Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/100053
Title: As emoções acidentais na tomada de decisão em dependentes de opiáceos
Authors: Cardoso, Maria da Graça Fontinha Areias
Orientador: Paixão, Rui
Figueira, Ana Paula Couceiro
Keywords: Tomada de decisão; dependentes de opiáceos; Iowa Gambling Task; emoções acidentais; Iowa Gambling Task; decision-making; incidental emotions; opioid dependence
Issue Date: 2012
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: O presente trabalho inclui três capítulos de revisão e dois estudos empíricos. O primeiro capítulo dedica-se a uma revisão sobre o impacto das emoções na tomada de decisão. No segundo, realiza-se uma análise exaustiva sobre o instrumento adotado para avaliação da tomada de decisão. No terceiro capítulo são revistas as publicações sobre toxicodependência, tomada de decisão e decisões. Apresentam-se dois estudos empíricos realizados com dependentes de opiáceos em tratamento e grupo controlo. O primeiro estudo teve por objetivo a avaliação da capacidade de tomada de decisão perante situação de incerteza. No segundo estudo, o objetivo foi a análise do impacto diferencial da indução de emoções específicas no processo de tomada de decisão. Como medida da tomada de decisão foi utilizado o Iowa Gambling Task (IGT) (Bechara, Damasio, Damasio, & Anderson, 1994; Bechara, Damasio, Damasio, & Lee, 1999), adaptado para euros e traduzido para português (Areias, Paixão, & Figueira, 2008). Foram controladas as variáveis psicopatológicas, as funções cognitivas e a inteligência, respetivamente com a versão portuguesa do Brief Symptom Inventory (BSI) (Canavarro, 1999; Derogatis, 1982/1993), a versão portuguesa do Montreal Cognitive Assessment (MoCA) (Nasreddine et al., 2005; Simões et al., 2008) e os subtestes de Vocabulário e Cubos da Escala de Inteligência de Wechsler (WAIS-III) (Wechsler, 2008). No primeiro estudo, a amostra foi constituída por dependentes de opiáceos em tratamento (N = 60) e pelo grupo controlo (N = 50), sendo que todos os sujeitos foram avaliados na capacidade de tomada de decisão com o IGT. Colocou-se como hipótese os dependentes apresentarem um pior desempenho no IGT, comparativamente com o grupo controlo. Não se registaram diferenças significativas entre os dois grupos, que apresentaram desempenho maioritariamente limítrofe associado a uma baixa percentagem de desempenho vantajoso. Ambos os grupos revelaram preferência pelos baralhos de frequência de punição baixa e evidenciaram capacidade de aprendizagem ao longo da tarefa. No segundo estudo, a amostra foi constituída por dependentes de opiáceos em tratamento (N = 120) e pelo grupo controlo (N = 103). Foi utilizado um plano misto 2 X 5 (dependentes de opiáceos vs. grupo controlo X divertimento vs. medo vs. raiva vs. tristeza vs. neutro), com indução de emoções através da visualização de excertos de filmes (Philippot, 2004). Todos os sujeitos foram avaliados com o IGT sem indução de emoção e após indução, sendo a ordem das aplicações contrabalançada e determinada aleatoriamente para cada sujeito. A indução de emoções foi avaliada pela Escala de Avaliação das Emoções (EAS) (Carlson et al., 1989; Moura-Ramos, Pedrosa, & Canavarro, 2005). Este estudo teve por objetivo analisar, em dependentes de opiáceos, o impacto diferencial da indução de emoções específicas (medo, raiva, tristeza e divertimento), no processo de tomada de decisão, comparativamente a uma amostra de controlo. Colocou-se, também, a hipótese das emoções associadas a alta incerteza (medo, tristeza) conduzirem a um melhor desempenho na tomada de decisão, comparativamente com as emoções associadas a baixa incerteza (raiva, divertimento) (Han et al., 2007; Lerner & Keltner, 2000; Tiedens & Linton, 2001). Na primeira aplicação do IGT, constatou-se uma ausência de diferenças entre os dois grupos, com desempenho maioritariamente limítrofe, associado a uma baixa percentagem de comportamento vantajoso. Ao contrário, na segunda aplicação do IGT, os dois grupos aumentaram significativamente o desempenho e apresentaram diferenças significativas na capacidade de aprendizagem. Os dependentes de opiáceos, contrariamente ao grupo controlo, não apresentaram capacidade de aprendizagem ao longo da segunda aplicação do IGT. Evidenciou-se, nos dois grupos, uma preferência pelos baralhos de baixa frequência de punição. Os dois grupos relataram sensibilidade à indução de emoções. No entanto, os dependentes de opiáceos relataram maior sensibilidade a todas as emoções, com a exceção do divertimento. Na primeira aplicação do IGT, não foram encontrados efeitos da indução de emoções na realização da tarefa. Na segunda aplicação, a condição estímulo neutro revelou diferenças significativas entre os grupos. Nesta condição, o grupo controlo, presumivelmente através do efeito de aprendizagem, aumentou significativamente o desempenho. Coloca-se como hipótese as emoções terem exercido, no grupo controlo, um efeito perturbador. Ao contrário, nos toxicodependentes, a condição estímulo neutro induziu o pior desempenho. A condição alta incerteza (medo e tristeza) uniformizou o desempenho dos dois grupos na primeira aplicação do IGT. Na segunda aplicação do IGT, o grupo controlo apresentou um comportamento idêntico nas condições de baixa (divertimento e raiva) e alta incerteza.
The current work is comprised of three review chapters and two empirical studies. The first chapter reviews the impact of emotions on decision-making. In the second, a thorough analysis of the instrument adopted to evaluate decision-making is carried out. The third chapter reviews publications on drug addiction, decision-making and decisions. Two empirical studies involving opioid-dependent subjects in treatment and a control group are presented. The first study aimed at evaluating the decision-making ability under uncertainty. In the second study, the objective was to analyze the differential impact of inducing specific emotions on the decision-making process. As a measure of decision-making, the Iowa Gambling Task (IGT) (Bechara, Damasio, Damasio, & Anderson, 1994; Bechara, Damasio, Damasio, & Lee, 1999), adapted to euros and translated into portuguese (Areias, Paixão, & Figueira, 2008), was used. Psychopathological variables, cognitive functions and intelligence were controlled with the portuguese version of the Brief Symptom Inventory (BSI) (Canavarro, 1999; Derogatis, 1982/1993), the portuguese version of the Montreal Cognitive Assessment (MoCA) (Nasreddine et al., 2005; Simões et al., 2008), and Vocabulary and Cube subtests of the Portuguese adaptation of the Wechsler Adult Intelligence Scale (WAIS-III) (Wechsler, 2008), respectively. In the first study, the sample included opioid-dependent subjects in treatment (N = 60) and a control group (N = 50). All subjects were evaluated for their decision-making ability using IGT. The hypothesis was that dependent subjects would perform worse in IGT compared with the control group. No significant differences were found between both groups, who have mostly shown borderline performance associated with a low percentage of advantageous performance. Both groups showed preference for low punishment decks and showed learning ability throughout the task. In the second study, the sample was comprised of opioid-dependent subjects in treatment (N = 120) and a control group (N = 103). A 2 x 5 mixed plan was used (opioiddependent subjects vs control group x amusement vs. fear vs. anger vs. sadness vs. neutral). Emotions were induced by visualization of film excerpts (Phillippot, 2004). All subjects were evaluated using IGT without and after emotion induction, and induction order was counterbalanced and randomly determined for each subject. Emotion induction was evaluated using the portuguese version of the Emotional Assessment Scale (EAS) (Carlson et al., 1989; Moura-Ramos, Pedrosa, & Canavarro, 2005). This study aimed at analyzing the differential impact of inducing specific emotions (fear, anger, sadness and amusement) on the decision-making process in opioid-dependent subjects compared to a control sample. Another hypothesis was that high uncertaintyassociated emotions (fear, sadness) would elicit better performance in decision-making compared to low uncertainty-associated emotions (anger, amusement) (Han et al., 2007; Lerner & Keltner, 2000; Tiedens & Linton, 2001). The first time IGT was applied, no difference between both groups was noted, with mostly borderline performance associated with a low percentage of advantageous behavior. On the other hand, upon the second IGT application both groups significantly increased their performance and showed significant differences in learning ability. Unlike the control group, opioid-dependent subjects showed no learning ability throughout the second IGT application. Both groups showed preference for low punishment frequency decks. Both groups reported sensitivity to emotional induction. However, opioid-dependent subjects reported more sensitivity to all emotions but amusement. On the first IGT application, no effects of emotion induction upon task completion were found. On the second application, the neutral stimulus condition showed significant differences between both groups. Under a neutral stimulus condition, the control group significantly increased its performance, presumably due to a learning effect. The hypothesis is that emotions have caused a disturbing effect on the control group. On the other hand, the neutral stimulus condition induced the worst performance in drug-dependent subjects. The high uncertainty condition (fear and sadness) elicited a consistent performance in both groups on the first IGT application. On the second application, the control group showed identical behavior in low- (amusement and anger) and high-uncertainty conditions.
Description: Tese de Doutoramento em Psicologia, na área de especialização em Psicologia Clínica, apresentada à Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
URI: http://hdl.handle.net/10316/100053
Rights: openAccess
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