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Title: O diagnóstico retrospectivo da lepra: complementaridade clínica e paleopatológica no arquivo médico do Hospital-Colónia Rovisco Pais (século XX, Tocha, Portugal) e na colecção de esqueletos da leprosaria medieval de St. Jorgen's (Odense, Dinamarca)
Authors: Matos, Vítor Miguel Jacinto de 
Orientador: Santos, Ana Luísa
Keywords: Lepra; Doença de Hansen; Paleopatologia; Leprosarias; Antropologia Biológica; Doenças infecciosas
Issue Date: 22-Mar-2010
Citation: MATOS, Vítor Miguel Jacinto de - O diagnóstico retrospectivo da lepra: complementaridade clínica e paleopatológica no arquivo médico do Hospital-Colónia Rovisco Pais (século XX, Tocha, Portugal) e na colecção de esqueletos da leprosaria medieval de St. Jorgen's (Odense, Dinamarca). Coimbra: [s.n.], 2009. Tese de doutoramento
Abstract: Uma das lacunas relativamente ao passado da lepra reside na escassez de casos paleopatológicos, incongruente com a abundância de registos históricos que revelam que esta doença era comum, sobretudo durante o período medieval. O objectivo central da investigação efectuada visou contribuir para o debate em torno do diagnóstico retrospectivo da lepra, recorrendo ao cruzamento de dados clínicos e paleopatológicos. Para o efeito, constituíram-se duas amostras: (a) 300 processos clínicos, 150 de cada um dos tipos de lepra – lepromatosa (LL) e tuberculóide (LT) – e 150 de cada sexo, do arquivo médico do Hospital-Colónia Rovisco Pais (HCRP), Tocha, Portugal, que representam doentes rastreados entre 1947 e 1985 com idades entre os 4 e os 93 anos; (b) 191 esqueletos, 148 adultos e 43 não-adultos, de ambos os sexos, pertencentes ao acervo exumado do cemitério da leprosaria medieval (séculos XIII-XVI/XVII) de St. Jørgen’s de Odense, Dinamarca, que foram observados macroscopicamente. As lesões ósseas manifestaram-se em 13,0% (39/300) dos doentes do HCRP, e distribuíram-se do seguinte modo: destruições nasais em 1,7% (5/295) dos casos e mutilações ósseas nas mãos em 10,4% (31/299) e nos pés em 3,4% (10/296). A maioria dos doentes com alterações ósseas eram do tipo tuberculóide (84,6% [33/39]). Estes apresentaram, ainda, um risco 6,8 vezes superior de desenvolver danos esqueléticos relativamente aos lepromatosos. Na amostra de Odense aferiu-se uma prevalência mínima de casos de lepra em 32,5% (62/191) dos esqueletos, quando se combinaram as propostas de Andersen e Manchester (1992) e Ortner (2003), e máxima em 42,9% (82/191), adicionando a estes critérios os enunciados por Møller-Christensen (1967). As alterações rinomaxilares afectavam 72,8% (139/191) dos esqueletos, e as lesões destrutivas apendiculares compatíveis com uma etiologia leprosa – a remodelação destrutiva e a acroosteólise – observaram-se em 6,9% (11/159) dos indivíduos no caso dos ossos das mãos e em 26,1% (35/134) no dos pés. A distribuição das lesões dermatológicas na cabeça dos doentes do HCRP suscitou a pesquisa de lesões no frontal, malar e maxilar que pudessem ter resultado da estreita relação anatómica entre a pele lesada e infectada e as faces cutâneas daqueles ossos. As prevalências aduzidas foram: 14,5% (frontal), 0,6% (maxilar) e 3,8% (malar). Espera-se que estas lesões sejam alvo de futuros estudos que esclareçam o seu papel no diagnóstico da lepra. A comparação do padrão de distribuição das lesões ósseas nas duas amostras demonstrou a viabilidade da distinção entre a LT e a LL com base no esqueleto. A possibilidade de um diagnóstico de LT deverá ser considerada nas seguintes circunstâncias: um esqueleto adulto, sem alterações rinomaxilares e com presença de acroosteólise e remodelação destrutiva nos ossos das mão e/ou dos pés. Nos casos em que estas últimas se apresentem em concomitância com as lesões rinomaxilares – e após considerado o diagnóstico diferencial destas – deverá ser analisada a hipótese de se tratarem de casos com LL, independentemente de se tratar de adultos ou não-adultos. A possibilidade de detectar casos de LT em contextos arqueológicos traz novos desafios à paleopatologia e à futura compreensão do passado da lepra.
According to historical sources, leprosy was a common and widespread disease during medieval times, nevertheless the palaeopathological testimonies are not acquiescent with the historical depiction, since there is a notorious scarcity of human skeletal remains with evidences of this socially stigmatized and dreadful infectious disease. The present research aimed to contribute with new insights to the debate gravitating around the retrospective diagnosis of leprosy, through the correlation of both clinical and paleopathological data. In order to accomplish this purpose, two samples were analyzed: (a) 300 clinical files, 150 from each type of leprosy – lepromatous (LL) and tuberculoid (TT) – and 150 from each sex, collected from the medical archives of the Hospital-Colónia Rovisco Pais (HCRP), Tocha, Portugal, from leprosy patients screened between the years of 1947 and 1985, and presenting an age range from 4 to 93 years old; (b) 191 skeletons, 148 adults and 43 non adults, from both sexes, that were exhumed from the medieval leprosarium (13th-16th /17th centuries) of St. Jørgen’s, Odense, Denmark, were macroscopically evaluated. The main results depicted from the investigation performed on the HCRP archives, revealed osseous lesions in 13,0% (39/300) of the patients, distributed as follows: nasal destruction in 1,7% (5/295) of the cases and bone destruction of hand and feet, 10,4% (31/299) and 3,4% (10/296), respectively. The majority of individuals affected by bone alterations were diagnosed with tuberculoid leprosy (84,6% [33/39]), and their risk of developing skeletal changes was found to be 6,8 higher when compared to lepromatous patients. The anthropological survey of the human remains from the Odense sample, pointed out to a 32,5% (62/191) minimum prevalence of leprosy, when considered the criteria of Andersen and Manchester (1992) and Ortner (2003), and a maximum prevalence of 42,9% (82/191) was attained when the criteria proposed by Møller-Christensen (1967) were added to the formers. The rhinomaxillary bony changes were found in 72,8% (139/191) of the skeletons. The appendicular destructive lesions compatible with leprosy - destructive remodelling and acroosteolysis – were noticed in the hand bones of 6,9% (11/159) of the individuals, whereas a higher percentage (26,1% [35/134]) exhibited feet lesions. The dermatological manifestations on the head from the HCRP patients, compelled to a deeper scrutiny of the frontal, malar and maxillary bone sequels, supposedly existent due to the close anatomical connection between the altered and infected skin and the bone surfaces. The reported prevalences were: 14,5% (frontal), 0,6% (maxillar) e 3,8% (malar). Future researches on these lesions are suggested in order to clarify their possible role on the diagnosis of leprosy in past populations. The comparison between the patterns of lesions distribution on both samples demonstrated the viability of distinguishing LL from TT in human skeletal remains. A TT diagnosis should be considered when in the presence of an adult skeleton without rhinomaxillary lesions, and presence of acroosteolysis and destructive remodeling of hand and/or feet bones. When these lesions at the extremities are found to be present with rhinomaxillary changes then a possible diagnosis of LL should be investigated. The possibility of identification of TT on the archaeological record brings new challenges to palaeopathology as well as to an enhanced understanding of leprosy in the past.
Description: Tese de Doutoramento em Antropologia, especialidade de Antropologia Biológica, apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/20078
Rights: openAccess
Appears in Collections:I&D CIAS - Teses de Doutoramento
FCTUC Ciências da Vida - Teses de Doutoramento

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