Title: O Sujeito em Paul Ricoeur: Da Crise do Cogito à Dimensão Relacional da Pessoa
Authors: Judas, Manuel Luís Monteiro 
Keywords: Ricoeur, Paul, 1913-2005 -- obra;Linguagem
Issue Date: 19-Jan-2012
Citation: JUDAS, Manuel Luís Monteiro - O Sujeito em Paul Ricoeur: Da Crise do Cogito à Dimensão Relacional da Pessoa. Coimbra : [s.n.], 2011
Abstract: Esta dissertação O Sujeito em Paul Ricoeur: Da crise do Cogito à Dimensão Relacional da Pessoa, organizada em torno de quatro partes, inicia-se com a crítica do autor à concepção tradicional do Cogito, movida pela convicção de que este não deve ser entendido de forma imediata e transparente, à margem do corpo, do mundo e da acção, mas sim mediata e integralmente. Neste sentido, são analisados os contributos de Heidegger, da psicanálise e do estruturalismo. A fim de compreender como o sujeito exposto ao mal questiona o primado do Cogito e põe a descoberto a problemática da linguagem, apresentamos uma breve análise dos símbolos e mitos do mal existentes nas grandes culturas, justificando, assim, a existência de uma hermenêutica. Entendida inicialmente como arte de decifrar a linguagem simbólica dos mitos, eis que a hermenêutica se estende depois à linguagem ambígua do desejo, ao mundo das acções e ao texto. Após a abordagem da posição do estruturalismo face à linguagem e a sua influência em Ricoeur, esta investigação prossegue centrando-se numa questão essencial, a do poder referencial, simbólico e transformador do texto. Na medida em que revela outras maneiras de habitar o mundo, o texto tem o poder de mudar o modo de ser, de pensar e de agir do sujeito leitor. É a sua proposta de mundo que deverá ser objecto de interpretação e não a intenção do seu autor, sendo susceptível de interpretações divergentes e de conflitos. Uma vez que todas as interpretações são necessárias, salientamos o papel da arbitragem de posições tão divergentes, como as da linguística estrutural e da fenomenologia de Husserl, da hermenêutica de Freud e da hermenêutica de Hegel. Tanto a metáfora como a narrativa são importantes para a compreensão ontológica do novo sujeito e do seu poder relacional. Através da metáfora, o homem passa a ver o mundo de outro modo, enquanto pela narrativa poderá ainda conhecer as duas vertentes da sua identidade pessoal. Não sendo uma identidade substancial, mas dinâmica, ela é indissociável quer da temporalidade própria, quer da temporalidade da acção humana. Esta a razão por que procuramos estabelecer a mediação entre a experiência de tempo de S. Agostinho e a teoria da intriga de Aristóteles. A seguir à análise da identidade do sujeito, da comunidade e da rede conceptual da acção humana, abordamos a «pequena ética» de Ricoeur, constituída por três momentos fundamentais: o primeiro, de acordo com a herança aristotélica, é o do desejo de viver bem, o segundo, mais kantiano, é o das normas morais que se impõem como obrigatórias e universais a uma comunidade, e o terceiro, mais ricoeuriano, é o da sabedoria prática. Neste último nível, confrontamos o sujeito moral com a necessidade de tomar decisões difíceis face a situações de incerteza e risco, como as que se verificam nos campos da justiça distributiva, da bioética, dos direitos da Mãe-Natureza e das gerações futuras. Por fim, dedicamos o último ponto do nosso trabalho à teoria do reconhecimento, núcleo do sujeito relacional que rejeita as chamadas teorias da deposição do outro, como as do «estado da natureza» de Hobbes e do «Senhor e do escravo» de Hegel. Referimos, por isso, as experiências não violentas de reconhecimento positivo do outro, do qual se destaca o gesto excepcional e generoso do perdão. Ao restaurar a sua capacidade de agir, de pensar o futuro, o perdão permite que o outro realize o seu desejo mais profundo: ter uma vida boa.
This dissertation, organized in four chapters, under the title The Issue of the Self in Paul Ricoeur: From the Crisis of the Cogito to the Relational Dimension of the Person, begins with the critic by the French author to a traditional conception of the Cogito. Such critic is based on his conviction that the later has to be perceived mediately and integrally rather than an immediate consciousness, beyond the body and the physical world. The contributions of Heidegger, psychoanalysis, and structuralism are consequently analyzed on the light of this perspective. In order to better understand how evil emerged in the world, we offer a comprehensive analysis of different symbols and myths present in ancient cultures, thus explaining and justifying the existence of hermeneutics. Initially understood as the art of deciphering the symbolic language of myths, hermeneutics would afterward embrace the ambiguous language of desire, the world of action and the text itself. After addressing the position of structuralism regarding language and its influence in the work of Ricoeur, this analysis focuses an essential issue: the power of transformation of the text. Since it reveals alternative paths of inhabiting the world, the text can change reader‟s way of being, thinking and acting. In this sense, it is its proposal for a world that must be interpreted rather than the intention of its author, something which creates space for discrepant interpretations and conflicts. Considering that every interpretation is necessary, we emphasize the role of arbitration for coping with such divergent positions as the ones found in the structural linguistics and the phenomenology of Husserl or the hermeneutics of Freud and Hegel. Both the metaphor and the narrative are important for understanding the self. Through the metaphor, the man can perceive the world differently while through the narrative the man can understand the personal identity. Once this is a dynamic identity rather a formal one, it cannot be dissociated of its own temporality and the temporality of the human action. For such reason, we look for establishing a mediation between the experience of time as presented by St. Augustine and the theory of muthos by Aristotle. Following the analysis of the identity of the subject, the community and the conceptual network of human action, we address the "little ethics" of Ricoeur which comprise three central stages: the first one, resulting from the Aristotelian heritage, is the desire to live well; the second, in line with the work of Kant, is referred to the moral norms that are imposed as mandatory and universal within a community; the third one, closer to his own work, corresponds to practical wisdom. Regarding the later one, we analyze the moral subject on the light of complex decisions made under uncertainty and risk as often is observed in fields such as distributive justice, bioethics or rights of Mother Nature and future generations. Finally, as last topic of our thesis, we focus the theory of recognition, here confronted with the theories of domination of the other, from which the “state of nature” by Hobbes and “the lord and the slave” by Hegel are central examples. Consequently, we analyze the non-violent experiences of positive recognition of the other, among which we find the exceptional and generous gesture of forgiveness. By restoring the capability of the other to act and think the future, forgiveness allows his or her deepest desire: to have a good life.
Description: Tese de doutoramento em Filosofia, na especialidade de Filosofia Moderna e Contemporânea, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/18204
Rights: openAccess
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