Title: O Divino nos Sofistas e em Eurípides
Authors: Almeida, João Paulo Barros Alves Rodrigues de 
Keywords: Sofistas;Eurípides;Tragédia;Religião;Deuses
Issue Date: 28-Jul-2015
Citation: ALMEIDA, João Paulo Barros Alves Rodrigues de - O Divino nos Sofistas e em Eurípides. Coimbra : [s.n.], 2015. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/28688
Abstract: O tema do divino nos sofistas e em Eurípides confere unidade de fundo ao presente trabalho. São dificilmente recortáveis passos dramáticos das peças do tragediógrafo que constituam transposições inequívocas de posições de sofistas sobre religião, por duas ordens de razões: a escassez de ipsissima verba desses pensadores sobre o assunto e a multiplicidade e variedade de elementos religiosos na obra do dramaturgo. Para enfrentar o primeiro óbice era indispensável tratar da problemática da receção da sofística. Distinguiram-se, na 1ª parte da dissertação, dois enfoques principais da sua reabilitação: a moderna e a pós-moderna. Neste último sobressai o movimento neosofista, o qual aproxima a primeira sofística de pensadores de referência do pós-modernismo, de que destacámos Nietzsche, Heidegger, Derrida, Rorty. A retórica neosofista procede polemicamente no que respeita à relação entre sofistas e Platão. Será claro que, em tal querela, nos subtraímos à animosidade antiplatónica, dando corpo à sugestão de que conhecemos o pensamento dos sofistas graças ao filósofo e não apesar dele. Por implicação, era mister debruçarmo-nos sobre a possibilidade do conhecimento histórico. Sobre a religião grega, defendemos que a visão ritualista é insuficiente e unilateral, dando o nosso assentimento à síntese doutrinal de Harvey Yunis que pour cause a encontra definida, exceto numa variante, em As Leis e que procura a respetiva ilustração teatral na obra de Eurípides. Já na Introdução havíamos discutido acerca da função social e política do teatro grego, sobre até que ponto a tragédia ática reflete ou refrata a sociedade coetânea e, por inerência, a religião popular. Na abordagem ao texto de Eurípides, optámos como fio condutor por um critério simples, distinguindo entre peças em que se verificam epifanias dos deuses, como Hipólito, Íon e As Bacantes, de peças como Medeia e Hécuba em que os deuses não aparecem no palco. A relevância do primeiro grupo de peças impõe-se por si, contudo, é habitual referir Medeia como uma peça onde a problemática religiosa não é proeminente. Pelo contrário, a hipótese teológica reclama detetar o dedo de Zeus na filigrana da peça e possuir um maior poder explanatório para as mutações alogon (assim denunciadas por Aristóteles) do seu entrecho. Por seu turno, Hécuba constitui um exemplo impressivo para aqueles que pensam que o grande problema que atormentava Eurípides era como viver num mundo sem deuses. Arriscámo-nos a abordar in toto cinco peças de Eurípides, embora tenham sido considerados objeto de menção a quase totalidade do seu corpus, ou passos desse corpus, desde Alceste até Orestes, passando por As Troianas, As Suplicantes, Ifigénia entre os Tauros e Helena. Relevámos os fragmentos de Belerofonte, por veicularem um ateísmo explícito; e de Os Cretenses, por abrirem uma janela para o afluxo de cultos estrangeiros em Atenas. O nosso Eurípides, a imagem desse Proteu que fixámos, começou a ganhar forma: um Eurípides, afinal, pessimista, nos antípodas daquela outra, esmerada por anteriores gerações de estudiosos, do poeta, do grande poeta, do Iluminismo Grego. Um nostálgico do abrigo da crença tradicional, mas que já não pode aderir à Ordem Divina, a uma configuração divina, estável, do mundo.
The theme of the divine in the sophists and Euripides confers unity to this work. It is not easy to cut out dramatic excerpts from the plays of this tragic playwright, which consubstantiate unequivocal transpositions of the sophists’ viewpoints as to religion, for twofold reasons: those thinkers lacked ipsissima verba regarding the subject and the multiplicity, as well as the variety, of religious elements in the playwright’s work. In order to face the first issue it was imperative to deal with the problematic of the reception of the Sophistic. In the first part of the thesis, two main approaches to its rehabilitation were differentiated: the modern and the postmodern. In the latter, the new sophistic (or sophist) movement is highlighted, as it brings closer the first Sophistic and seminal thinkers of postmodernism, namely Nietzsche, Heidegger, Derrida, Rorty. The new sophistic rhetoric acts controversially concerning the relationship between the sophists and Plato. It will become clear though that, in such controversy, we stand apart from the animosity against Plato, embodying the idea that we know the sophists’ way of thinking thanks to the philosopher and not despite him. Consequently it was crucial to look into the possibility of the historical knowledge. As to the Greek religion, we defend that the ritualistic perspective is insufficient and unilateral, which makes us agree with Harvey Yunis’s doctrinal synthesis, defined pour cause, except for a variant, in Laws, and that looks for its scenic illustration in Euripides’s literary work. In the Introduction the social and political role of the Greek theatre had already been discussed, especially how the Attic tragedy reflects or refracts the contemporary society and, inherently, the popular religion. In the approach to Euripides’s work, a simple criteria was chosen as leading point, by distinguishing the plays in which the gods’ epiphanies can be found, such as Hippolytus, Ion and Bacchae, from plays like Medea and Hecuba in which the gods don’t come up to the stage. The former group is relevant by itself; however, it is common to refer to Medea as a play where the religious issue is not prominent. On the contrary, the theological hypothesis proclaims Zeus’s interference in the play’s filigree and a greater explanatory power for the alogon mutations (as said by Aristotle) of its plot. On the other hand, Hecuba is an impressive example for those who think that the major problem which tormented Euripides was living in a world without gods. We dared to approach five of Euripides’ plays in toto, even though almost the total corpus, or parts, has been mentioned, from Alcestis to Orestes, and passing through Trojan Women, Suppliants, Iphigenia among the Taurians and Helen. We revealed Bellerophontes’s fragments because they revealed an explicit atheism; and fragments of Cretans, because they unveil the influx of cultured foreigners to Athens. Our Euripides, the image of that Proteus set by us, starts to take shape: a pessimistic Euripides, in the antipodes of the other one, cherished by previous scholar generations, of the poet, the great poet, of the Greek Enlightenment. A nostalgic of the shelter provided by the traditional belief, which cannot, nevertheless, comply with the Divine Order, with a divine, stable, configuration of the world.
Description: Tese de doutoramento em Estudos Clássicos, no ramo de Poética e Hermenêutica, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/28688
Rights: openAccess
Appears in Collections:FLUC Secção de Estudos Clássicos - Teses de Doutoramento

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