Title: A performance enquanto encontro íntimo
Authors: Silva, Susana Mendes 
Keywords: Performance (arte);Encontro íntimo;Intimidade;Práticas performativas;Prática artística;Artes Plásticas
Issue Date: 26-Jun-2012
Citation: SILVA, Susana Mendes Costa da - A performance enquanto encontro íntimo. Coimbra : [s.n.], 2011. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/20284
Abstract: Esta tese parte intrinsecamente da minha prática performativa, e entendo-a como um modo de arquivo, investigação e compreensão do meu trabalho, de modo a contextualizá-lo em relação a outras obras e práticas artísticas contemporâneas. Desde 2002 tenho vindo a experimentar e a desenvolver projectos de performance que são concebidos de um-para-um, ou para um grupo muito restrito de participantes – que já se conhecem previamente como no caso de amigos, amantes, ou familiares. Pelo seu carácter íntimo, estas performances opõem-se à ideia de público – enquanto grupo heterogéneo que assiste a um evento. Devido à sua natureza privada, estas performances apenas permitem formas de documentação muito escassas. Na minha investigação exploro o que é a intimidade. A noção de intimidade parece incluir um intenso desejo humano de proximidade. Enquanto artista, estou interessada na interacção íntima autêntica que pode acontecer durante um encontro íntimo, e não numa intimidade encenada, na representação da intimidade, ou nas chamadas práticas viscerais – que derivam dum entendimento sexualizado da intimidade, como em projectos artísticos que se situam no âmbito da herança das práticas performativas extremas de body art. O que me interessa não é a intimidade enquanto espectáculo - algo para ser visto - mas na prática performativa enquanto encontro íntimo. A essência destes encontros foi explorada na performance e em práticas performativas por artistas contemporâneos desde o final da década de 1960. As práticas designadas por um-para-um envolvem, na maioria dos casos, um grau de cumplicidade, confiança mútua, privacidade, secretismo e generosidade entre ambos os participantes. De muitos modos estas práticas questionam e remetem para situações quotidianas onde a intimidade pode surgir: contar uma história, conhecer alguém, fazer uma pergunta, partilhar um segredo. Mas todas elas requerem uma presença: artista e participante estão juntos nessa situação. Esta condição é o catalisador para a dissolução ou apagamento da figura do espectador, uma vez que se exige que o público participe de um modo autêntico. Em algumas destas performances não há gravações ou registos do evento. Ou antes, não podem haver, porque não faz sentido e tal destruiria a dinâmica íntima da performance. Uma câmara fotográfica ou de vídeo seria um intruso. Podem até existir algumas imagens ou descrições sobre o que ocorreu, mas não há acesso ao que realmente aconteceu entre o(a) performer e o(a) participante. Assim, uma das questões principais - que talvez seja ética - é a questão sobre a documentação destas práticas, uma vez que elas se baseiam sobre um acordo de discrição implícito, sobre o que está a acontecer ou sobre o que aconteceu entre os participantes. Ao longo do elemento escrito foram integrados ficheiros de imagem e som com documentação sobre os projectos artísticos e outras fontes, que em conjunto com o texto constituem a tese. Neste sentido não os considero como anexos mas como parte fundamental e integrante da investigação que tenho vindo a desenvolver.
This thesis intrinsically departs from my performance practice, and I devised it as a mode for archiving, researching and understanding my work; in order to contextualize it among other artistic experiences in the same field. Since 2002, I have experimented and developed some performance projects that are conceived as a one-to-one encounter - or to a very small and intimate group - family related, friends, lovers. Because of their intimate nature, these performances oppose the concept of audience - as an heterogeneous group of people attending an event. Because of their private nature, these performances allow only very sparse forms of documentation. In my research, I have explored what intimacy is as a general concept. Intimacy seems to encompass an intense human desire for closeness. As an artist, I am interested, in the authentic intimacy interaction that can happen in an intimate encounter, rather than in a staged intimacy, in the representation of intimacy or in visceral practices - in the sense of a direct sexual understanding of intimacy, as in the aftermath of extreme body art performance). I am not interested in intimacy as a spectacle - something to be looked at - but in performance practice as an intimate encounter. The essence of these encounters has been explored in performance and performative works by contemporary artists since late 1960s. One-to-one practices involve, in many cases, a degree of complicity, mutual trust, privacy, secrecy and generosity between both participants. In many ways these practices question and address situations where intimacy arises in everyday life: telling a story, meeting someone, asking a question, sharing a secret. But all of them require presence: artist and participant are together in that situation. This requirement is a catalyst for the dissolution or the erasure of the figure of the passive viewer or of the spectator, as they engage the public in a participatory and authentic demand. In some of these performances there is no recording of the event. Or rather there can't be, because it wouldn’t make sense and would destroy the intimate dynamics of the performance. There can be some images or descriptions of what occurred, but there is no access to what really happened between the performer and the participant. Therefore, one main question - an ethical one - is precisely the one about the documentation of these practices, as they mostly rely on an implied agreement of secrecy about what is happening or happened between the participants. Throughout the written element there are image and sound files with documentation about art projects and other sources that together with the text constitute the thesis. In this sense they are not considered as additional material but a fundamental part of my research.
Description: Tese de doutoramento em Arte Contemporânea, apresentada ao Colégio das Artes da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/20284
Rights: openAccess
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