Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/87609
Title: A eficácia do Programa Gerar Percursos Sociais (GPS) em reclusos do sexo masculino: Um ensaio clínico aleatorizado
Authors: Brasão, Nélio Jesus de Freitas
Orientador: Rijo, Daniel
Salvador, Maria do Céu
Keywords: análise de perfis latentes; comportamento antissocial; ensaio clínico aleatorizado; programa Gerar Percursos Sociais; índice de mudança clínica; modelos de crescimento latente; perturbações da personalidade; reclusos do sexo masculino
Issue Date: 6-Dec-2018
Project: eu-repo/grantAgreement/FCT/SFRH/SFRH%2FBD%2F89283%2F2012/PT 
Abstract: Gerar Percursos Sociais (GPS) é um programa de intervenção cognitivo-comportamental destinado à reabilitação de agressores. O GPS é constituído por 40 sessões, agrupadas em cinco módulos: (1) Comunicação Humana; (2) Relacionamento Interpessoal; (3) Distorções Cognitivas; (4) Significado e Função das Emoções; (5) Esquemas Mal-Adaptativos Precoces (EMP). O objetivo do programa é promover mudanças no funcionamento cognitivo dos participantes, não só ao nível das distorções cognitivas, mas sobretudo ao nível dos EMP. Ao modificar o processamento disfuncional de informação social, o GPS procura também mudar correlatos comportamentais e emocionais do comportamento antissocial. Esta dissertação teve como objetivo estudar a eficácia do GPS em reclusos do sexo masculino. Especificamente, através de um ensaio clínico aleatorizado, testou-se a capacidade do programa em: (a) incrementar o recurso a um estilo de pensamento adaptativo e reduzir o recurso distorções cognitivas; (b) diminuir a proeminência de EMP; (c) reduzir os sentimentos de raiva e aumentar o controlo da mesma; (d) diminuir os sentimentos de vergonha e a ideação paranoide; (e) aumentar o recurso a estratégias de regulação emocional adaptativas e diminuir o recurso a estratégias de regulação emocional mal adaptativas; (f) reduzir o número de infrações disciplinares e a duração dos procedimentos disciplinares (i.e., punições aplicadas aos reclusos). Investigou-se também o papel moderador da severidade da patologia da personalidade sobre os efeitos do GPS no funcionamento cognitivo, emocional e comportamental dos reclusos. Metodologia: Dois estudos piloto testaram a adequação e a eficácia inicial do GPS em reclusos do sexo masculino (desenho pré/pós-teste com grupo de controlo). Avaliou-se a significância estatística (mudança grupal) e a significância clínica (mudança individual) através do Reliable Change Index. Posteriormente, foram realizados estudos com amostras de maior dimensão e com procedimentos metodológicos e analíticos mais robustos. Os participantes incluíram 254 reclusos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos, distribuídos aleatoriamente pelo grupo de tratamento (n = 121) e pelo grupo de controlo (n = 133). Os participantes responderam a questionários de autorresposta em quatro momentos: pré-tratamento (antes do início do GPS), avaliação intermédia (após a 20ª sessão do programa), pós-tratamento (após o término do GPS) e follow-up de 12 meses. A patologia da personalidade foi avaliada no pré-tratamento através de uma entrevista clínica estruturada. As medidas disciplinares foram recolhidas nas bases informáticas da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais em três intervalos de tempo: nos 12 meses anteriores ao GPS, durante os 12 meses do programa, e nos 12 meses seguintes ao término do GPS. Os efeitos do tratamento foram analisados com Modelos de Crescimento Latente. Os efeitos moderadores foram analisados com ANOVA mistas, após a realização de uma Análise de Perfis Latentes que identificou diferentes perfis de severidade de patologia da personalidade. Resultados: Os resultados dos estudos prévios apontaram para diferenças estatisticamente e clinicamente significativas entre o grupo de tratamento e o grupo de controlo na maioria das dimensões avaliadas (pensamentos adaptativos/distorções cognitivas, EMP, sentimentos de raiva e de vergonha, paranoia). Enquanto os reclusos do grupo de tratamento apresentaram melhorias significativas no pós-tratamento, os participantes do grupo de controlo deterioraram ou não apresentaram mudança. Nos estudos com amostras de maior dimensão, os Modelos de Crescimento Latente mostraram que a condição foi um preditor significativo da mudança observada ao longo do tempo em todos os indicadores avaliados. Enquanto os reclusos do grupo de tratamento apresentaram melhorias significativas ao nível cognitivo (maior recurso a pensamentos adaptativos e redução nas distorções cognitivas e na proeminência de EMP), nos sentimentos de raiva e de vergonha, na paranoia, nas estratégias de regulação emocional, no número de infrações disciplinares e na duração dos procedimentos disciplinares, os reclusos do grupo de controlo deterioraram ou não apresentaram mudanças. Os resultados mostraram ainda que os ganhos se mantiverem estáveis 12 meses após a conclusão do GPS. Análises adicionais mostraram que os indivíduos que completaram o programa apresentaram ganhos superiores em todas as dimensões avaliadas, comparativamente aos reclusos que não completaram o GPS. No estudo dos efeitos moderadores, foram identificados quatro perfis de severidade da patologia da personalidade: (1) sem patologia da personalidade; (2) apenas com Perturbação de Personalidade Antissocial (PPAS); (3) com PPAS e um diagnóstico comórbido; e (4) com PPAS e dois ou mais diagnósticos comórbidos. As ANOVA mistas apontaram para um efeito interação tempo x condição x perfis de patologia da personalidade não significativo, sugerindo que as mudanças cognitivas, emocionais e comportamentais nos reclusos não foram afetadas pela severidade da patologia da personalidade. Conclusões: Os resultados apontam para a eficácia do programa GPS em modificar correlatos comportamentais, emocionais e cognitivos subjacentes ao comportamento antissocial em reclusos do sexo masculino. Os ganhos observados traduzem-se num maior ajustamento interpessoal dos reclusos durante a pena de reclusão, permitindo uma gestão mais eficiente do sistema prisional. Os resultados mostram ainda que os reclusos com patologia da personalidade severa beneficiam de programas de intervenção cognitivo-comportamental como o GPS, o que enfatiza a necessidade de o sistema prisional providenciar tratamento adequado às necessidades de intervenção dos reclusos.
Growing Pro-Social (GPS) is a structured cognitive-behavioral intervention program for the rehabilitation of offenders. GPS is made of 40 sessions, grouped into five sequential modules: (1) Human Communication; (2) Interpersonal Relationships; (3) Cognitive Distortions; (4) Function and Meaning of Emotions; and (5) Early Maladaptive Schemas (EMS). The program’s ultimate goal is to change the participants’ cognitive functioning, not only reducing cognitive distortions, but mainly promoting change at EMSs level. By changing the dysfunctional social information processing, the GPS aims to promote change in behavioral and emotional correlates of antisocial behavior. This thesis’s main goal was to test the GPS efficacy when delivered to male prison inmates. Specifically, a randomized controlled trial assessed the program’s ability to: (a) increase adaptative thinking and decrease cognitive distortions; (b) decrease EMSs prominence; (c) decrease anger feelings and increase anger control; (d) decrease shame feelings and paranoid ideation; (e) increase the use of adaptive emotion regulation strategies and decrease the use of maladaptive emotion regulation strategies; (f) decrease the number of disciplinary infractions and the subsequent number of days in punishment. It was also investigated the role of personality pathology severity as a moderator of the GPS effects over the offender’s cognitive, emotional and behavioral functioning. Method: Two pilot studies were conducted to assess the program’s feasibility, as well as to establish initial efficacy of the GPS with male prison inmates (pre/post-test design with a control group). Both statistical and clinical significance (change at a group level and individual change, respectively) were evaluated. Afterwards, studies with larger samples and including more robust methodological and statistical procedures were carried out. Participants included 254 male prison inmates, aged between 18 and 40 years old, which were randomly assigned to the treatment (n = 121) and to the control (n = 133) groups. Participants completed self-report measures in four time-points: baseline (before the GPS sessions), mid-treatment assessment (after the 20th session of the program), at the end of treatment, and 12 months after treatment completion (follow-up assessment). Participants were also interviewed with a structured clinical interview for personality disorders at baseline. Disciplinary infractions were collected from prison records for three time-intervals: during the 12 months before the program’s onset, during the GPS’s 12-month length, and also during the 12 months after GPS completion. Treatment effects were tested with Latent Growth Curve Models. A Latent Profile Analysis was conducted in order to identify different personality pathology severity profiles. Then, moderator effects were tested with mixed ANOVA statistics. Results: Findings from the pilot studies pointed out to statistically and clinically significant differences between the treatment group and the control group for the majority of the outcome measures (adaptive and maladaptive thinking, EMSs, anger, shame and paranoia). At post-treatment, while treatment participants showed significant improvement, participants from the control group presented a worsening or no change in those same variables. In the studies with larger samples, Latent Growth Curve Models showed that condition was a significant predictor of change over time in all outcome measures. Participants from the treatment group showed significant improvements at a cognitive level (increasing in adaptative thinking and decreasing in cognitive distortions and in the prominence of EMSs), as well as in anger and shame feelings, paranoia, emotion regulation strategies, number of disciplinary infractions and number of days in punishment, while controls presented a worsening or no change in those same variables. Results also showed that treatment effects were maintained over time (12 months after GPS completion). Additional analyses showed that completers presented higher improvements in all outcome measures, when compared with noncompleters. In the study of the moderator effects, four personality pathology severity profiles were found: (1) without personality disorders; (2) with only Antisocial Personality Disorder (ASPD); (3) with ASPD and one additional diagnosis; and (4) with ASPD and two or more additional diagnoses. Mixed ANOVA reveled that time x condition x personality pathology profiles effects were nonsignificant, showing that changes in the cognitive, emotional and behavioral functioning of inmates were not affected by personality pathology severity. Conclusions: Findings offer evidence of the program’s ability to change behavioral, emotional and cognitive correlates of antisocial behavior in male prison inmates. These improvements may contribute to the inmate’s interpersonal adjustment, even during imprisonment, and also to a more efficient management of the prison system. Results also showed that severely disturbed inmates were responsive to cognitive-behavioral intervention programs, such as the GPS, which stresses the need to provide appropriate treatment to offenders.
Description: Tese de Doutoramento em Psicologia, na especialidade de Psicologia Forense, apresentada à Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/87609
Rights: openAccess
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