Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/88788
Title: A assistência em Coimbra na Idade Média: dimensão urbana, religiosa e socioeconómica (séculos XII a XVI)
Authors: Rocha, Ana Rita Saraiva da
Orientador: Coelho, Maria Helena da Cruz
Keywords: Pobreza; assistência; confrarias; hospitais; albergarias; Coimbra medieval; Poverty; assistance; confraternities; hospitals; shelters; medieval Coimbra
Issue Date: 16-Sep-2019
Project: info:eu-repo/grantAgreement/FCT/SFRH/SFRH/BD/80895/2011/PT/A ASSISTÊNCIA EM COIMBRA NA IDADE MÉDIA: DIMENSÃO URBANA, RELIGIOSA E SOCIOECONÓMICA (SÉCULOS XII A XVI) 
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: A presente tese tem como objetivo o estudo da assistência aos pobres, doentes, peregrinos e outros carenciados na cidade de Coimbra, desde os inícios do século XII até aos primeiros anos do século XVI, quando foi fundado o Hospital Real, por D. Manuel. Nela centramos a nossa atenção, por um lado, no papel da sociedade no socorro aos mais necessitados e, por outro, nas instituições de caridade que foram surgindo na urbe conimbricense, ao longo de toda a Idade Média, com o propósito de prestarem um auxílio mais eficaz aos pobres e a todos os que sofriam qualquer tipo de privação. Ao mesmo tempo, privilegiamos o diálogo das várias formas de assistência com a envolvente urbana, social, económica, religiosa e política. Em primeiro lugar, contextualizamos o tema, refletindo sobre conceitos e descrevendo a evolução cronológica da prática da caridade, na Europa medieval, com particular enfoque em Portugal. Neste sentido, começamos por definir os grupos de assistidos, sopesando a problemática de “pobre” e “marginal”, que envolviam componentes distintas, mas interligadas, para compreendermos quem eram os pobres dignos de serem socorridos pela assistência cristã. Segue-se a clarificação da noção de caridade e traça-se a sua linha evolutiva, tendo sempre presente a ideologia em que assentava. Este enquadramento teórico fica completo com a enunciação das várias entidades que assumiram a função de auxiliar os mais desfavorecidos. No segundo capítulo deste estudo, recorrendo a mais de uma centena de testamentos e doações, abordamos o envolvimento da sociedade conimbricense com as questões da pobreza. Depois de uma incursão pelo núcleo documental compulsado, centramo-nos nos indivíduos que contemplaram, com legados caritativos, os pobres, no sentido lato do termo, e estabelecimentos de beneficência, procurando conhecer a sua condição socioprofissional e, consequentemente, quem manifestou maior sensibilidade e preocupação com os problemas que afetavam os estratos sociais mais desprotegidos. No subcapítulo seguinte, debruçamo-nos sobre os beneficiários dos donativos pios, com o intuito de identificar as várias categorias de assistidos e instituições contempladas e caracterizar aqueles que as compunham. Esta parte termina com uma análise quantitativa e qualitativa dos tipos de bens que os testadores e doadores destinavam para fins assistenciais. O terceiro capítulo, estruturado em várias alíneas, é dedicado às confrarias e estabelecimentos hospitalares, onde se incluem os hospitais, albergarias, mercearias e gafaria, da cidade de Coimbra. Iniciamos esta abordagem com o levantamento cronológico de todas as instituições de caridade documentadas na urbe em estudo e com a descrição da implantação da “rede” confraternal e assistencial no espaço citadino. De seguida, em duas secções diferentes, procedemos ao estudo detalhado das irmandades e estabelecimentos hospitalares, no qual tratamos os vários aspetos relativos à natureza, estrutura orgânica, objetivos e funcionamento destas instituições. Num quarto momento, focamo-nos no património que as casas de assistência acumularam e administraram, ao longo da Idade Média, e que constituía a sua principal fonte de rendimento. Neste aspeto, concedemos particular atenção às diversas formas de aquisição de imóveis, à composição e localização da propriedade, de acordo com quatro áreas geográficas de implantação (cidade, aro, termo e outras espacialidades) e ainda à política de exploração patrimonial, atendendo aos tipos de contratos agrários, rendas e contratantes. Por último, analisamos a crescente intervenção régia na administração das confrarias e hospitais de Coimbra, que conduziu à reforma da assistência e ao fim do “modelo” caritativo medieval.
The purpose of this thesis is to study the assistance to the poor, sick, pilgrims and other deprived people in Coimbra, since the 12th century until the first years of the 16th century, when D. Manuel founded the Royal Hospital. We’ll pay particular attention to society’s role in rescuing the needed and how Coimbra’s charity institutions emerged in the urban area, during the Middle Ages, with the major purpose to efficiently render aid to the poor and to all that suffered any kind of deprivation. At the same time, we’ll focus on the connections of the several types of assistance with the urban, social, economic, religious and political environment. In the beginning, we contextualize the main theme, pondering the concepts and describing the chronological evolution of charity in medieval Europe and, particularly, in Portugal. Therefore, we define the concept of “the assisted”, taking in account the “poor” and “marginal” problematic, that involved different components, to understand who were the poor worthy of Christian assistance. Next, we clarify the notion of charity and trace its evolutionary line, keeping in mind its supporting ideology. This theoretical framework became complete with the enunciation of the several entities that undertook the role to aid the underprivileged. In the second chapter, after reviewing more than one hundred wills and donations, we address Coimbra’s society involvement with poverty issues. After the document analysis, we focus on the individuals that, through charitable bequests, contemplated the poor, in its broad concept, and charity institutions, striving to know their social and professional status and who manifested more sensibility and concern with the problems that affected the more exposed classes. In the next subchapter, we cover the beneficiaries of pious donations. Our aim is to identify the various types of aided people and institutions and to characterise their constitution. This chapter ends with a qualitative and quantitative analysis of the donors and testators’ assets directed to charity. The third chapter, structured in several subchapters, is dedicated to Coimbra’s confraternities and welfare institutions, which includes hospitals, shelters, mercearias and the leper house. We began this approach with a chronological evaluation of all the charity institutions of the city present in the documentation and the description of the establishment of the confraternity and welfare network in the urban centre. Then, in two different sections, we proceed to a detailed analysis of the stated institutions, addressing several aspects of their nature, organic structure, goals and operation. In a fourth moment, we focus in the estate that the charitable institutions amassed and managed, throughout the Middle Ages, and that was their source of income. We give special attention to the various forms of property acquisition, their structure and location, within four geographical implementation areas (city centre, city ring, outskirts and other spatial representations), and property use policy, types of agrarian contracts, earnings and tenants. In the end, we analyse the increasing royal intervention in the administration of the Coimbra’s confraternities and hospitals, which led to the welfare reform and to the end of the medieval charity “model”.
Description: Tese no âmbito do Doutoramento em História, ramo de História Medieval e apresentada ao Departamento de História, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
URI: http://hdl.handle.net/10316/88788
Rights: embargoedAccess
Appears in Collections:FLUC Secção de História - Teses de Doutoramento
UC - Teses de Doutoramento

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