Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/17913
Title: Impacto da desproporção entre a massa nefrónica e peso do receptor na evolução de transplantes renais
Authors: Nunes, Pedro Tiago Coelho 
Orientador: Alves, Rui
Mota, Alfredo
Keywords: Transplantação do rim -- prognóstico
Issue Date: 2010
Citation: NUNES, Pedro Tiago Coelho - Impacto da desproporção entre a massa nefrónica e peso do receptor na evolução de transplantes renais. Coimbra : [s.n.], 2010
Abstract: INTRODUÇÃO Pensa-se que o desequilíbrio entre a massa nefrónica transplantada e as necessidades metabólicas do receptor seja um factor prognóstico em transplantação renal. Têm sido utilizados múltiplos índices e factores do dador, enxerto e receptor para avaliar esta influência, sem consenso sobre qual deles é o mais adequado. Os resultados inferiores dos transplantes de dadores e receptores do sexo feminino têm sido atribuídos por alguns autores à diferença entre a massa nefrónica implantada e necessidades metabólicas do receptor. OBJECTIVOS Estudar as características morfométricas (dimensões e peso) de enxertos renais de cadáver e relacioná-las com dados do dador, tentando encontrar uma fórmula preditiva do peso do rim. Avaliar a influência da desproporção entre massa nefrónica transplantada e peso do receptor nos resultados do transplante. Averiguar se o emparelhamento de sexos entre dador e receptor tem algum papel nos resultados atribuíveis a este desequilíbrio. DOENTES E MÉTODOS Estudámos 236 primeiros transplantes únicos de enxertos de dador cadáver em receptores não hiperimunizados. Idade média do dador de 46,65 anos, 61% do sexo masculino, com 67,8% de causas de morte não traumática, idade média do receptor 49,35 anos, 65% de receptores do sexo masculino. Procedemos à medição das três dimensões ortogonais e pesagem do enxerto na banca antes do implante e tentamos correlacionar estes dados com dados do dador. Após um seguimento médio de 1,38 anos, avaliámos os resultados do transplante quanto à função inicial do enxerto, rejeições agudas, função renal estimada aos 1, 6, 12 e 24 meses e sobrevivência do enxerto e do doente e tentámos correlacioná-los com dados morfométricos do enxerto e relações entre o peso do enxerto e do receptor. Avaliámos os mesmos parâmetros em subgrupos homogéneos de sexo de dador e receptor. RESULTADOS Encontrámos valores médios para as dimensões do enxerto de 109,47 x 61,77 x 40,07 mm e um peso médio de 234,63g. O volume médio calculado do enxerto foi de 145,64cc. A relação média entre o peso do enxerto (PE) e peso do receptor (PR) foi de 3,65g/kg. Estes valores foram significativamente inferiores nos órgãos provenientes de dadores do sexo feminino. Através de uma correlação linear chegámos a duas fórmulas preditivas do peso do enxerto (g) = 2,411 x comprimento (mm) + 0,706 largura (mm) + 1,455 profundidade (mm) + 0,475 idade dador (anos) + 0,666 peso dador (kg) – 194,94 – 17,897 x (0 se sexo masculino ou 1 se sexo feminino) ou peso do enxerto (g) = 86,372 + 0,652 x idade dador (anos) + 1,793 x peso dador (kg) - 33,325 (0 se sexo masculino ou 1 se sexo feminino). Nenhuma das relações PE/PR, volume do enxerto/PR, peso dador/PR se correlacionou de uma forma significativa em análises uni e multivariadas com a função renal estimada aos 1, 6, 12 e 24 meses. O único factor que se correlacionou de uma forma significativa (r entre -0,558 e – 0,316; p < 0,05) com a função renal estimada numa análise multivariada nestes pontos foi a idade do dador. Não houve igualmente diferenças na função inicial do enxerto, rejeições agudas e sobrevivência do enxerto até aos 24 meses. Nos transplantes em que a relação peso dador / peso do receptor foi superior ao percentil 75 (1,35) a sobrevivência do doente aos 12 e 24 meses foi significativamente superior aos transplantes em que esta relação estava abaixo do percentil 25 (0,93). Nos grupos homogéneos de sexos de dador e receptor a mesma análise revelou resultados semelhantes – sem influência das relações estudadas na função renal do enxerto. Os transplantes de dadores do sexo masculino apresentaram uma taxa de filtração glomerular estimada significativamente superior até aos 12 meses, enquanto os transplantes em que os receptores eram do sexo masculino apresentaram uma taxa de filtração glomerular estimada significativamente superior a partir dos 6 meses. CONCLUSÕES É possível prever o peso do enxerto com recurso a informações do dador e parâmetros dimensionais do rim. O peso do enxerto não tem relação directa com a função renal estimada do dador. Num cenário contemporâneo de transplantação renal de cadáver, a desproporção entre a massa nefrónica implantada e as necessidades metabólicas do receptor não influencia os resultados funcionais nem a sobrevivência do enxerto até aos 24 meses pós-transplante. Os diferentes resultados do transplante observados consoante o sexo do dador e receptor, não se devem à desproporção entre massa nefrónica e peso do receptor, mas a outros factores próprios de cada sexo.
INTRODUCTION It is accepted that the imbalance between the transplanted renal mass and the metabolic demands of the receptor is a prognostic factor in kidney transplantation. Multiple donor, graft and receptor index and factors have been used to test this influence, but none of them is consensually accepted. This imbalance has been pointed out as the cause for the inferior outcomes of transplants of female donors or receptors. OBJECTIVES Analyze the size and weight of cadaveric kidney grafts and their relation with donor factors trying to build a predictive formula of the graft weight. Evaluate the influence of the nephronal mass and receptor weight imbalance on the transplant outcomes. Study if the donor and receptor gender has any role on the influence of this imbalance on the transplant outcomes. PATIENTS AND METHODS We studied 236 first and single cadaveric renal transplants in non-hiperimmunized receptors. Donor mean age was 46,65 years, 61% males, 67,8% of non-traumatic death cause, mean receptor age 49,35 years, 65% male receptors. Graft was orthogonally measured and weighted on the bench before implantation, and these measures were correlated with donor data. After a mean follow-up of 1,38 years, transplant outcomes (delayed graft function, acute rejections, estimated 1, 6, 12 and 24 months renal function, graft and patient survival) were evaluated and correlated with the graft parameters and ratios of kidney weight and receptor weight. Same analysis was made in homogeneous groups of donor and receptor gender. RESULTS For the graft dimensions the mean values were 109,47 x 61,77 x 40,07 mm and the mean weight was 234,63g. Mean calculated volume was 145,64cc. Mean ratio of kidney weight / receptor weight was 3,65g/kg. These values were significantly lower for female grafts. Using a linear correlation we reached two formulas for the graft weight (g) = 2,411 x length (mm) + 0,706 x width (mm) + 1,455 x thickness (mm) + 0,475 x donor age (years) + 0,666 x donor weight (kg) – 194,94 – 17,897 x (0 if male or 1 if female) or weight (g) = 86,372 + 0,652 x donor age (years) + 1,793 x donor weight (kg) – 33,325 x (0 if male or 1 if female). None of the ratios graft weight/receptor weight, graft volume/receptor volume, donor weight/ receptor weight correlated significantly in uni ou multivariate analysis with the estimated graft function at 1,6,12 or 24 months. The only factor that significantly correlated with the renal function at those time points was the donor age (p < 0,05; r between -0,558 e – 0,316). There were no differences on the delayed graft function, acute rejection episodes and graft survival. On the transplants with a donor weight / receptor weight ratio above the 75 percentil (1,35), patient survival at 12 and 24 month was significantly better than the transplants with a ratio below the 25 percentil (0,93). Performing the same analysis within homogenous donor and receptor gender groups the same results were reached, i.e. no influence of the studied ratios on the graft function. Transplants from male donors had a higher mean estimated glomerular filtration rate until 12 months, transplants in male receptors had an higher mean estimated glomerular filtration rate after 6 months post-transplant. CONCLUSIONS Graft weight can be predicted based on donor factors and graft dimensions. Graft weight has no direct relationship with the estimated donor renal function. In a very recent cadaveric kidney transplantation scenario the imbalance between renal implanted mass and receptor metabolic demands doesn’t influence the functional outcomes and graft survival up to 24 months post-transplant. The different observed outcomes depending on the donor and receptor gender are not due the unbalance between renal mass and receptor weight but to other gender specific factors.
Description: Dissertação de mestrado em Medicina (Transplantação Renal), apresentado à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/17913
Rights: openAccess
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