associated to the convents and to the good works performed in them. Another principal objective of this thesis concerns the construction of biographies for all Portuguese Cistercian nuns up to 1385 from which it has been possible to draw sociological profiles of their communities. Indeed, the treatment and analysis of this data permitted the examination of recruitment patterns for each convent and, in some cases, their development over a prolonged period (highlighting both common characteristics and those which differentiated them), the particularisation of the details of these monastic enrolment programmes and their articulation with political, social, demographic, geographic, spiritual and economic factors. The results reveal the disparities that existed in terms of the social composition of the various communities and, inter alia, there is a discussion of the associations between the nuns’ former lives and expectations, and the ways in which they in fact found themselves living under monastic precepts which included reclusion, chastity, and poverty. Examination of nuns both individually and as a group, according to the reality of each conventual community, is revealing of how the Cistercian convents here under analysis responded to the social and spiritual demands of Portuguese society during the thirteenth and fourteenth centuries, whilst enjoying conditions resulting from multiple converging factors that were extraordinary favourable to their expansion. Further, the experience of these convents reflects the increase in active female participation in the broader European thirteenth-century religious phenomenon which, in many regions, caused houses of nuns to proliferate. Ultimately, it is shown that independent of the wealth and prestige of each convent, of the social status of the nuns comprising each community, or of the familiares that it welcomed, the way of life therein, its location, and even the condition of its buildings, for each one of the women included in this thesis, the very same house could be a career, a vocation, a prison or a refuge.
Description: Tese no âmbito do Doutoramento em História, ramo de História Medieval, apresentada ao Departamento de História, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
URI: http://hdl.handle.net/10316/95432
Rights: embargoedAccess
Appears in Collections:FLUC Secção de História - Teses de Doutoramento
UC - Teses de Doutoramento

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