Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/85589
Title: O Género nas Redações: Análise do Jornalismo Desportivo a partir da Experiência do Jornal O Jogo
Other Titles: Gender in News Publishing: Analysis of Sports Journalism based on the Experience from "O Jogo" Newspaper
Authors: Casimiro, Adriana Isabel Meneses 
Orientador: Silveirinha, Maria João Rosa Cruz
Keywords: género; mulheres; jornalismo; igualdade; redação; gender; women; journalism; equality; newsroom
Issue Date: 10-Feb-2017
Serial title, monograph or event: O Género nas Redações: Análise do Jornalismo Desportivo a partir da Experiência do Jornal O Jogo
Place of publication or event: Jornal O Jogo
Abstract: O Relatório de Estágio que se segue foi elaborado de acordo com a experiência de três meses no Jornal O Jogo, em Lisboa, iniciado a 31 de Agosto e concluído a 31 de Novembro de 2015. Neste período de tempo, ocorreu-me o tema do género nas redações, pelo fato de existirem poucas mulheres na redação onde estive inserida e, também, por se tratar de um estágio em desporto, uma área culturalmente pouco atrativa ao género feminino.Num primeiro ponto, era necessário compreender o porquê de algumas perspetivas relativas à mulher se entenderem como culturalmente aceites, papéis que predominaram ao longo da história e que se evidenciaram durante o período do regime totalitário do Estado Novo e, que ainda hoje, deixaram repercussões. Para esse fim, é fundamental compreender a sociedade portuguesa sob o comando de Salazar, onde os homens detinham o poder familiar, cabendo às mulheres o papel submisso de cuidar do lar e dos filhos, sem acesso a direitos fundamentais como o voto ou a entrada em algumas profissões.Num segundo ponto, a entrada das mulheres no jornalismo, um processo que se foi intensificando com a modernização da profissão de jornalista e com uma maior formação por parte do género feminino que, aos poucos, foi chegando às redações. Uma chegada bastante limitada, devido às condicionantes de ser mulher, na época, e ao fato de ter de partilhar o mesmo espaço que os homens, que não estavam habituados às “novas colegas”.Findo o regime fascista em Portugal, é dado termo à maioria das leis que diminuíam as mulheres, definindo que todos seriam iguais perante a lei. Assim, elaborei um ponto dedicado às conquistas democráticas, alcançadas pelas mulheres durante a década de 70, que reduziram as disparidades entre os dois géneros e fomentaram a autonomia feminina, até ali recusada. Apesar dos direitos das mulheres constarem na Constituição e no Código Civil, é notório o caminho a percorrer para que exista plena igualdade entre géneros. Deste modo, a Comissão Europeia iniciou um processo, denominado como Mainstream da Política Integrada da Igualdade de Género, que pretende, associando várias entidades europeias, conseguir perspetivas igualitárias para homens e mulheres, dentro dos estados-membros.Segue-se o género e a produção informativa, um ponto que descreve as práticas dos meios de comunicação social na representação feminina, através de imagens distorcidas da realidade e de conceitos socialmente construídos da mulher. No caso do desporto, um dos motivos principais deste tipo de discurso sobre o género feminino é o fato dos jornais desportivos albergarem muitos mais jornalistas masculinos, que acabam por colaborar com preconceitos de género.Retomando as mulheres no jornalismo, é importante compreender de que modo a feminização das redações contribui para um tipo de jornalismo diferente. Uma vez que o jornalismo sempre se regeu segundo uma ideologia patriarcal, é de interesse conhecer de que forma trabalha a visão de uma mulher, tendo em conta que esta irá chocar com a visão predominante, a masculina.Chegamos a um tópico ainda mais sensível à entrada das mulheres – o jornalismo desportivo. Se o jornalismo não permitiu a introdução do género feminino nas redações de ânimo leve, a área desportiva continua a tornar as coisas mais difíceis à sua entrada. O próprio desporto nunca foi convencionalmente feminino, pelas mais variadas razões, de modo que o gosto e conhecimento por este não é o mesmo que o dos homens, assim como a credibilidade dos dois não é a mesma, na hora de contratar um homem ou uma mulher para jornalistas de desporto. Não poderia terminar um relatório de estágio sem falar do meu percurso no jornal O Jogo, num tópico onde abordo a história do jornal, as minhas dificuldades, os meus trabalhos e tudo o que tive possibilidade de aprender com os profissionais de desporto. Dentro da experiência que tive, elaborei um estudo de caso, onde analiso vinte cinco edições d’O Jogo. Nesta análise, o objetivo era verificar a representatividade da mulher nos jornais desportivos, em termos de notícias relativas ao género feminino, das imagens associadas a estas notícias, de número de mulheres jornalistas presentes, da representação das mulheres por seção do jornal, entre outros. Por fim, foi feita uma análise qualitativa à última página e à revista de domingo (Revista J), que surgem associadas à presença mais objetificada da imagem da mulher, recorrendo a um discurso específico e a figuras femininas sexualizadas.
The following Internship Report shows my experience of 3 months of working at the Newspaper O Jogo, in Lisbon, the internship started on the 31st of August and concluded on the 31st of November of 2015. During this period of time, the theme of gender in newspaper publishing struck me, due to the near absence of women at the publishing office where I was working and, also, due to the fact this was an internship in the subject of sports, an area that is thought to have very little cultural attraction to the female gender.The first necessary point of my investigation was the necessity to understand why some perspectives concerning women have been understood as culturally acceptable, these roles that predominated throughout history and that were evidenced during the period of the totalitarian regime of the Estado Novo , and that even today are still generating repercussions. To that end it is critical, to understand portuguese society under Salazars' rule, where the men had all the power, and were called "Head of the family", and the women were subjected to the role of submissive wife and mother, taking care of the household and children, with little to no access to fundamental rights, such as voting or having certain jobs.The second necessar angle to look at was the entrance of women into journalism as a profession, a process that intensified with the modernization of the profession itself and with a larger education of the female population, that, little by little, arrived at the newspaper publishers. This was a rather limited arrival, since women were conditioned due to their gender and the role they were supposed to play, as well as the fact that men were unused to sharing their space with the other gender.When the fascist regime in Portugal was overthrown, a large majority of laws that diminished womens rights were abolished and overturned, defining them as equals in the eyes of the law. As such, I have elaborated a point dedicated to the democratic victories women achieved duing the 70s' , that reduced the disparities between the genders and fomented female autonomy, which up until that point they had been denied.Even though womens rights exist in the Constitution and Civil Code of Conduct, it is notable how much we still must achieve for there to be true equality between genders. For that purpose, the European Comission has initiated a process called Equality of Gender Mainstreaming Policy , that seeks to, through associating various european entities, obtain equal prospects for men and for women, within member-states.Next we come to the point of gender and the production of information, a point that describes the influence of mainstream social media outlets on female representation, through distorted images of reality and socially constructed preconceptions about women. In terms of sports, one of the main reasons for this type of speech about the female gender is that sports newspapers tend to foster many male journalists, who will subconsciously keep perpetuating these preconceptions about gender.Back to the point of women in journalism, it's necessary to understand in what way the feminization of newspaper publishing contributes towards a different type of journalism. Due to the fact that journalism has always been ruled acccording to a patriarchal ideology, it is interesting to understand in what way the vision of a woman works, especially considering that this vision may indeed clash with that of a man.We arrive at a topic that is even more sensitive to the entrance of women - sports journalism. If it was difficult for mainstream journalism to permit the entrance of women into newspaper publishing, this was even worse in terms of sports journalism. Actual sport was never conventionally female, for various reasons, so interest and knowledge about this subject was never going to be the same for both women and men. In consequence of this, in terms of credibility, women had less than men when the topic of hiring a sports journalist came about.It would be lax of me to finish an internship report without speaking abut my personal experience working at "O Jogo" newspaper, so I speak of the history of the newspaper itself, the personal difficulties and challenges, my projects and everything I had the possibility to learn whilst working with these sports professionals. During this experience I elaborated a case-study, where I analyze twenty-five editions of "O Jogo". In this analysis, the objective was to verify female representation in sports newspapers, in terms of how many articles were written about females, the images associated with these articles, the number of female journalists that were present , representation of women by section, amongst other topics.In conclusion, a qualitative analysis of the last page and the sunday magazine (Revista J), demonstrated the presence of a more objectified image of women, that resort to a specific discourse and to sexualized female figures.
Description: Relatório de Estágio do Mestrado em Comunicação e Jornalismo - extinto apresentado à Faculdade de Letras
URI: http://hdl.handle.net/10316/85589
Rights: openAccess
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