Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/101045
Title: A política das Letras na obra de Luís de Camões / The Politics of Letters in Luís de Camões’ work
Other Titles: The Politics of Letters in Luís de Camões’ work
Authors: De Brito, Matheus Barbosa Morais
Keywords: Estudos Camonianos; Pragmática textual histórica; Gênero epidítico; Camonian Studies; Historical textual pragmatics; Epidictic genre
Issue Date: 2021
Serial title, monograph or event: Nau Literaria
Volume: 17
Issue: 2
Abstract: Os Lusíadas é trivialmente encarado como um épico nacionalista, narrativa “colonialista” que justifica a dominação da África e da Ásia em nome da Fé e do Império. Mas essa recepção tem também suas inflexões históricas. Camões já foi acusado de paganismo, lascívia, vitupério à memória régia, impiedade, má escrita, etc., e até surpreende que já se disse que seu poema “desacredita a Nação Portuguesa”. Lendo atentamente, a montagem d’Os Lusíadas não ignora, por exemplo, a ignomínia do ataque dos marinheiros aos negros da Baía de Santa Helena, nem deixa, para além do velho do Restelo, de acusar a cobiça e ignomínia da mercancia, exprobando o Gama – que é mentiroso, inculto e covarde. O presente artigo oferece algumas coordenadas ético-retóricas para uma compreensão do enlace entre as letras e a política no século XVI, com destaque para a sua figuração na obra de Luís de Camões. Faremos uma leitura de alguns passos d’Os Lusíadas visando a entender dois fundamentais mecanismos de representação que tornam o poema, mais do que um artefato patriótico inócuo, uma particular mensagem: o louvor, como regulativo do “ideal”, e o vitupério, como aplicação a uma situação concreta.
Os Lusíadas is trivially regarded as a nationalist epic, a “colonialist” narrative that justifies the domination of Africa and Asia in the name of the Faith and the Empire. But such a reception has its own historical inflections. Camões has been accused of paganism, lasciviousness, vituperation of the royal memory, impiousness, bad writing, etc., and it is indeed surprising that it has once been said that his poem “discredits the Portuguese Nation”. Reading carefully, the montage of Os Lusíadas does not ignore, for instance, the ignominy of the attack of Portuguese sailors against black African in the St. Helena Bay, nor does it fail to accuse the greed and ignominy of the mercantile enterprise, much beyond the Old Man of Restelo, as it exprobates Da Gama – presented as a liar, an uneducated man and a coward. This article approaches some ethical and rhetorical coordinates for an understanding of the link between Letters and Politics in the Sixteenth century, with emphasis on its figuration in the work of Luis de Camões. We intend to read some excerpts of Os Lusíadas in order to understand two fundamental mechanisms of representation, which make the poem, far more than an innocuous patriotic artifact, a particular message: the praise, as a regulative for an “ideal”, and the vituperation, as an application to a concrete situation.
URI: http://hdl.handle.net/10316/101045
ISSN: 1981-4526
DOI: 10.22456/1981-4526.110464
Rights: openAccess
Appears in Collections:FLUC Secção de Português - Artigos em Revistas Internacionais

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