Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/31914
Title: O ruído existente no silêncio: estudo de validação da versão portuguesa da Escala de Aceitação e Ação para as Vozes (VAAS)
Authors: Pascoal, Ana Carolina Freitas 
Orientador: Freitas, Paula Cristina Oliveira de Castilho
Issue Date: 2015
Serial title, monograph or event: O ruído existente no silêncio: estudo de validação da versão portuguesa da Escala de Aceitação e Ação para as Vozes (VAAS)
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: Auditory hallucinations, also known as voices, are the most known form of hallucinations and have a prevalence of 70% in individuals diagnosed with schizophrenia and other psychotic disorders (Landmark, Merskey, Cernovsky, & Helmes, 1990). The voices have speech properties, are commonly personified and hold a specific meaning for the individual who experience them (David, 2004). They are associated with high levels of anxiety (ie Birchwood & Chadwick, 1997; van der Gaag, Hageman, & Birchwood, 2003), although there are also data suggesting the occurrence of positive experiences in their presence, such as feelings of support and reduce of social isolation (Honig et al, 1998;. Miller & DiPasquale O'Connor, 1993). The third generation therapies such as Acceptance and Commitment Therapy and Mindfulness have been gaining importance in the treatment of numerous disorders (Hayes, Follette, & Linehan, 2004). Recently there have been efforts to apply these methods to psychotic symptoms (Bach & Hayes, 2002; Chadwick, Newman Taylor, & Anna, 2005; Gaudiano & Hebert, 2006). Instead of effectively change the contents of the beliefs, as postulated by cognitive-behavioral therapy, these therapeutic strategies aim to modify the relationship of patients with these beliefs and their symptoms. The most developed of these new approaches is Acceptance and Commitment Therapy (ACT; Hayes, Strosahl, & Wilson, 1999). As the name suggests, ACT comprises two main components. The first, Acceptance, concerns to cognitive defusion strategies that claim that the patient recognizes and observes the symptoms as mere mental events, rather than judge their undeniable truth and they don’t react to them. On the other hand, the commitment component concerns to the behaviors that are articulated with personal goals and values, rather than just focus on the symptoms. The goal is, as such, help the patient to engage in pleasurable activities and to help them to meet these values and goals. Bach and Hayes (2002) tested the impact of a brief version of ACT in a group of 80 patients that experienced positive psychotic symptoms, namely hallucinatory activity. The authors found that, compared to a control group who received "usual care", participants who received the Acceptance and Commitment Therapy presented half the rate of re-hospitalization after a Follow Up period of four months. These same patients reported more symptoms but have referred to them as less credible. The study was replicated in a new smaller and better controlled study (Gaudiano & Herbert, 2006), in which the results were similar. These and other studies (Chadwick et al., 2005) show us that Acceptance and Commintment Therapy appears as a promising therapeutic approach among these clinical populations. The concept of acceptance and its potential value in the treatment of auditory hallucinations are not new in the clinic (ie Falloon & Talbot, 1981; Kingdon & Turkington, 1991; Romme & Escher, 1989). However, the mechanisms of therapy and the role of the acceptance are not completely clear since there are few measures available to measure it in psychosis. One example is the Voices Acceptance and Action Scale (VAAS), whose study of the psychometric qualities is constituted as primary objective of this study. Our analyzes show that VAAS is composed of two factors:. Acceptance and Action. The first concerns to an openness by the psychotic patient to be with the voices as they are without using any avoidance strategy, suppression or fight against them. On the other hand, the Action concerns to behaviors that are self-driven, eg, deeply connected to the purposes and values of the psychotic patient. Both scale factors presented good internal consistency (α = .79 for the total scale; α = .71 to Acceptance and α = .81 for Action). The Action factor factor was significantly correlated with all factors of BAVQ-R, the Beliefs about Voices Questionnaire, namely, Resistance, Malevolence, Involvement, Omnipotence and Benevolence and the Acceptance factor was significantly correlated with the BAVQ-R factors of Resistance, Malevolence and Omnipotence. None of the subscales of VAAS-12 was significantly correlated with the Fears of Compassion Scales, the Satisfaction with Life Scale or any of the Five Facets Mindfulness Questionnaire. Regression analysis suggested that Omnipotence (BAVQ-R) functions as single predictor of Acceptance and Resistance (BAVQ-R) functions as single predictor of Action. These data have important clinical implications and provide relevant guidance for future research. It should be noted that, although the scale has been passed in its entirety to the clinical sample, given that 51.1% (n = 24) patients evaluated not experienced command hallucinations, it was only considered the first section of the scale (section A), consisting of 12 items pertaining to global hallucinations, and not only commands
As alucinações auditivas, também conhecidas por vozes, são a forma mais conhecida de alucinações e têm uma prevalência de 70% em indivíduos diagnosticados com esquizofrenia e outros distúrbios psicóticos (Landmark, Merskey, Cernovsky, & Helmes, 1990). As vozes têm propriedades de discurso, são comumente personificadas e detêm um significado específico para o indivíduo que as experiencia (Favid, 2004). Estão associadas a níveis elevados de ansiedade (i.e Birchwood & Chadwick, 1997; van der Gaag, Hageman, & Birchwood, 2003), embora também haja dados que sugerem a ocorrência de experiências positivas na presença das mesmas, tais como sentimento de apoio e redução do isolamento social (Honig et al., 1998; Miller, O’Connor & DiPasquale, 1993). As terapias da Terceira Geração, tais como a Terapia de Aceitação e Compromisso e o Mindfulness têm vindo a ganhar terreno no tratamento de ínumeros distúrbios (Hayes, Follette, & Linehan, 2004). Recentemente, têm vindo a ser desenvolvidos esforços para aplicar estes métodos aos sintomas psicóticos (Bach & Hayes, 2002; Chadwick, Newman Taylor, & Anna, 2005; Gaudiano & Hebert, 2006). Em vez de mudar efetivamente os conteúdos das crenças, como é postulado pela Terapia Cognitivo-Comportamental, estas estratégias terapêuticas pretendem modificar a relação dos doentes com essas mesmas crenças e com os seus sintomas. A mais desenvolvida destas novas abordagens é a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT; Hayes, Strosahl, & Wilson, 1999). Tal como o nome sugere, a ACT compreende dois componentes principais. O primeiro, a Aceitação, diz respeito a estratégias de desfusão cognitiva que pretendem que o paciente reconheça e observe os sintomas como meros eventos mentais, em vez de julgar a sua veracidade incontestável e reagir-lhes. Por outro lado, a componente do compromisso diz respeito aos comportamentos que, de alguma forma, se articulam com valores pessoais e objetivos, em vez de focar-se simplesmente nos sintomas. O objetivo é, como tal, ajudar o doente a envolver-se em atividades prazerosas e que o ajudem a direcionar- ao encontro desses mesmos valores e objetivos. Bach e Hayes (2002) testaram o impacto de uma breve versão da ACT num grupo de 80 doentes em regime de internamento que experienciavam sintomas psicóticos positivos, a saber, atividade alucinatória. Os autores verificaram que, por comparação com um grupo de controlo que recebeu o “tratamento usual”, os participantes que receberam a Terapia de Aceitação e Compromisso apresentaram metade da taxa de re-hospitalização após um período de Follow Up de 4 meses. Estes mesmos pacientes reportaram mais sintomas mas referiram-se aos mesmos como menos credíveis. O estudo foi replicado num novo estudo mais pequeno e melhor controlado (Gaudiano & Herbert, 2006), no quais os resultados se mostraram semelhantes. Estes dados e outros (Chadwick et al., 2005) mostram-nos que a Aceitação se apresenta como uma abordagem terapêutica promissora junto destas populações clínicas. Este conceito de aceitação e o seu potencial valor no tratamento das alucinações auditivas não são uma novidade na clínica (i.e Falloon & Talbot, 1981; Kingdon & Turkington, 1991; Romme & Escher, 1989). No entanto, os mecanismos de terapia e o papel da Aceitação na mesma não são ainda completamente claros uma vez que existem poucas medidas disponíveis para medi-la no que diz respeito à psicose. Uma dessas medidas é a Escala de Aceitação e Ação para as Vozes (VAAS), cuja aferição para a população portuguesa e estudo das qualidades psicométricas se constituem como primordiais objetivos do presente estudo. As nossas análises mostram que a VAAS é composta por dois fatores: Aceitação e Ação. A primeira diz respeito a uma abertura por parte do doente psicótico para estar com as vozes tal como elas são sem recorrer a qualquer estratégia de evitamento, supressão ou luta conta elas. Por sua vez, a Ação diz respeito ao comportamento que é auto-dirigido, ou seja, profundamente ligado aos objetivos e valores do doente psicótico. Tanto a escala total como os dois fatores apresentaram boa consistência interna (α= .79 para a escala total; α= .71 para a Aceitação e α= .81 para a Ação). O fator Ação mostrou-se significativamente correlacionado com todos os fatores da BAVQ-R, o Questionário de Crenças sobre as Vozes, a saber, Resistência, Maldade, Envolvimento, Omnipotência e Benevolência e o fator Aceitação mostrou-se significativamente correlacionado com os fatores Resistência, Maldade e Omnipotência. Nenhuma das subescalas da VAAS-12 se mostrou significativamente correlacionada com as Escalas dos Medos da Compaixão, a Escala de Satisfação com a Vida ou com nenhum dos fatores do Questionário das Cinco Facetas do Mindfulness. As análises de regressão sugeriram que a Omnipotência funciona como único preditor da Aceitação e que a Resistência, funciona como único preditor da Ação. Estes dados comportam importantes implicações clínicas e fornecem orientações pertinentes para investigação futura. Importa referir que, apesar da escala ter sido passada na totalidade à amostra clínica, dado que 51.1% (n= 24) doentes avaliados não experienciavam vozes de comando , foi unicamente analisada a primeira secção da escala (secção A), composta por 12 itens referentes a alucinações globais, e não unicamente comandos.
Description: Dissertação de mestrado em Psicologia Clínica (Intervenções Cognitivo-Comportamentais em Perturbações Psicológicas e da Saúde), apresentada à Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
URI: http://hdl.handle.net/10316/31914
Rights: openAccess
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UC - Dissertações de Mestrado

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