Title: O Papel da Comunicação no Exercício da Parentalidade: Avaliação da comunicação em famílias pós-divórcio
Authors: Portugal, Alda Patrícia Marques 
Orientador: Alberto, Isabel
Keywords: Comunicação parento-filial;Instrumento de avaliação;Família com filhos em idade escolar;Família com filhos adolescentes
Issue Date: 20-Dec-2013
Citation: O Papel da Comunicação no Exercício da Parentalidade: Avaliação da comunicação em famílias pós-divórcio. Coimbra : [s.n.], 2013. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/24159
Abstract: A comunicação ocupa um lugar de referência entre as diversas componentes que caracterizam e definem o funcionamento familiar (e.g., envolvimento afetivo, coesão, regras/ limites). Os padrões comunicacionais, no contexto da família, não só definem a qualidade do exercício da parentalidade como permitem inferir sobre a qualidade das relações pais-filhos. Estes indicadores são particularmente relevantes quando se analisam estruturas familiares pautadas por transformações acidentais, como é o caso das famílias pós-divórcio. Os estudos que se debruçam sobre as relações familiares tendem a incluir a comunicação nas dimensões a avaliar, embora de uma forma superficial e pouco focalizada. Uma possível justificação para este aspeto prende-se com a escassez de instrumentos de avaliação específicos da comunicação parento-filial, uma vez que aqueles que existem apresentam diversas lacunas (e.g., focam-se exclusivamente na etapa do ciclo vital família com filhos adolescentes). Assim, foi desenhado um estudo transversal, de cariz misto (qualitativo/quantitativo), com o intuito de responder a três objetivos: (a) identificar as dimensões comunicacionais que pautam o exercício da parentalidade na perspetiva de pais e filhos, (b) construir um instrumento de avaliação da comunicação no contexto da parentalidade e caracterizar os padrões comunicacionais da população portuguesa em famílias com filhos em idade escolar e famílias com filhos adolescentes, e (c) identificar possíveis especificidades dos padrões comunicacionais de famílias pós-divórcio, em comparação com famílias nucleares intactas. Para atingir o objetivo (a) foram administradas entrevistas individuais e em contexto de grupos focais a pais e filhos de duas etapas do ciclo vital: família com filhos em idade escolar (6 progenitores/5 filhos) e família com filhos adolescentes (4 progenitores/5 filhos) (estudo 1, tarefa 1). Por sua vez, a amostra que esteve na base do objetivo (b) foi composta por 1422 sujeitos: 803 progenitores, 276 adolescentes (12-16 anos) e 343 crianças (7-11 anos) (estudo 1, tarefa 2). Finalmente, para atingir o objetivo (c), foi constituída uma amostra de 257 sujeitos (167 progenitores/90 filhos) distribuídos por duas subamostras: 155 indivíduos de famílias nucleares intactas e 102 indivíduos de famílias pós-divórcio (estudo 2). A análise qualitativa efetuada na tarefa 1 do estudo 1 revelou que a comunicação parento- filial se caracteriza por sete dimensões: metacomunicação, problemas comunicacionais, partilha de situações problemáticas, atitudes filiais, atitudes parentais, afeto e estabelecimento de regras e limites. Com base nestes indicadores foi desenvolvida a Escala de Avaliação da Comunicação na Parentalidade (COMPA) composta por três versões: COMPA-Pais (5 dimensões: expressão do afetivo e apoio emocional, disponibilidade parental para a comunicação, metacomunicação, confiança/partilha comunicacional de progenitores para filhos X O Papel da Comunicação no Exercício da Parentalidade: Avaliação da Comunicação em Famílias Pós-divórcio e confiança/partilha de filhos para progenitores), COMPA-Crianças (2 dimensões: disponibilidade parental para a comunicação e expressão do afeto e apoio emocional) e COMPA- Adolescentes (5 dimensões: disponibilidade parental para a comunicação, confiança/ partilha comunicacional de filhos para progenitores, expressão do afeto e apoio emocional, metacomunicação e padrão comunicacional negativo). Foram efetuadas análises fatoriais exploratórias e confirmatórias a cada uma das versões (estudos de validade de constructo), e a análise da consistência interna (estudos de fiabilidade) revelou valores aceitáveis para fins de investigação (α entre .62 e .87). A aplicação desta escala a pais e filhos da população portuguesa revelou que algumas variáveis se destacam na perceção positiva da comunicação, designadamente: (a) o sexo feminino, particularmente dos progenitores, (b) ,famílias que vivem em contextos urbanizados; (c) famílias de estatuto socioeconómico médio/elevado e (d) níveis de escolaridade superiores a nove anos. Por sua vez, o dados obtidos no estudo 2, de uma forma geral, revelaram a inexistência de diferenças estatisticamente significativas, ao nível da comunicação parento-filial, entre famílias nucleares intactas e famílias pós-divórcio, contrariando as indicações da literatura empírica. Além disto, o estudo 2 revela que a comunicação parento-filial tem valor preditivo sobre as práticas parentais adotadas pelos progenitores na amostra global. Genericamente, as dimensões da comunicação que constituem a escala COMPA tendem a ser preditoras de estratégias educativas parentais baseadas no suporte emocional e, por outro lado, tendem a predizer negativamente estratégias educativas baseadas na tentativa de controlo/sobreproteção e rejeição. O desenvolvimento da escala COMPA traz alguns contributos para a prática clínica e para a investigação. A existência deste instrumento de avaliação permite aprofundar o conhecimento sobre as relações familiares no exercício da parentalidade, perspetivandose estudos com diversos grupos amostrais. A caracterização dos padrões comunicacionais entre progenitores e filhos na população portuguesa permite a definição de linhas de intervenção específicas e focalizadas para os profissionais que trabalham com famílias com filhos em idade escolar e famílias com filhos adolescentes. Além disto, a constatação da inexistência de diferenças comunicacionais entre famílias nucleares intactas e famílias pósdivórcio demonstra que a estrutura familiar nem sempre é definidora do relacionamento progenitores-filhos, desmistificando a ideia de que apenas as famílias nucleares intactas têm um funcionamento familiar ajustado/saudável.
Communication plays a very important role in the different components that characterize and define family functioning (e.g., affective involvement, cohesion, rules/limits). In the family context, the communication patterns define not only the quality of the exercise of parenting but also allow inferring on the quality of parent-child relationships. These indicators are particularly relevant when analysing family structures guided by accidental transformations, like post-divorce families. Studies that focus on family relationships tend to include communication in the dimensions that will be assessed, however superficial and poorly focused. One of the possible explanations relates to the lack of specific parent-child communication assessment tools, since the ones that exist have shortcomings (e.g., they focus exclusively on the family lifespan cycle of family with adolescent children). Thus, a drafted-mixed (qualitative/quantitative) cross-sectional study was designed, in order to meet three goals: (a) to identify communicational dimensions that assess the exercise of parenting in parent and children perspective, (b) to build an instrument that allows both the evaluation of communication in the parenting context and characterize communicational patterns in the Portuguese population in families with school-age children and families with adolescent children, and (c) identify possible specificities of post-divorce family’s communicational patters, when compared to the intact nuclear families. To achieve the goal (a) both individual and focus groups interviews were made, including parents and children of two stages of the lifespan cycle: families with school-age children (6 parents/5 children) and families with adolescent children (4 parents/5 children) (study 1, task 1). Then, the sample that was on the basis of goal (b) is composed of 1422 subjects: parents 803, 276 adolescents (12-16 years) and 343 children (7-11 years) (Study 1, task 2). Finally, to achieve goal (c) one formed a sample consisting of 257 subjects (167 parents/90 children) spread over two subsamples: individuals from 155 nuclear families and 102 individuals from intact families post-divorce (study 2). The qualitative analysis performed in study 1 revealed that the parent-child communication is characterized by seven dimensions: metacommunication, communication problems, child attitude, parental attitude, affective expression and rules/limits establishment. Based on these indicators, a Perception Scale of Parenting Communication (COMPA) was developed, and consisted of three versions: COMPA-Parents (5 dimensions: emotional support/ affective expression, parental availability to communication, metacommunication, parental confidence/sharing, children confidence/sharing), COMPA-Children (2 dimensions: parental availability to communication, emotional support/affective expression) and COMPA -Adolescents (5 dimensions: parental availability to communication, children confidence/ XII O Papel da Comunicação no Exercício da Parentalidade: Avaliação da Comunicação em Famílias Pós-divórcio sharing, emotional support/affective expression, metacommunication, negative communication patterns). For each of the versions, exploratory and confirmatory factor analyses were performed (studies of construct validity), and the internal consistency analysis (accuracy studies) revealed acceptable values for research purposes (α between .62 and .87). The application of this scale to parents and children of the Portuguese population revealed that some variables stand out in the positive perceptions of communication, namely: (a) females, particularly the parents, (b) families living in urbanized contexts, (c) families of medium/high socioeconomic status, and (d) higher levels of schooling to nine years. In general, the data obtained in study 2, revealed no evidence of statistically significant differences at the level of the parent-child communication between intact nuclear families and families post-divorce, contrary to what has been suggested by empirical literature. Furthermore, study 2 reveals that the parent-child communication has predictive value on parenting practices adopted by parents in the sample. Overall, the dimensions that compose the COMPA scale tend to be predictive of parental educational strategies based on emotional support and, on the other hand, tend to predict negatively based educational strategies in an control attempt/overprotection and rejection. The development of the COMPA scale brings some contributions to clinical practice and research. The existence of this assessment tool allows to deepen knowledge about family relations in the exercise of parenting, relying on future studies with various sample groups. Characterization of communication patterns between parents and children in the Portuguese population allows the definition of specific intervention guidelines and targeted to professionals who work with families with school-age children and families with adolescent children. Furthermore, the finding of no communicational differences between intact nuclear families and post-divorce families demonstrates that family structure is not always the defining parent-child relationship, demystifying the idea that only the intact nuclear families have a healthy/well adjusted environment.
Description: Tese de doutoramento no âmbito do Programa Interuniversitário de Doutoramento em Psicologia (Psicologia da Família e Intervenção Familiar), apresentada à Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e Faculdade de Psicologia da Universidade De Lisboa
URI: http://hdl.handle.net/10316/24159
Rights: embargoedAccess
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