Title: Le dodici città ideali
Authors: Costa, Joana Carreira 
Orientador: Lousa, António
Keywords: Superstudio, obra;Movimento moderno
Issue Date: Dec-2012
Citation: Costa, Joana Carreira Salvado da - Le Dodici città ideali : a doce tirania dos superstudio. Coimbra, 2012.
Abstract: As revoluções estudantis italianas levadas a cabo durante o controverso ano de 68 ficaram, sobretudo, marcadas pela batalha do Valle de Giulia no dia 1 de Março. A Faculdade de Arquitectura de Roma, ocupada pelos estudantes já desde o início de Fevereiro, presenciou, neste dia, um dos muitos confrontos entre as forças de autoridade e os estudantes que se revoltavam contra os sistemas de educação autoritários e hierárquicos. Este ano, não só em Itália, mas em toda a Europa, com o principal epicentro em Paris, foi marcado por uma grande crise revolucionária que tomou grandes proporções, indo desde as ocupações estudantis, tanto no ensino superior, como no secundário, às lutas de classes e greves gerais. Estas revoluções vieram agravar o panorama italiano que se mantinha instável desde o final da segunda Guerra Mundial. Apesar de no final dos anos 40 a arquitectura italiana estar no centro da atenção crítica e, finalmente liberta do fascismo, Itália pudesse ser a génese do desenvolvimento do movimento moderno europeu, tal não sucedeu, uma vez que a reconstrução do pós-guerra se deu muito tardiamente e as condições políticas e económicas com que o país se debatia não permitiam este progresso1. A crise do modernismo fazia-se sentir por toda a europa, surgindo duas fortes e antagónicas vertentes europeias que discutiam o seu futuro: por um lado os arquitectos britânicos – muito impulsionados pelo Team X formado nos encontros finais dos CIAM – que propuseram reinterpretações modernas e mais tecnológicas, deixando de parte a cidade tradicional; e por outro os arquitectos italianos que procuraram dar continuidade à cidade histórica, defendendo a tradição e memória – que é o caso de Bruno Zevi, Giulio Carlo Argan e Ernesto Nathan Rogers. É neste panorama de desenvolvimento incerto do movimento moderno, numa revolução de princípios sociais, políticos, económicos e ideológicos, e das revoluções nas universidades, que surgiram vários grupos que se propuseram a dar hipóteses e soluções radicais, notoriamente utópicas, para esta crise moderna. Durante os anos 60, aparecem vários grupos de estudantes italianos, que desafiaram e subverteram as metodologias funcionalistas dos modernistas do início do século. A cidade de Florença serviu como génese deste fenómeno particular, ao qual Peter Lang vai denominar geração Superarchitecture2. Este é o caso dos Superstudio, um grupo de estudantes finalistas de arquitectura formado em 1966, que desenvolveram “propostas radicais que tomavam as contribuições tecnológicas como referência conceptual e crítica”3. O trabalho dos Superstudio acaba por oscilar incertamente entre propostas radicais de teorias tecnológicas e socialistas para a cidade moderna, e a produção de objectos de mobiliário, próprios de uma sociedade de consumo. Os Superstudio nascem então no seio de uma sociedade italiana ansiosa por uma revolução, inundada não só pelo rio Arno, mas também por valores historicistas e racionais, ansiando uma reformulação ideológica dos princípios da arquitectura moderna. Adolfo Natalini, Cristiano Toraldo di Francia, Roberto Magris, Piero Frassinelli, Alessandro Magris e Alessando Poli são os membros do grupo em questão, que vão tomar um papel preponderante num movimento reformista, utilizando a ironia, a crítica e a utopia como língua oficial. Desde o pós-guerra, com a necessidade de reconstrução de grande parte das cidades europeias, muitas utopias urbanísticas do início do movimento moderno tentaram passar do papel para a concretização, e pela europa fora surgiram cidade histórica defendida pelos mestres italianos. As vanguardas desenvolvidas durante estes anos estavam destinadas a transformar o que até aqueles tempos era considerado um elemento perturbador e confuso em possibilidades criativas, trabalhando ao redor de hipóteses de a arquitectura funcionar como um meio crítico, usando sistematicamente a metáfora, demonstratio quia absurdum4 e outros recursos retóricos de forma a ampliar a discussão sobre a disciplina.5 Nesta dissertação pretende-se estudar o trabalho deste grupo no âmbito das propostas urbanísticas tecnológicas e mega estruturalistas que desenvolveram numa abordagem contra utópica e provocativa com o texto Le Dodici Dittà Ideali, em 1971. Aqui, Piero Frassinelli, descreve doze cidades ideais, “isolando um número de particularidades do urbanismo moderno, como a industrialização da construção, zoning, uniformidade”6, oferecendo a cada cidade uma versão extrema de cada característica. Pretende-se também compreender de que forma é que as vanguardas europeias que surgem pela europa dos anos 60, com propostas utópicas que agem também de forma crítica em relação ao panorama vivido, serviram de influência ao grupo italiano. Alimentava-se uma época em que as utopias político-sociais se desenvolviam em paralelo com a vontade de conceber uma cidade ideal, para o usufruto de uma sociedade também ideal. Deste modo, será possível concluir como é que a sociedade acolheu estas propostas radicais, que representavam imagens de um futuro melhor e mais desenvolvido, e que graças ao seu carácter chamativo e imagético, chegavam mais facilmente e de forma directa ao cidadão comum. Assim, num primeiro capítulo, que se pretende como um enquadramento da investigação, percorre-se a história das revoluções estudantis italianas nas panorama do ensino historicista e conservador da Itália do pós-guerra e pelas tendências modernistas da arquitectura italiana da época. Então, faz-se também uma pequena revisão do panorama arquitectónico italiano e os resultados das reuniões finais dos CIAM – Congrès International de Architecture Moderne. O segundo capítulo foca-se nas características da arquitectura radical de sessenta, remetendo para a particularidade do grupo em estudo e a forma como progrediram os seus trabalhos junto da sociedade italiana e no panorama da arquitectura. Desta forma, assimila certos movimentos que tiveram modos de acção semelhantes aos Superstudio, com projectos e utopias que procuravam uma cidade ideal, juntamente com críticas à evolução da arquitectura da época. O último capítulo pretende ser um estudo mais genérico da crítica à cidade e sociedade modernas por parte dos Superstudio, fazendo uma análise do texto das Doze Cidades Ideais, tentando perceber as bases que os levaram à execução da obra e o resultado que as suas propostas tiveram, ou poderiam ter. “As Dodici Città Ideali não eram, de todo, cidades ideais, mas uma espécie de pesadelo científico baseado nalgumas tendências já existentes, exageradas ao máximo.”7 O estudo deste tema pareceu estimulante pelo facto de despontar num contexto social que teve resultados semelhantes por toda a europa, inclusive em Portugal, mas que no entanto não resultou uma repercussão deste género, um movimento díspar de carácter radical, que entrava em ruptura com o que tinha sido feito até então, fazendo uso da arquitectura para a crítica social. A análise deste tipo de propostas é também pertinente tendo em conta o actual panorama de crise que se arrasta pela europa. Permite-nos questionar sobre a viabilidade de um revivalismo do pensamento utópico e radical característico dos anos 60, de modo a criar espectativas de um futuro favorável, não só na arquitectura, mas também a nível social, político e económico.
Description: Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitectura, apresentada ao Departamento de Arquitectura da F. C. T. da Univ. de Coimbra.
URI: http://hdl.handle.net/10316/23273
Rights: openAccess
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