Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/79731
Title: Trajetórias conducentes à interrupção voluntária da gravidez e ajustamento socioemocional
Authors: Dinis, Joana Isabel Figueiredo Pereira 
Orientador: Canavarro, Maria Cristina
Keywords: Interrupção voluntária da gravidez; abortion; ajustamento socioemocional; socioemotional adjustment; contraceção; contraception; adolescentes; adolescents; adultas; adult women; processo de tomada de decisão; decision-making process
Issue Date: 8-Mar-2018
Citation: DINIS, Joana Isabel Figueiredo Pereira - Trajetórias conducentes à interrupção voluntária da gravidez e ajustamento socioemocional. Coimbra : [s.n.], 2018. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/79731
Project: info:eu-repo/grantAgreement/FCT/SFRH/SFRH%2FBD%2F89435%2F2012/PT 
Abstract: No âmbito da recente legalização da IVG e escassez de estudos no contexto sociocultural português, o esclarecimento dos percursos que conduzem à sua prática e do impacto na saúde mental da mulher assumem particular relevância para a fundamentação de ações de prevenção. Alicerçada numa perspetiva desenvolvimental e ecológica, a presente investigação procurou: 1) conhecer as trajetórias individuais na origem da gravidez e decisão de IVG; e 2) analisar o ajustamento socioemocional e os seus fatores explicativos após a experiência reprodutiva. Em cada um destes níveis de análise, foram consideradas as suas diferenças de acordo com a idade da mulher [adolescentes (<20 anos) vs. adultas]. Metodologia: A presente investigação é de natureza transversal. Recolhemos dados de 739 participantes do sexo feminino: 282 adolescentes (AIVG) e 209 mulheres adultas (MIVG) que optaram pela IVG face à ocorrência de uma gravidez, e 248 adolescentes sexualmente iniciadas e sem história de gravidez (ASHG), em 44 serviços de saúde e educação de todo o país. Para além de informações sobre as características sociodemográficas, sexuais, reprodutivas e relacionais, foi também avaliado o processo de tomada de decisão para a IVG, a sintomatologia depressiva e qualidade de vida experienciadas após a decisão. Resultados: Foram identificadas múltiplas trajetórias individuais conducentes à IVG, cuja prevalência variou de acordo com a idade da mulher. As adolescentes <16 anos reportaram idades mais precoces da menarca, iniciação sexual e menor idade ginecológica, comparativamente com as adolescentes 18-19 anos. Estas, por sua vez, referiram mais frequentemente estar fora do ensino escolar, casadas/união de facto, e maior número de parceiros, quando comparadas com as adolescentes mais novas. De forma geral, as mulheres engravidaram no contexto de uma relação de namoro/conjugal duradoura, com parceiros mais velhos (estudantes ou empregados), sem a terem planeado, utilizando contraceção e não tendo identificado a falha na sua utilização. As adultas engravidaram de forma mais prevalente no contexto de uma relação casual, não utilizando contraceção, ou utilizando-a e não tendo identificado a falha contracetiva. Face à ocorrência de uma gravidez não planeada, as mulheres interromperam-na de forma mais frequente não ponderando o seu prosseguimento, dando conhecimento à família da decisão, sendo o principal agente decisor, e reportando questões profissionais/educacionais, não estar preparada para assumir o papel de mãe e razões económicas para a IVG. As adolescentes interromperam a gravidez de forma mais prevalente a) não ponderando o seu prosseguimento, dando conhecimento à família da decisão reprodutiva e referindo como motivos mais importantes para a IVG a priorização dos planos académicos e imaturidade para assumir o papel de mãe; ou b) ponderando o seu prosseguimento, mas foram pressionadas para a IVG pelos pais, seguidos do parceiro. Por sua vez, as adultas interromperam a gravidez de forma mais frequente a) ponderando ou não o seu prosseguimento, não dando conhecimento à família da decisão reprodutiva, e referindo como motivos mais importantes para a IVG razões económicas; ou b) ponderando o seu prosseguimento, mas foram pressionadas para a IVG pelo parceiro. A experiência de IVG teve um impacto emocional significativo na mulher (sintomatologia depressiva significativa em adolescentes e adultas que decidiram pela IVG, e quando comparadas as adolescentes com os seus pares sem história de gravidez) e diferentes fatores contribuíram para explicar o ajustamento socioemocional à decisão de IVG de acordo com a idade da mulher. Sentir-se pressionada para a IVG e menor satisfação com a decisão levaram a menor ajustamento socioemocional nas adolescentes, sendo o apoio social da mãe um importante fator protetor para a QdV. Por seu lado, a menor satisfação com a decisão levou a níveis de sintomatologia depressiva superiores nas adultas. Conclusões: Os resultados da nossa investigação apontam para a necessidade dos profissionais de saúde reconhecerem a heterogeneidade de trajetórias na origem da IVG e de (in)adaptação após a decisão. Neste sentido, vêm reforçar a importância do estabelecimento de políticas e práticas de saúde abrangentes e diversificadas, mas ao mesmo tempo sensíveis às especificidades de acordo com a idade da mulher, destinadas à prevenção da IVG e à minimização do seu impacto. Primeiramente, surge a necessidade de investir na prevenção de diferentes decisões/comportamentos sexuais e contracetivos e fomentar o envolvimento da população masculina nestas ações. Além disso, importa fomentar a qualidade do processo de tomada de decisão face à ocorrência de uma gravidez não planeada (e.g., promoção de momentos de reflexão guiada e desenvolvimentalmente adaptada sobre as alternativas existentes e deteção de fontes de pressão). Por fim, reforçam a importância de identificar precocemente as adolescentes que reportem pressão/coação para a IVG e menor suporte por parte da mãe, e as adolescentes e adultas que refiram menor satisfação com a decisão, de forma a encaminhá-las para intervenções especializadas, promovendo o seu ajustamento socioemocional. A promoção de um apoio satisfatório por parte da mãe da adolescente poderá ser essencial a este nível.
In the context of the recent legalization of abortion and the lack of studies in the Portuguese sociocultural context, the clarification of the pathways leading to this practice and the impact on women's mental health are particularly relevan t to the implementation of prevention actions. Based on a developmental and ecological perspective, this research sought: 1) to understand the individual trajectories leading to pregnancy and abortion decision; and 2) to explore the socioemotional adjustme nt and its explanatory factors after the reproductive experience. At each of these levels of analysis, the differences have been considered according to woman's age [adolescents (< 20 years) vs. adults]. Methods : This research followed a cross - sectional de sign. We collected data from 739 females: 282 adolescents and 209 adult women who opted for abortion faced with a pregnancy, and 248 sexually initiated adolescents with no history of pregnancy, in 44 healthcare and educational services throughout the coun try. In addition to sociodemographic, sexual, reproductive and relational characteristics, we assessed the decision - making processes related to abortion, depressive symptoms and quality of life after the abortion decision. Results : Multiple individual tra jectories leading to abortion have been identified with prevalence rates var ying according to woman's age. Adolescents under 16 years of age reported earlier age at menarche and at first sexual intercourse, and lower gynaecological age, compared with the 1 8 - 19 year age group. This group , in turn, reported more frequently being married or living with a partner, ha ving finished school and a greater number of sexual partners, compared to the youngest group. Overall , women became pregnant while in a romantic re lationship with older partners (students or employe d ), had not planned the pregnancy, used contraception, and did not identify the contraceptive failure. Adult s became pregnant more frequently in the context of a casual relationship, did not use contracept ion, or used contraception with no contraceptive failure identification. W hen facing an unplanned pregnancy , women more frequently did not consider its continuation, did not conceal the decision from thei r family, were the main decision - maker, and report ed professional/educational issues, not being prepared to assume the role of mother and economic reasons for abortion. A dolescents terminated the pregnancy more frequently a) not consider ing its continuation, not conceal ing the decision from their family and referred as the most important reasons for abortion the prioritization of their academic plans as well as immaturity to assume the role of mother; or b) considering its continuation, but were pressured into abortion more frequently by their parents, follo wed by their partners. Adults terminated the pregnancy more frequently a) consider ing or not consider ing its continuation , concealed the decision from their family and reported economic reasons as the more important reason to abortion; or b) considering it s continuation, but were pressured into abortion by their partners. The abortion experience had a signifi cant emotional impact on women (higher levels of depressive symptoms among adolescents and adults who opted for abortion , and when compared adolescents with no history of pregnancy ) and different factors contributed to explain the socioemotional adjustment after an abortion decision according to woman's age. Feelings of being pressured into abortion and lower satisfaction with the decision led to lower s ocioemotional adjustment in adolescents, with the social support from the mother being an important protective factor for QoL. On the other hand, lower levels of satisfaction with the decision led to higher levels of depressive symptoms in adults. Conclus ions : The results of this study highlight the need for health care professionals to recognize the heterogeneity of pathways leading to abortion and (mal)adaptation after decision. Therefore, the results stress the importance of establishing extensive and d iversified health policies and practices intended to prevent abortion practice and minimizing its impact. At the same time, our results indicate that these policies should be sensitive to the specificities according to woman’s age. First, it seems importan t to invest in the prevention of different sexual and contraceptive decisions/behaviors, and to foster the involvement of the male population in these actions. Moreover, the quality of the decision - making process should be encouraged when facing an unplann ed pregnancy (e.g., promoting a guided and developmentally appropriate reflection about the available options and identification of sources of pressure). Finally, our results reinforce the importance of identifying, as early as possible, the adolescents wh o report pressure/coercion into abortion and less support from their mothers, and adolescents and adults who report less satisfaction with the abortion decision, in order to refer them to specialized interventions, promoting their socioemotional adjustment . The promotion of satisfactory support from the adolescent’s mother may be essential at this level.
Description: Tese de doutoramento em Psicologia, na especialidade de Psicologia da Saúde, apresentada à Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/79731
Rights: embargoedAccess
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