Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/79817
Title: Comorbilidades cardiovasculares na doença pulmonar obstrutiva crónica
Authors: Carvalho, Ana Rita Morgado de 
Orientador: Cordeiro, Carlos Robalo
Freitas, Sara
Keywords: Doenças cardiovasculares; Co-morbilidade; Doença pulmonar obstrutiva crónica
Issue Date: Mar-2013
Abstract: A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), um problema de saúde de grande relevância a nível internacional, tem uma incidência cada vez mais elevada, prevendo-se que em 2020 seja a terceira causa de morte a nível mundial. As comorbilidades da DPOC contribuem de modo significativo não só para esta incidência crescente de mortalidade, como para sintomas, exacerbações, hospitalizações ou pior prognóstico, sendo relevante a sua identificação para que haja uma melhoria da saúde e qualidade de vida dos doentes com DPOC. A comorbilidade major da DPOC é a doença cardiovascular (DCV), sendo a DPOC considerada um fator de risco independente para DCV. Há um aumento do risco cardiovascular e de hospitalização 2 a 3 vezes maior nestes doentes, sendo a redução do FEV1 considerada um marcador de morbilidade e mortalidade cardiovascular e havendo um risco mais elevado de doença arterial coronária, enfarte do miocárdio (EAM), insuficiência cardíaca (IC) e arritmia. A IC é uma comorbilidade muito frequente da DPOC, continuando subdiagnosticada atendendo a que a identificação da comorbilidade não é fácil, não só porque partilha fatores de risco, como também sintomas, como a astenia, a ortopneia e a dispneia, havendo, por isso, sobreposição clínica. O diagnóstico de IC, como comorbilidade da DPOC, é muito importante, atendendo a que está associada a pior prognóstico, aumento do risco, da frequência e da duração da hospitalização por IC e a elevado risco de eventos adversos e de ocorrência de EAM em doentes com coexistência de DPOC e IC. Além disso, a DPOC é um importante preditor de agravamento da IC. Existe também uma elevada prevalência de EAM em doentes com DPOC, sendo as apresentações atípicas da síndrome coronária aguda (SCA) mais frequentes nestes doentes, como dor torácica atípica, dispneia e palpitações. O diagnóstico de doença cardíaca isquémica, quando não é possível ser efetuado através de uma prova de esforço, devido à incapacidade de atingir o limiar físico necessário, pode fazer-se recorrendo a outros exames complementares de diagnóstico, tais como ecocardiograma de stress, cintigrama de perfusão miocárdica e pesquisa de calcificação das artérias coronárias por tomografia computorizada (TC). A identificação da coexistência de doença isquémica cardíaca é relevante, uma vez que há aumento significativo da mortalidade a longo prazo e da frequência e do tempo de duração das hospitalizações, constituindo a DPOC um fator independente de risco cardíaco e de mortalidade cardiovascular em doentes com doença isquémica cardíaca. A DPOC aumenta o risco de arritmias cardíacas, mesmo em doentes com doença estável. A FA (fibrilhação auricular) é a arritmia cardíaca mais comum nos doentes com DPOC, sendo mais frequente à medida que a doença se torna mais grave, podendo estar relacionada com doença cardíaca isquémica e potenciar uma mais alta frequência de exacerbações. A taquicardia auricular multifocal (TAM) também coexiste frequentemente com DPOC, estando associada a taxa de mortalidade elevada. A hipertensão arterial (HTA) é uma das mais prevalentes comorbilidades diagnosticadas em doentes com DPOC, tendo tendência a aumentar com a gravidade da doença, ou seja, à medida que há progressão no estadio espirométrico da GOLD. O uso de β-bloqueantes cardiosseletivos na DPOC deve ser encorajado, uma vez que estes fármacos são seguros e melhoram a sobrevivência em doentes com DPOC e IC, prevenindo arritmias e estando associados a uma diminuição das taxas de hospitalização e de mortalidade. Os benefícios superam os potenciais riscos, mesmo em doentes com DPOC grave. Os broncodilatadores, considerados a primeira linha terapêutica da DPOC, estão associados, na coexistência de IC, a um aumento de todas as causas de mortalidade, incluindo a cardiovascular, e a um risco mais elevado de hospitalização por agravamento da IC. Além disso, verificou-se um aumento de eventos adversos cardíacos major, como EAM e morte súbita. O uso de IECA (inibidores da enzima da conversão da angiotensina) e de estatinas pode ser benéfico na redução da mortalidade cardíaca e do declínio da função pulmonar, aumentando a qualidade de vida e reduzindo as exacerbações. Com o uso de corticosteróides inalados há também uma redução da frequência das exacerbações e da mortalidade, particularmente a cardiovascular. Relativamente ao tratamento de revascularização efetuado nas SCA, o bypass da artéria coronária por enxerto está associado a um risco cirúrgico, enquanto que os doentes com DPOC submetidos a intervenção coronária percutânea (ICP) têm uma taxa mais elevada de re-estenose. Atendendo à elevada prevalência e ao grande impacto mundial da DPOC, sendo uma causa de morte cada vez mais frequente e tendo as suas comorbilidades, nomeadamente a DCV, uma grande contribuição não só para o prognóstico, mortalidade e qualidade de vida como também a nível do tratamento, é crucial que se dê especial atenção à coexistência de DPOC e DCV.
Chronic obstructive pulmonary disease (COPD), a major health problem all over the world, with a progressively higher incidence, is estimated to be the third death cause in the world in 2020. Comorbidities in COPD definitely contribute not only to this increasing death rate, but also to symptoms, exacerbations, hospitalizations and worse prognosis, being relevant its identification so it may occur a better health status and quality of life in COPD patients. The most frequent comorbidity of COPD is cardiovascular disease, with COPD being considered an independent risk factor to cardiovascular disease. There is a two to three-fold increase in cardiovascular or hospitalization risk for these patients, while reduction in FEV1 is considered a predictor of morbidity and cardiovascular mortality and is associated to a greater risk of coronary artery disease, myocardial infarction (MI), heart failure (HF) and arrhythmia. HF is a very common comorbidity in COPD patients, still underdiagnosed since its identification is not easy, not only because both diseases share risk factors but also share symptoms, such as dyspnea, fatigue, orthopnea. The HF diagnosis, as a COPD comorbidity, is very important, as it is associated to a worse prognosis, increased risk, frequency and duration of hospitalization for HF and to a greater risk of adverse events and myocardial infarction in patients where COPD and HF coexist. Moreover, COPD is an important predictor of HF worsening. There is also a high prevalence of MI in patients with COPD, occurring more frequently with atypical presentation of acute coronary syndrome, such as atypical chest pain, palpitations and dyspnea. When exercise ECG testing is not feasible due to the incapacity of getting the necessary physical threshold, the diagnosis of ischemic heart disease can be achieved through other noninvasive diagnostic, such as stress echocardiogram, myocardial perfusion scans and coronary artery calcium scanning using CT. The identification of coexisting ischemic heart disease is relevant as there is a significant increase in long-term mortality and frequency and duration of hospitalizations, constituting COPD an independent factor for cardiac risk and cardiovascular mortality in patients with ischemic heart disease. COPD increases the risk of cardiac arrhythmias, even while stable. AF (atrial fibrillation) is the most common cardiac arrhythmia in patients with COPD, correlating in frequency directly to the disease severity, and it can be related to ischemic heart disease and potentiate a higher frequency of exacerbations. Multifocal atrial tachycardia (MAT) is often found in COPD, being coexisting COPD and MAT related to a higher mortality rate. Arterial hypertension is one of the most prevalent comorbidities diagnosed in patients with COPD, having a tendency to aggravate as the illness becomes more severe assessed by the spirometric GOLD stage. The use of cardioselective β - blockers on COPD must be stimulated, as these drugs are safe and improve the survival of patients suffering from COPD and HF, preventing arrhythmia and relating to lower hospitalization and mortality rates. The benefits exceed the potential risks, even in patients with severe COPD. Bronchodilators are considered as the first therapeutic line in COPD. In patients where COPD and HF coexist there is an increase of all death causes, including cardiovascular, and a higher risk of hospitalization for worsening HF. Moreover, they were related to an increase in major adverse cardiac events, such as MI and sudden death. The use of ACE inhibitors and statins may be useful in the reduction of cardiac mortality, improving quality of life and reducing exacerbations. With the use of inhaled corticosteroids, there is also a reduction in exacerbations frequency and in mortality, especially cardiovascular death In what concerns coronary revascularization, coronary artery bypass grafting is associated to a surgical risk, while patients with COPD submitted to percutaneous coronary intervention have higher restenosis. Due to the high prevalence and great world impact of COPD, being a frequent cause of death, and having its comorbidities, namely cardiovascular disease, a great contribution not only to the prognosis, mortality and quality of life, but also to the treatment, it´s crucial to pay a special attention to the coexistence of COPD and cardiovascular disease
Description: Trabalho final de mestrado integrado em medicina àrea científica de Pneumologia, apresentado à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/79817
Rights: openAccess
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