Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/92421
Title: Do spontaneous thoughts change with aging?: frequency and episodic specificity analyses
Authors: Jordão, Magda Inês Oliveira 
Orientador: Pinho, Maria Salomé Ferreira Estima de
St. Jacques, Peggy L.
Keywords: aging; spontaneous thought; episodic specificity; involuntary retrieval
Issue Date: 24-Jun-2020
Project: SFRH/BD/103338/2014 
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: As alterações cognitivas associadas à idade são menores na ausência de processos cognitivos auto-iniciados. No entanto, permanece por esclarecer se tal se aplica aos pensamentos espontâneos, que emergem com esforço, intenção e controlo reduzidos. Estes pensamentos são frequentes na vida diária e contribuem para funções importantes, como o planeamento e a consolidação mnésica. Assim, torna-se relevante analisar até que ponto os pensamentos espontâneos se modificam com a idade. Nesta tese de doutoramento, analisámos as diferenças etárias nos pensamentos espontâneos, no que respeita à frequência e a características qualitativas. Nesta análise, controlámos fatores metodológicos geradores de confundimento (confound) e destacámos mecanismos de pensamento espontâneo específicos. Começámos por fazer uma meta-análise de estudos prévios focados na frequência de pensamentos espontâneos e encontrámos uma diminuição consistente nesta frequência, associada à idade. Porém, identificámos pela primeira vez moderadores metodológicos que sugerem que as diferenças etárias na motivação, a dificuldade da tarefa e o enviesamento associado às instruções, têm impacto nos resultados prévios. Assim, sugere-se que a redução na frequência de pensamentos espontâneos associada à idade se possa dever aos métodos que têm sido mais frequentemente utilizados. Concluímos, que são necessários novos estudos com métodos alternativos para compreender as diferenças etárias nesta área. Em particular, enfatizámos a utilidade de métodos de resposta aberta para contornar o impacto de diferenças etárias em enviesamentos associados às instruções e às opções de resposta, e usámos esta abordagem nos estudos seguintes. No segundo estudo, adaptámos uma tarefa laboratorial para eliciar pensamentos espontâneos evitando as fontes de confundimento identificadas na meta-análise. Mais precisamente, diminuímos a dificuldade da tarefa e solicitámos aos participantes que descrevessem livremente os seus pensamentos em interrupções aleatórias durante a tarefa, evitando assim o recurso à retrospeção e à meta-consciência sustentada. Nesta tarefa, participantes jovens e idosos viam palavras com cor amarela ou vermelha, devendo dizer “sim” apenas quando a palavra estava escrita a amarelo. A tarefa foi dividida em duas partes equivalentes e, entre elas, os participantes realizaram uma tarefa de priming destinada a ativar objetivos pessoais orientados para o futuro, que consistia em ordenar diferentes objetivos e parceiros de interação. Não encontrámos diferenças etárias na frequência dos pensamentos espontâneos. Depois da tarefa de priming, verificou-se um aumento no número de pensamentos espontâneos acerca do futuro, em jovens e idosos. Este resultado mostra pela primeira vez a preservação da ligação entre a ativação de objetivos pessoais e pensamentos espontâneos acerca do futuro no envelhecimento saudável. O efeito de priming foi confirmado com a análise de um grupo de controlo jovem, no qual não se registaram diferenças. Estes resultados suportam a ideia de que as diferenças etárias são maioritariamente devidas a processos auto-iniciados. No terceiro estudo, analisámos as diferenças etárias nos pensamentos espontâneos em termos de especificidade episódica. Esta especificidade refere-se à quantidade de detalhes acerca do espaço, tempo ou outros, que constituem um evento único pessoal. Relativamente à recuperação deliberada, conhece-se que a especificidade episódica diminui com a idade, associada a diferenças etárias em processos estratégicos. Com base no envolvimento limitado de processos estratégicos no pensamento espontâneo, não esperávamos que este tipo de pensamento evidenciasse diferenças etárias quanto à especificidade episódica. Para explorar os mecanismos da especificidade episódica no pensamento espontâneo, usámos uma indução de especificidade episódica que tem como alvo os processos de construção episódicos. Pontos de vista teóricos diferentes predizem o envolvimento de processos construtivos na recuperação espontânea ou, pelo contrário, que esta acede a representações de eventos independentes de construção. O uso da indução de especificidade episódica nos pensamentos espontâneos permite testar estas perspetivas teóricas. Os participantes realizaram duas sessões contrabalançadas que incluíram um vídeo, a indução de especificidade episódica ou de controlo, e uma tarefa de vigilância. Na indução de especificidade episódica, os participantes recordavam os detalhes do vídeo visualizado, enquanto na condição controlo resolviam exercícios matemáticos. O impacto desta manipulação foi avaliado na tarefa de vigilância subsequente, que consistiu numa versão melhorada da tarefa do estudo 2. Pela primeira vez, as diferenças etárias na especificidade episódica dos pensamentos espontâneos foram avaliadas objetivamente com base nas descrições livres dos participantes. Como esperado, não observámos diferenças etárias na especificidade episódica. Também não se registaram efeitos da indução, o que indica que a recuperação neste caso acede a eventos pré-armazenados. Globalmente, não obtivemos resultados empíricos de efeitos associados à idade nos pensamentos espontâneos, o que corrobora a ideia de que as diferenças cognitivas relacionadas com a idade são maioritariamente devidas ao processamento auto-iniciado. Sugerimos, subsequentemente, que a recuperação mnésica espontânea é uma estratégia promissora para promover a especificidade episódica e os benefícios a ela associados. Os resultados obtidos foram ainda explorados no âmbito da neuropsicologia. Discutimos ainda a ideia de estudos futuros devem ser acompanhados de clarificação conceptual e de contextos naturalistas.
Cognitive changes in aging have been shown to be diminished when self-initiated processes are not required. However, it is still uncertain if this is also the case for spontaneous thoughts that come to mind with reduced effort, intention and control. Spontaneous thoughts are frequent in daily life and contribute to important functions such as planning and memory consolidation, and thus it is very important to analyze to what extent this type of thought is changed by aging. In the present dissertation we analyzed age-related differences in spontaneous thoughts in terms of frequency and qualitative characteristics, while controlling for methodological confounds and targeting particular spontaneous thought mechanisms. We started by meta-analyzing previous literature on the frequency of spontaneous thought and related concepts, and found a consistent age-related decrease. Additionally, we found significant methodological moderators of this effect that indicated an impact of age-related differences in motivation, task demand and instruction bias in previous results. These results suggested that the age-related decrease identified may be due to the methods that have been preferred to study spontaneous thought. We concluded that new experimental studies with different methodological approaches are necessary to better understand age-related differences in this area. In particular, we emphasize the usefulness of open-ended response methods to avoid age-related differences in instruction and response option bias, and use this type of approach in our following studies. In the second study, we adapted a lab task to elicit spontaneous thought while avoiding the sources of confound identified in the meta-analysis. Namely, we diminished task demands and avoided the need for retrospection and sustained meta-awareness by asking participants to freely describe their thoughts at random points of the task. In this task, younger and older participants saw words appearing on the screen written in red and yellow and were asked to say yes out loud only when the yellow words appeared. The task was divided in two parts, and between them participants performed a priming task which activated personal future-oriented goals, or a control task. We found no age-related differences in the frequency of spontaneous task-unrelated thoughts. After the priming task there was an increase in the number of spontaneous task-unrelated thoughts about the future in both younger and older adults. This result supports the link between personal goal activation and spontaneous future thought and its preservation in healthy aging. Confirming the priming effect, we found no differences in future spontaneous task-unrelated thoughts in a younger control group. Our results support the view that age-related differences are mainly due to self-initiated processes, and thus are less prominent in spontaneous retrieval. We also showed that spontaneous thought mechanisms are based on an interaction between external triggers, that were present in the great majority of the cases, and internal contents such as personal goals, activated by the present successful priming. In the third study, we extended our analysis of age-related differences in spontaneous thought from frequency to a qualitative variable, namely, episodic specificity. Episodic specificity refers to the amount of place, time and other details that define a unique personal event. In deliberate retrieval there is consistent evidence for an age-related decrease in the episodic specificity of past and future thought that has been associated with age-related differences in strategic processes. Based on the reduced involvement of strategic processes in spontaneous thought, we expected no age-related differences in episodic specificity. To further explore the mechanisms of episodic specificity in spontaneous thought we used an episodic specificity induction that targets episodic construction processes. Different theoretical positions would predict the involvement of construction processes in spontaneous retrieval or, on the contrary, the access to pre-stored event representations that are independent of event construction. Therefore, testing the episodic specificity induction in spontaneous thought provided a way to test these alternative theoretical views. Participants performed two counterbalanced sessions including a video, the episodic specificity or control induction, and a vigilance task. In the episodic specificity induction, participants recalled the details of the video whilst in the control they solved math exercises. The impact of this manipulation on the episodic specificity of spontaneous thoughts was assessed in the subsequent vigilance task, an improved version of the task used in study 2. We found no differences between age groups in the episodic specificity of spontaneous thoughts, supporting the prediction that spontaneous retrieval attenuates the episodic specificity decrease in aging. We also found no effect of the induction, indicating that spontaneous retrieval bypasses event construction and accesses pre-stored events. Overall, we found no evidence of age-related effects in spontaneous thought, supporting the view that age-related differences are mainly attributable to self-initiated processing. Furthermore, we suggest that triggering spontaneous retrieval of past and future thoughts is a promising strategy in aging to promote episodic specificity and the benefits associated with it. From a wider perspective, we discuss how future developments in this area should be accompanied by conceptual clarification and a greater focus on naturalistic studies and interventions.
Description: Tese no âmbito do Doutoramento em Psicologia, especialidade de Neuropsicologia apresentada à Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/92421
Rights: openAccess
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FPCEUC - Teses de Doutoramento

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