Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/90757
Title: O contributo da Arqueotanatologia para a compreensão das práticas funerárias nos 4º e 3º milénios a.C. no Sul de Portugal: os hipogeus de Monte Canelas I (Portimão, Faro) e Monte do Carrascal 2 (Ferreira do Alentejo, Beja)
Authors: Neves, Maria João de Sousa
Orientador: Silva, Ana Maria Gama da
Keywords: Arqueotanatologia; Práticas funerárias; 4º e 3º milénio cal. a.C.; Sepulcros colectivos; Hipogeus; Archaeothanatology; Funerary practices; 4th and 3rd millenia cal. B.C.; Collective graves; Hypogea
Issue Date: 3-Oct-2019
Project: info:eu-repo/grantAgreement/FCT/SFRH/SFRH/BD/38757/2007/PT/GESTOS E PRÁTICAS FUNERÁRIAS NO NEOLÍTICO FINAL: OS HIPOGEUS DE MONTE CANELAS (ALCALAR, PORTUGAL) 
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: Portugal, e à semelhança doutros países europeus, a sua exploração sistemática iniciou-se no séc. XIX, resultando frequentemente na acumulação de vestígios pobremente contextualizados e na existência de séries frequentemente truncadas. Em consequência, as práticas e os gestos funerários complexos levadas a cabo nos sepulcros megalíticos eram insuficientemente compreendidos, urgindo realizar novas escavações, com métodos de recolha e registo rigorosos, estratigráfica e antropologicamente informados. Concretamente, e no que concerne ao tipo de estrutura sepulcral aqui em análise – os hipogeus ou grutas artificiais – a vasta maioria das escavações efectuadas tinha sido realizada até à década de 1960. Com efeito, e dentro do conjunto total dos sítios escavados até então, apenas num, Monte Canelas I (Portimão, Faro), era possível realizar uma análise detalhada dos gestos e das práticas funerárias, que ali estiveram na origem da acumulação de milhares de fragmentos esqueléticos (7749 peças osteológicas; 171 indivíduos) e vestígios arqueológicos. Deste modo, perspectivou-se efectuar: 1) uma leitura Arqueotanatológica retrospectiva de Monte Canelas I, baseada na análise conjunta dos registos de campo e laboratório plasmada numa base de dados SIG; e, 2) a escavação ab initio de um outro hipogeu (Monte Canelas III) sito neste núcleo sepulcral, com vista ao desenvolvimento e teste de um protocolo de terreno e à obtenção de novos dados que possibilitassem a comparação entre as práticas e os gestos funerários. Dificuldades diversas relacionadas com o financiamento dessa segunda escavação impediram a sua execução, sendo apenas possível cumprir o primeiro desiderato. Porém, a descoberta doutros dois hipogeus no Monte do Carrascal 2 (Ferreira do Alentejo, Beja), permitiu aumentar o número de sítios estudados e abranger o interior alentejano. Aqui os trabalhos constaram: 1) do desenvolvimento e teste de um protocolo de terreno de recuperação de vestígios osteológicos; 2) da escavação do Hipogeu I (4679 peças osteológicas; 71 indivíduos) e 2 (2966 peças osteológicas; 48 indivíduos); e, 3) da leitura global dos resultados, compilados numa base de dados SIG, de modo a promover a sua análise micro-estratigráfica e espacial intra-sítio, orientada para a reconstituição detalhada dos gestos funerários ali levados a cabo sincrónica e diacronicamente. Assim, e em função dos trabalhos realizados nos três hipogeus estudados, foi possível concluir que: 1) as datações obtidas, as estratificações complexas, as reformulações arquitectónicas e o modo de utilização dos sepulcros evocam utilizações longas com persistência da memória dos locais de enterramento durante diversas gerações. Estas práticas serão enraizadas no final do 4º milénio sobrevivendo até quase aos finais do 3º/ inícios do 2º milénio cal. a.C.; 2) os espaços funerários são bastante diversificados entre si, mesmo quando integram o mesmo núcleo sepulcral; 3) a importância do conhecimento do posicionamento de todos os elementos esqueléticos revelou-se fundamental não só para a documentação das formas de tratamento dos cadáveres, mas inclusivamente para a identificação de estruturas perecíveis de contenção e arrumo (entretanto desaparecidas) dos indivíduos no seio das estruturas funerárias; 4) a decapagem cuidada e sucessiva dos níveis sepulcrais testemunha o ritmo das deposições, a sua sincronia e diacronia; 5) o tipo de ossos identificados e a identificação de esqueletos em conexão comprovam o carácter primário das deposições funerárias; 6) os hipogeus são utilizados de forma consecutiva, justapondo-se os cadáveres de não adultos e adultos de ambos os sexos, depositados na superfície dos sítios: jazem uns sobre os outros e o espólio que os acompanha, salvo raros casos, perde a ligação com o inumado e integra o conjunto fúnebre; 7) no que concerne à colocação dos mortos, a prática dominante parece ser a colocação do cadáver em posição flectida, sobre um qualquer lado do corpo, ainda que surjam variantes; as orientações de deposição são diversas, podendo ocorrer no sentido de qualquer ponto cardeal; os corpos não são cobertos por sedimento, o que facilita a acção de diversos factores tafonómicos; e, 8) os sepulcros são visitados com a intenção de depositar novos inumados, mas também de manter e reformular os espaços ou acondicionar os remanescentes esqueléticos; a sobreposição de novos cadáveres sobre outros parece indicar o retomar de um novo ciclo funerário; os episódios de abatimento, desmoronamento e/ou colapso das estruturas provocam interrupções de uso, mas é também o esgotamento do espaço disponível para proceder novas inumações que dita o abandono das estruturas, nalguns casos centenas de anos após a sua utilização inaugural.
Late Neolithic/ Chalcolithic graves have fascinated researchers since the beginning of scientific enquires. In Portugal, as in other European countries, its systematic exploration began in the 19th century, often resulting in the accumulation of poorly contextualized and frequently truncated osteological series. As a consequence, the complex gestures and funeral practices carried out in the megalithic tombs urgently required further research, through stratigraphic and anthropologically informed excavations. Regarding specifically hypogea (or rock cut tombs), the vast majority of the excavations had been carried out until the 1960s. Only one site, Monte Canelas I (Portimão, Faro), allowed a detailed analysis of the processes that led to a vast accumulation of skeletal (7749 osteological pieces, 171 individuals) and archaeological materials. From that point on, the main goal of this work was to characterize the practices and funerary gestures of the groups that between the 4th and 3rd millennium cal. B.C. built and used these structures, a twofold approach was launched in order to make: 1) A retrospective Arqueotanatological analysis of Monte Canelas I based on the field and laboratory data, gathered in a GIS database; and, 2) The excavation of another hypogeum (Monte Canelas III) located in the same sepulchral cluster, aiming to develop and test a field recovery protocol of human remains, and, to obtain new data on Late Neolithic/ Chalcolithic funerary practices. Even though first goal was achieved, several financial difficulties prevented the completion of the excavation of Monte Canelas III. However, the discovery of two other hypogea in Monte do Carrascal 2 (Ferreira do Alentejo, Beja) allowed the excavation of these sites. Therefore the number of analysed sites increased as well as the geographic area under study. The research conducted at Monte do Carrascal 2 enabled: 1) The development and testing of a field protocol for the recovery of osteological remains; 2) The excavation of Hypogeum I (4679 osteological pieces; 71 individuals) and 2 (2966 osteological pieces; 48 individuals); and, 3) The acquisition of a global reading of the results, compiled in a GIS database, in order to promote its intra-site micro-stratigraphic and spatial analysis, aimed at the detailed reconstruction of the funerary gestures performed there, synchronously and diachronically. The results of the study of the Hypogea of Monte Canelas I and Monte do Carrascal 2 (I and 2) show that: 1) The radiocarbon dates, the complex stratifications, the architectural reformulations, or the amount of individual evoke long uses (meaning long chronologies) with persistent memory of burial places for several generations; 2) These burial practices rooted at the end of the 4th millennium, survive until almost the end of the 3rd / beginning of the 2nd millennium cal. B.C.; 3) Funerary spaces are quite diverse even at the same sepulchral cluster; 4) The existence of structures built with perishable materials is clearly recognizable through the analysis of the position of bones, namely through the identification of “wall effects”; 5) The careful and successive excavation of the sepulchral levels testifies to the rhythm of depositions, their synchrony and diachrony; 6) The type of bones identified and the recognition of skeletons in anatomical connection prove the core characteristic of funeral depositions; 7) Hypogea are used successively, as the corpses of non-adults and adults of both sexes are laid directly on top of one another, specific funerary deposits, such as ceramics or lithic materials can’t be attributed to a single individual due to the large amount of unclearly positioned cadavers; 8) Regarding the position of the bodies, the dominant pattern seems to be the foetal /crouched position of the corpse on the right or the left side; the cardinal direction towards which the bodies are pointed varies; bodies aren’t covered by sediment, which facilitates the action of several taphonomic factors; 9) The tomb was revisited with the intention of depositing new deceased individuals, and also of maintaining and reformulating the spaces, packing and storing the skeletal remnants; the overlapping of new corpses seems to indicate the resumption of a new funeral cycle; the episodes of collapse of the funerary structures caused interruptions of use, but usually didn’t dictate the abandonment of the grave. Whereas the full use and exhaustion of the space available to carry out new burials dictated the abandonment of the structures, in some cases hundreds of years after their inaugural use.
Description: Tese no âmbito do Doutoramento em Antropologia, Antropologia Biológica, apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
URI: https://provas-academicas.sib.uc.pt/handle/123456789/49329
http://hdl.handle.net/10316/90757
Rights: openAccess
Appears in Collections:UC - Teses de Doutoramento
FCTUC Ciências da Vida - Teses de Doutoramento

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