Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/757
Title: Séneca em cena : enquadramento na tradição dramática greco-latina
Authors: Ferreira, Paulo Sérgio Margarido
Orientador: Medeiros, Walter de Sousa
Keywords: Literatura Latina
Estudos Clássicos
Issue Date: 15-Mar-2007
Citation: FERREIRA, Paulo Sérgio Margarido - Séneca em cena : enquadramento na tradição dramática greco-latina. Coimbra, 2006.
Abstract: Visto que não conhecemos qualquer depoimento histórico e irrefutável sobre o modo como as peças de Séneca efectivamente chegaram ao público da tempo do dramaturgo e sobre quem seria esse público, e visto que os argumentos contextuais, como se verificou na parte I, se revelam vulneráveis e ambíguos, esta dissertação procura estabelecer continuidade entre as práticas literárias e dramatúrgicas anteriores a Séneca e as que podemos inferir a partir do texto do autor, de modo a avaliarmos a representabilidade do drama senequiano. Estabelecidos, na parte I, alguns pressupostos relativos à autenticidade e à cronologia, a parte II conclui que, embora possamos encontrar no drama senequiano longos diálogos, monólogos e descrições que perturbam a aristotélica unidade orgânica do todo, as longas mirror scenes, como notou Taplin, eram relativamente frequentes no drama grego, e as longas descrições resultavam da influência da épica. Como a Aeneis de Virgílio, contudo, demonstra, a interferência era mútua. Séneca lança o público in medios affectus das suas personagens: é por isso que elas parecem estranhas (cf. Verfremdung de Brecht). Mas a origem humana da doença também era explicada por Fedra no Hippolytus de Eurípides. As personagens senequianas devem muito aos dramaturgos republicanos, a Virgílio e Ovídio, ao direito e à sociedade romanos, e à retórica. Mas a épica, o direito, a sociedade e a retórica influenciaram também o drama grego e isabelino, e não obstaram à representabilidade desse drama ou à profunda caracterização psicológica das personagens. A parte IV centra-se na identidade e na função dos coros. Não existem embólima na tragédia senequiana e os coros genericamente obedecem aos preceitos horacianos sobre a moral e sobre a interacção com as personagens. às vezes, contudo, Horácio é o ponto de partida para Séneca expor a sua própria filosofia. Considerando, por fim, um possível uso de máscaras, a obediência à regra horaciana dos três actores, os movimentos das personagens entre o palco e o extracénico, alguns precedentes da violência senequiana, uma solução dramatúrgica para a cena do extispicium do Oedipus, as diferentes localizações das Troades, o número de membros do coros senequianos e a sua presença ou ausência do palco, a última parte sugere, como hipótese mais provável, que Séneca escreveu as suas peças para serem representadas em privado e num palco de tipo republicano.
Since we have no irrefutable historical evidence as to how Seneca’s plays actually got to the public of the dramatist’s time or of whom that public consisted, and since the contextual arguments, as noted in Part I, are tenuous and ambiguous, this dissertation seeks to establish some continuity between the literary and theatrical practices before Seneca and the ones we can infer from the author’s text, in order to estimate the stageability of Senecan drama. After presenting some presuppositions concerning the plays’ authorship, authenticity and chronology in Part I, Part II concludes that, although we may find in Senecan drama long dialogues, monologues and descriptions that subvert the Aristotelian organic unity of the whole, long mirror scenes, as Taplin has noted, were relatively usual in Greek drama, and the long descriptions were the result of the influence of the epic. However, as Virgil’s Aeneid shows, the interference was mutual. Seneca throws the audience in medios affectus of his characters: that’s why they seem strange (cf. Brecht’s Verfremdung). But the human origin of that disease was also explained by Phaedra in Euripides’ Hippolytus. Senecan characters owe much to Republican dramatists, to Virgil and Ovid, to Roman law and society, and to rhetoric. But epics, law, society and rhetoric also influenced Greek and Elizabethan drama, and this didn’t hinder their stageability or deep psychological characterization. Part IV focuses on the identity and function of the chorus. There are no embólima in Senecan tragedy, and the chorus generally follows the precepts of Horace in terms of morals and in the interaction of characters. Sometimes, however, Horace is the starting point for Seneca’s exposition of his own philosophy Considering, finally, a possible use of masks, the obedience to Horace’s three-actor rule, the movements of characters between stage and offstage, some precedents for Senecan violence, a theatrical solution for the extispicium scene in Oedipus, the different locations in Troades, the number of members of the Senecan chorus and their presence or absence on stage, the last Part suggests, as the most probable hypothesis, that Seneca intended his plays to be presented privately on a Republican-style stage.
Description: Tese de doutoramento em Letras, área de Estudos Clássicos (Literatura Latina) apresentada à Fac. de Letras da Univ. de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/757
Appears in Collections:FLUC Secção de Estudos Clássicos - Teses de Doutoramento

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