Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/90050
Title: As políticas de saúde mental e o consumo de psicofármacos
Other Titles: Mental health policy and the consumption of psycholeptics
Authors: Estrela, Marta Isabel Rodrigues
Orientador: Herdeiro, Maria Teresa
Ferreira, Pedro Augusto Melo Lopes
Keywords: Saúde mental; Políticas de saúde mental; INFARMED; DGS; Psicofármacos; Mental health; Mental health policy; INFARMED; DGS; Psycholeptics
Issue Date: 29-Jul-2019
Serial title, monograph or event: As políticas de saúde mental e o consumo de psicofármacos
Place of publication or event: Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Abstract: A saúde mental tem sido uma das principais preocupações do século XXI. As doenças relacionadas com a saúde mental representam mais de 7% do impacto de todas as doenças no mundo e um terço do impacto na Europa, sendo das doenças não fatais com maior impacto no mundo. Estudos sugerem que cerca de 5% da população em idade ativa é afetada por uma doença mental grave e 15% por uma doença mental comum, como transtornos depressivos e ansiosos. Além disso, a OCDE sugere que 50% da população sofrerá alguma doença mental em algum momento das suas vidas, resultando numa diminuição nas perspectivas de trabalho, produtividade e salários. Os dados portugueses de 2015 mostram que menos de 0,8% da despesa total para a Saúde é direcionada para os cuidados de Saúde mental, sendo um dos países com o financiamento mais baixo deste tipo de assistência da UE-27. Associando estes 0,8% ao facto de o Orçamento do Estado para a Saúde corresponder a menos de 10%, que também é inferior à média da OCDE, verifica-se que existe um subfinanciamento crónico dos cuidados de Saúde mental. Outro problema está relacionado à grande lacuna em relação à acessibilidade para obter atendimento em tempo útil, tanto em termos de diagnóstico como de acompanhamento. Embora a prevalência de pacientes com transtornos mentais seja superior a 20%, menos de 10% dos pacientes registados nos cuidados de saúde primários têm registo de transtornos depressivos e ansiedade. Adicionalmente, apenas 35% dos pacientes com qualquer tipo de perturbação de humor tiveram uma consulta no ano de início da doença, correspondendo a um atraso médio de 5 anos, e apenas 37,8% daqueles com depressão major tinham algum tipo de tratamento no ano de início da doença, correspondendo a uma duração mediana de atraso de 4 anos. Além das dificuldades associadas às próprias doenças mentais, à falta de acessibilidade e ao subfinanciamento do sistema de saúde mental, um dos maiores problemas é o consumo excessivo de psicofármacos. As estatísticas da OCDE de 2015 mostram que o volume de vendas de ansiolíticos em ambulatório representou 2,2% de todos os medicamentos vendidos em Portugal, representando uma despesa de 54,9 M €, ficando em primeiro lugar em comparação com todos os outros países da OCDE. Em termos de consumo de hipnóticos e sedativos, Portugal ficou em 7º lugar, com um volume de vendas de 0,8%, correspondente a 20,8M € de despesas. Relativamente aos antidepressivos, Portugal ficou em terceiro lugar, apenas superado pelo Canadá e Espanha, com um volume de vendas de 3,7%, associado a uma despesa de 92,9M €. Considerando os problemas acima mencionados, é crucial trabalhar para diminuir a incidência e a prevalência de transtornos mentais, melhorar o empowerment dos pacientes com a saúde mental, erradicar o estigma relacionado à saúde mental e reduzir o consumo de psicofármacos pela implementação de políticas que melhoram a acessibilidade ao diagnóstico precoce e outros tratamentos, como a psicoterapia.
Mental health has been a major concern of the 21st century. Mental health-related diseases account for more than 7% of the burden of all diseases in the world and one third of the burden in Europe, being the non-fatal diseases with the greatest impact all over the world. Studies suggest that about 5% of the working-age population is affected by a serious mental illness and 15% by a common mental illness like depressive and anxiety disorders. In addition, OECD suggests that 50% of the population will experience some mental illness at some point in their lives, resulting in a decrease in work prospects, productivity and wages. Portuguese data from 2015 shows that less than 0,8% of the total expenditure for Health is directed to Mental Healthcare, being one of the countries with the lowest funding of this care of the EU-27. (eurostat, 2015) Associating these 0,8% to the fact that the State Budget for Health corresponds to less than 10%, which is also lower than the OECD average, it is visible there is a chronic underfinancing of Mental Health care. Another problem is related to the large gap regarding accessibility to obtain care in a timely manner, both in terms of diagnosis and follow-up. Although the prevalence of patients with mental disorders exceeds 20%, less than 10% of patients registered in primary health care have a register of depressive disorders and anxiety. Linking these numbers to the fact that only 35% of patients with any type of Mood Disorder had an appointment in the year of disease onset, corresponding to a median delay of 5 years, and only 37,8% of those with Depression Major had any kind of treatment in the year of onset of the disease, corresponding to a median delay duration of 4 years. Besides the difficulties associated with the mental health diseases themselves, the lack of accessibility, and the underfinancing of mental healthcare system, one of the biggest problems is the excessive consumption of psycholeptics. OECD statistics from 2015 show that the volume of sales of anxiolytics in outpatient services accounted for 2,2% of all drugs sold in Portugal, representing an expenditure of 54,9 M€, ranking first in comparison to all other OECD countries. In terms of the consumption of hypnotics and sedatives, Portugal was in 7th place, with a sales volume of 0,8%, corresponding to 20,8M€ of expenditure. Regarding antidepressants, Portugal was in third place, only surpassed by Canada and Spain, with sales volume standing at 3,7%, associated with an expense of 92,9M €. Considering the aforementioned problems, it’s crucial to work in order to decline the incidence and prevalence of mental health disorders, improving the empowerment of mental health patients, eradicate stigma related to mental health, and reduce the consumption of psycholeptics by implementing innovative policies that improve the accessibility to early diagnosis and other treatments, such as psychotherapy.
Description: Dissertação de Mestrado em Gestão e Economia da Saúde apresentada à Faculdade de Economia
URI: http://hdl.handle.net/10316/90050
Rights: openAccess
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