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Title: Doença cardíaca isquémica e coronárias normais : caracterização de uma população referênciada para angiografia coronária
Authors: Miranda, Ana Ramos Pinto 
Orientador: Ferreira, Maria João Vidigal
Teixeira, Rogério
Keywords: Cardiologia; Doenças cardiovasculares; Isquémia miocárdica; Angiografia coronária
Issue Date: Jan-2011
Abstract: Introdução: A patologia cardíaca isquémica tem tido nos últimos anos uma incidência crescente. Na maioria dos casos encontra-se relacionada com aterosclerose coronária e manifesta-se por dor torácica. Com o advento da angiografia coronária, verificou-se que uma proporção significativa de doentes com angina (cerca de 40%) apresentava artérias coronárias aparentemente normais. Neste grupo incluem-se pacientes com testes de isquémia positivos. O mecanismo que desencadeia dor torácica ou até mesmo isquémia miocárdica, nestas condições, permanece controverso. Vários termos foram propostos para caracterizar pacientes que sofriam de dor torácica do tipo anginoso e uma angiografia coronária normal: síndrome X, angina microvascular e isquémia miocárdica não-aterosclerótica. Pensa-se que a disfunção endotelial e o vasospasmo coronário possam estar implicados na fisiopatologia. Alguns estudos questionaram a presença de isquémia em indivíduos com coronárias normais, sugerindo que alterações da percepção da dor e/ou hipersensibilidade miocárdica possam motivar os quadros clínicos referidos. Trata-se assim de uma população heterogénea relativamente aos processos fisiopatológicos isquémicos e não-isquémicos, que parece ter um prognóstico favorável a longo prazo. Objectivo: Neste trabalho pretendemos caracterizar uma população de doentes referenciados para angiografia coronária por doença isquémica e cujo resultado mostrou artérias coronárias aparentemente normais. Como objectivo secundário propomo-nos a comparar os diferentes parâmetros estudados, entre o género masculino e o feminino. População e Métodos: Estudo retrospectivo, transversal, dos doentes angiografados no Laboratório de Hemodinâmica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) entre 1 de Janeiro de 2007 e 31 de Dezembro de 2008. Através da consulta dos processos clínicos dos doentes e das requisições de angiografia coronária, caracterizou-se a população no que se refere a: género, idade, presença de factores de risco para doença cardiovascular, motivo da realização do exame (clínica sugestiva e/ou exames não invasivos positivos) e medicação prévia. Resultados: Dos 507 doentes estudados, 263 pertenciam ao género masculino e 244 ao género feminino. Apresentaram uma idade média de 62± 11,0 anos e um IMC de 28,7±4,2 Kg/m2. Verificou-se que 71,0% tinham sintomatologia sendo que 58,2 % tinham um angor típico. O género feminino apresentou uma clínica de angor superior ao género masculino (76,6% vs 65,8%, p≤0,05). Dos factores de risco estudados, verificou-se que a prevalência da hipertensão arterial foi 64,5%, da dislipidémia 59,6%, da diabetes mellitus 17,6%, dos hábitos tabágicos 14,2% e da história familiar 11,8%. Foram realizados exames não invasivos de isquémia em 86,0% dos pacientes, tendo sido a prova de esforço o exame mais requisitado (61,0%). Verificou-se que os antecedentes de SCA prévio foram mais prevalentes no género masculino ( 6,5% vs 2,9%, p=0,06). No que toca à medicação, o AAS foi o fármaco mais prescrito (73,7%). Os nitratos foram prescritos mais no género feminino ( 25,0% vs 15,6%, p=ns) Conclusão: Verificou-se uma maior percentagem de indivíduos do género masculino na população de estudo, contudo foi o género feminino o mais sintomático. A prevalência de factores de risco para doença coronária foi superior na população de estudo que na população em geral. A positividade dos testes de isquémia, apesar das coronárias normais, levanta-nos a questão da existência de falsos positivos nas provas de esforço ou falsos negativos na angiografia coronária. Apesar disso, a disfunção endotelial poderá ser o mecanismo justificativo da sintomatologia na maioria dos casos, devido à grande prevalência de factores de risco, que contribuem para a diminuição do fluxo sanguíneo a nível microvascular.
Background The prevalence of cardiac ischemic disease has been growing in recent years. In most cases it is connected with atherosclerosis in the coronary arteries and it manifests through thoracic pain. With the use of coronary angiography, it has been clear that a significant number of angina patients (ca. 40%) show apparently normal coronary arteries. Included in this group are patients with positive ischemic tests. The mechanism that triggers thoracic pain and even myocardial ischemia is still unclear. Several descriptions have been proposed to characterize patients suffering from thoracic pain and normal coronary angiograms: “Syndrome X”, microvascular angina and non atherosclerotic myocardial ischemia. It is believed that endothelial dysfunction and coronary vasospasm may be implicated in the physiopathology. Some studies have questioned the presence of ischemia in individuals with normal coronaries, suggesting that changes in pain perception and / or myocardial hypersensitivity may be the cause of the above symptoms. It is thus a heterogeneous population as far as physiopathological ischemic and non-ischemic processes are concerned, which appear to have a favorable prognostic on the long run. Goals With this work we aim to characterize a population of patients referred for coronary angiography by ischemic disease whose results have failed to show coronary lesions. As a secondary objective we will make a comparison of the different parameters under study according to gender. Methods Retrospective transversal study of the patients submitted to angiography in the Coimbra University hospital, between January 1st and December 31st 2008. After analysis of the clinical patient files and the coronary angiography applications, the population has been characterized as to: gender, age, risk factors for cardiovascular disease, reasons for taking the exam (clinic suggestion and /or positive non invasive exams) and previous medication. Results From the 507 patients under study, 263 were male and 244 were female. The average age was 62± 11,0 years with a body mass index (BMI) of 28,7±4,2. 71,0% showed symptoms and 58,2% of these had typical angor. Clinical angor was more prevalent in the female gender (76,6% vs 65,8%, p≤0,05). Among the risk factors under study, we verified the following prevalences: hypertension 64,5%, dyslipidemia 59,6%, diabetes mellitus 17,6%, smokers 14,2% and family history 11,8%. Non invasive ischemic exams were performed on 86,0% of the patients, and the exercise testing was the predominant exam (61,0%). We verified that previous SCA was more prevalent in males (6,5% vs 2,9%, p=0,06). Aspirina was the more prescribed drug (73,7%). Nitrates were more prescribed among female (25,0% vs 15,6%, p=ns). Conclusions Although there was a larger proportion of male individuals in the study population, the female patient group was the most symptomatic. The risk factor prevalence was superior in the study population than in the general population. The importance of positive ischemic tests, despite normal coronaries, raises the subject of false positive test results of exercise testing and false negatives of coronary angiographies. Regardless of this, the endothelial dysfunction may be the mechanism behind the symptoms in most cases, due to the prevalence of risk factors which contribute to the decrease of microvascular blood flow.
Description: Trabalho final de mestrado integrado em Medicina (Cardiologia), apresentado á Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/45901
Rights: openAccess
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