Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/79402
Title: Tenho escrevinhado muito: Mulheres que escreveram em Portugal (1800-1850)
Authors: Biguelini, Elen 
Orientador: Lopes, Maria Antónia
Keywords: história das mulheres; crítica literária feminista; primeira metade do século XIX; mulheres que escrevem; história sociocultural
Issue Date: 5-Apr-2017
Keywords: história das mulheres; crítica literária feminista; primeira metade do século XIX; mulheres que escrevem; história sociocultural
Issue Date: 5-Apr-2017
Citation: BIGUELINI, Elen - Tenho escrevinhado muito: mulheres que escreveram em Portugal (1800-1850). Coimbra : [s.n.], 2017. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/79402
Abstract: “Tenho escrevinhado muito e ainda tenho muito a escrever” afirmou D. Augusta Franzini, em carta para seu pai, em uma frase que poderia ter sido proferida ou deixada por muitas outras senhoras escritoras portuguesas. As mulheres que escreveram em Portugal durante a primeira metade do século XIX não foram as primeiras, mas o fizeram apesar do desejo masculino de as manter em casa. Seu lugar era o lar e suas funções domésticas; a autoria procedimento desviante. Ainda assim, muitas foram aquelas que lançaram a pena ao papel e nos legaram em criações poéticas ou em prosa seus pensamentos íntimos, opiniões políticas, defesas da educação feminina, entre outros muitos temas. Inserido na História das Mulheres, bem como na História Social e Cultural, este trabalho procurou encontrar e identificar mulheres que publicaram e escreveram em Portugal entre 1800 e 1850. Portuguesas, brasileiras, francesas e, até mesmo uma argentina, deixaram suas opiniões em obras as mais diversas. Localizadas em arquivos e bibliotecas do Brasil e de Portugal, as 95 autoras e 11 assinaturas anônimas femininas são na sua maioria pouco ou nada conhecidas. Algumas, até agora desconhecidas, permanecem incógnitas porque deixaram apenas siglas ou assinaturas anónimas, que foram completamente apagadas da história, apesar de uma produção relativamente larga. Outras, aceitas por seus contemporâneos e preservadas pela História Literária, deixaram resquícios mais claros de suas vidas. Outras ainda deixaram poucos, mas suficientes, dados sobre si que permitem uma aproximação às suas vidas. A Crítica Literária Feminista e especialmente o conceito de Anxiety of Authorship de Susan Gubar e Sandra Gilbert, permitem perceber a presença do temor por parte destas mulheres de não serem aceitas pelo público e por seus colegas homens, ou, ainda mais, de serem percepcionadas com a imagem negativa, da sabichona ou de literata. Estas autoras escreveram textos de diferentes gêneros e em distintos suportes desde a poesia ao romance (em livros e folhetins) e até textos de cariz diverso na imprensa periódica. Passaram, assim, paulatinamente, a marcar presença na cultura literária portuguesa, encontrando seu espaço, que se tornaria ainda mais importante na segunda metade do Oitocentos. As temáticas sobre as quais decidiram escrever são também centrais neste trabalho, que visa compreender o que queriam dizer e de que forma quiseram fazê-lo. Assuntos referentes ao cotidiano feminino (a maternidade, o amor e o casamento, por exemplo) são muito frequentes em seus textos. Mas as escritoras também observam e criticam a sociedade e o tratamento que reserva às mulheres. A história, a escravidão e o sobrenatural são outros temas, “pouco femininos”, que surgem em seus textos. Ainda que muitas tenham sido esquecidas por completo, suas obras eram lidas e até mesmo enaltecidas por alguns de seus colegas do sexo masculino. Outros eram radicais opositores da escrita feita por mulheres. Mas ainda assim, obras de autoria feminina eram vendidas, e lidas, chegando a atravessar o oceano, publicadas e bem acolhidas em terras brasileiras. Uma extensa listagem de autoras e obras acompanha este trabalho, que tem como objetivo principal, resgatar nomes esquecidos da literatura e da história portuguesa. Obras de melhor ou menor qualidade, autoras pouco ou muito produtivas, mas todas merecedoras de ser lembradas pela História das Mulheres, pela Literatura e pela História Social e Cultural porque as sociedades e as culturas têm homens e mulheres como protagonistas e são produto das vidas e pensamentos de todos os seus atores.
“I’ve been writing a lot and I still have much to write” has professed D. Augusta Franzini in a letter to her father. This phrase could have been uttered or written by many other Portuguese authoresses from the early XIX century. These women were not the first ones to write, but they’ve done so despite male desire to keep them in the house. Their designated place was the home and its private functions. Writing was a deviation of that. Still, many women have put their pens to paper and leaving behind their intimate thoughts and poetic or prose creations. This thesis inserts itself in the area of Women’s History as well as that of Social and Cultural History. It attempts to find women who have written and published in Portugal from 1800 to 1850. Portuguese, Brazilian and French women, as well as an Argentinian, have left their opinions of the world in a great variety of works. Ninety-five names and ten anonyms have been found in Brazilian and Portuguese libraries and archives. Their names are mostly unknown. Some have been completely erased from History despite their rather large volume work since only initials and pseudonyms remain. Others, more accepted by their contemporaries, have been added to the Literary History which allowed some information from their daily lives to have survived. Others still have left little, but enough information, to permit some knowledge of who they were, but not much. Feminist Literary Criticism, specifically Susan Gubar and Sandra Gilbert’s concept of Anxiety of Authorship, allows the understanding of the fear these women have felt of being accepted by their male pears and the general public as well as that of seeming like a bluestaking. These ladies have written in plenty of different syles and formats: from poetry, to romance (both as books and as feuilleton), to newspapers. Through these they have become part of the Portuguese literary culture, slowly finding their space, which would become much greater in the second half of the century. The themes they chose to write about are also part of the focus of this thesis that wishes to comprehend what they wished to say and how they decided to do so. Subjects revolved around the revolved female day-to-day life (maternity, love and marriage) were extremely common. But these writers have also used their texts as critics to Society and its treatment of women, especially in regards to seduction and rape. History, slavery as well as the supernatural are themes that can also be found in the works of women writer from this period, despite not being labelled as feminine. Even though many of their names have disappeared, their work has been read and even defended by some of their male colleagues. Others opposed their talents completely. But still books written by women have been sold and read even across the ocean, where they were accepted and printed even in Brazilian lands. An extensive list of authoresses and their books accompanies this work, that has the principal objective of making these names known to Portuguese history and literature. Be them better or worse books, more or less productive writers; all of them deserve to be remembered by women’s history, by literature and Social and Cultural History since society and cultures are protagonized both by men and women being a product of their lives and desires.
Description: Tese de Doutoramento em Altos Estudos em História, no ramo de Economias e Sociedades, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/79402
Rights: openAccess
Appears in Collections:FLUC Secção de História - Teses de Doutoramento

Files in This Item:
File Description SizeFormat
Tenho escrevinhado muito.pdf3.96 MBAdobe PDFView/Open
Show full item record

Page view(s)

193
checked on Aug 13, 2019

Download(s) 20

773
checked on Aug 13, 2019

Google ScholarTM

Check


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.