Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/13479
Title: Pro Medea : a inocência da Princesa Senequiana
Authors: Moreira, Andreia Marisa Ferraz
Orientador: Soares, Nair de Nazaré Castro
Keywords: Cultura clássica
Séneca, ca. 4 a.C.-65 d.C. -- obra
Medeia
Mito -- literatura
Issue Date: 2009
Citation: Moreira, Andreia Marisa Ferraz - Pro Medea : a inocência da Princesa Senequiana. Coimbra, 2009
Abstract: Pretendemos, com este estudo, apresentar o nosso olhar sobre a tragédia de Medeia, concretizado numa leitura que procura mostrar a inocência da princesa senequiana e que, como tal, intitulámos de Pro Medea. Na tragédia, a princesa da Cólquida é acusada de ter cometido diversos crimes hediondos, no entanto, como se verá, nenhum deles fora cometido por sua própria vontade, mas para satisfazer as vontades, os desejos e as ambições do seu amado, de modo que os seus actos foram, na verdade, conduzidos pelas mãos dominadoras da ira e do seu infelix amor por Jasão. Quem se deve considerar mais culpável: a que, inflamada de amores, sujou as próprias mãos de sangue para benefício de outrem? Ou o que, movido pela ambitio, por uma certa apatheia – inexistência de qualquer tipo de sentimento –, e não se manchando de sangue, concordou tacitamente que outras mãos se manchassem em vez das suas, mesmo que para seu próprio benefício? Na nossa opinião, Medeia é uma vítima em todo este drama, porque age, rendida aos affectus, às paixões, dominada pelo amor, pelo ciúme, pelo ódio, pela ira, pelo furor e não pela ratio. O erro exclusivo de Medeia foi apaixonar-se por Jasão, amar este herói grego foi o seu verdadeiro crime, a sua única culpa passível de lhe ser imputada. Se é verdade que, pela sua intensidade, este amor descontrolou e abalou a vida de Medeia, é também, consequentemente, certo que ele e a ira, despoletada pelos ciúmes, também controlam e dirigem todos os actos irrationales da princesa senequiana. Medeia é conduzida pelos affectus, como se de um mero joguete ou de uma marioneta sem domínio do seu próprio corpo, dos seus próprios sentidos e sentimentos se tratasse. São eles o amor, a paixão, as emoções, os affectus, os grandes responsáveis, culpáveis, desta, e por esta, tragédia. Será por causa deles que, no final, Medeia se transformará num monstro – uma vez destituída da sua humanidade (papel de esposa, mãe, mulher) com o casamento de Jasão e Creúsa, só os affectus sobrevivem no corpo da cólquida. Prisioneira das malhas de um trágico e infelix amor, Medeia deixa dominar-se completamente por ele e pela ira, transfigurando-se, por fim, no V e último acto, depois de perder a sua humanidade.Medeia morre, não física, mas espiritualmente, e o seu corpo passa a ser habitado por outra entidade, não-esposa, não-mãe, não-mulher, um ser demónico, uma nova Medeia – esta, sim, a tal Monstruosa. Ao longo deste trabalho, procuraremos mostrar exemplos claros de cada um destes momentos visíveis em Medeia, que comprovam que “Medea’s problem is not a problem of love per se, it is a problem of inappropriate, immoderate love.” (M. C. NUSSBAUM).
With the present work, we’ve tried to point out our look upon Seneca’s tragic Medea, by suggesting a reading willing to prove the princess’s of Colchis innocence and, there for, we’ve entitled it Pro Medea. In the tragedy, the princess of Colchis is blamed for several hideous crimes, though, as we’ll see, none of them was committed by her will, but to give an answer to her beloved´s determinations, wishes and ambitions, in a way that her acts were, in fact, always driven by the powerful hands of her infelix amor for Jason. Who is to blame: the one who, burning with love, got her hands bloodstained for other person’s benefit? Or the one who, driven by ambitio, by a certain apatheia and without getting himself stainted by blood, fully agreed that other hands would get stained instead of his, even if it was for his own benefit? In our opinion, Medea is a victim in all this senecan drama, because she acts fully surrendered to affectus, to passions, dominated by amor, by jealousy, by hate, by ira, by furor and not by ratio. Her exclusive mistake was to fell in love with Jason, to love this greek hero was her truly crime, her unique chargeable fault. If it is true that, for its intensity, this amor got her out of control and smashed Medea’s life, it is also, consequently, right that it and the ira, brought by jealousies, also control and guide all the senecan princess’s irrationales acts. Medea is driven by affectus, as if she was a mere diversion or a string-puppet without ascendancy over her own body, senses and feelings. Amor, passion, emotions, affectus are the responsible ones, blamed on and for all this tragedy. Because of them, in the end, Medea is going to be transformed into a monster – due to her lost humanity (wife’s role, mother’s, woman’s), a result of Jason and Creusa marriage, only affectus survive on Medea’s body. Imprisoned in the net of a conspiracy, designed by a tragic and infelix amor, Medea becomes completely dominated by it and by ira, getting transfigured, in the end, in the V and last act, after losing her humanity. Medea dies, not physically but spiritually speaking, embodies a new identity, not-wife, not-mother, not-woman, a demoniac being, a new Medea – this one, sure, the Monstrous one.
Description: Dissertação de mestrado em Cultura Clássica (Literatura Latina), apresentada à Fac. de Letras da Univ. de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/13479
Appears in Collections:FLUC Secção de Estudos Clássicos - Teses de Mestrado

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