Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/31498
Title: Quando só restam ossos: estudo da degradação e alteração óssea para estimativa do intervalo post-mortem
Authors: Buekenhout, Ines 
Orientador: Ferreira, Maria Teresa dos Santos
Vieira, Duarte Nuno Pessoa
Keywords: Ciências forenses; Fósseis; Osso e ossos
Issue Date: 2014
Abstract: A estimativa do intervalo post-mortem (PMI – Post Mortem Interval) é fundamental para a reconstrução dos eventos que envolvem a morte de um indivíduo, sendo que nos últimos anos o antropólogo forense tem vindo a desenvolver um papel importante nesta área. Apesar de ser uma questão pertinente em termos judiciais, a estimativa do PMI reveste-se de uma particular dificuldade, não só devido à ausência de métodos fiáveis para o estimar como também devido à variabilidade do processo de decomposição cadavérica. Muitos estudos têm demonstrado a variabilidade inerente ao processo de decomposição, em que tanto características extrínsecas como intrínsecas ao indivíduo desempenham um papel importante, como também têm demonstrado que o tipo de deposição e ambiente envolvente ao corpo são importantes para a sua degradação. Apesar de se verificar um aumento no número de estudos que lidam com estas questões, é evidente a necessidade de mais investigação, sobretudo aquela que se foca em restos esqueletizados e em restos inumados. Como resultado destas dificuldades, esta tese foi desenvolvida no sentido de avaliar as alterações tafonómicas e a sua relação com o PMI em 86 restos esqueletizados que compõem a Coleção de Esqueletos Identificados do Séc. XXI. Estes restos são provenientes de um ambiente de inumação, sendo que foram analisadas as alterações ósseas do atlas, áxis, úmero, fémur e 1º metatársico. De forma a verificar uma possível relação entre os restos e o PMI, foram, ainda, tidas em conta variáveis extrínsecas (como a data de inumação e de exumação e estação do ano em que os cadáveres foram inumados) e intrínsecas (como sexo, idade à morte e peso da peça óssea) ao indivíduo; foi determinado o estádio de decomposição dos restos e verificada a superfície, o peso, a cor, as manchas, as fissuras, a degradação e as escamações das peças ósseas. Contudo, a análise da associação entre as variáveis sob estudo e o PMI não permitiu chegar a fortes conclusões, sendo que apenas o número de manchas presentes no áxis apresentou uma ligeira dependência com o intervalo. Porém, a relação demonstra uma grande variabilidade pelo que, se fosse desconhecido, não conseguiríamos estabelecer o PMI com credibilidade. Verificou-se também que, na classificação dos restos ósseos segundo estádios de degradação, a relação entre estes e o PMI era bastante disparo para mesmos intervalos de tempo, pelo que não permitem estabelecer o PMI com credibilidade. Constatamos, ainda, a influência de diferentes ambientes na degradação óssea; a maior sobrevivência de ossos longos em contexto de inumação; o aumento da degradação com o aumento da idade à morte; a redução do peso das peças ósseas com o aumento idade à morte em ambos os sexos; a baixa viabilidade do estudo do atlas no estabelecimento do PMI; resultados pouco promissores na relação entre os PMI’s da presente amostra (que são longos) e cor, manchas, fissuras e escamações da superfície óssea. Porém, no caso do presente estudo, o facto de a amostra ser representada sobretudo por idades à morte mais avançadas e por PMI’s de treze e catorze anos, pode ter enviesado alguns dos testes estatísticos. Sendo assim, não se pode avaliar realmente a relação entre as características observadas, o PMI e a idade à morte; talvez uma amostra mais diversificada pode apresentar resultados mais promissores. Contudo, também este estudo demonstra a dificuldade que é a estimativa do PMI para o antropólogo forense uma vez que, mesmo para restos ósseos de PMI’s idênticos, a sua classificação consoante categorias de decomposição pode ser bastante variável, dificultando o estabelecimento de uma fórmula preditiva. Assim sendo, é importante o cruzamento com outras variáveis que são sabidas terem influência no processo de degradação do corpo. Apesar das limitações encontradas, a presente tese permite caracterizar melhor um esqueleto que esteve inumado em caixão e pode oferecer novos caminhos para estudos futuros.
Estimation of the postmortem interval (PMI) is critical to reconstruct the events surrounding the death of an individual, reason why in recent years forensic anthropologists have played an important role in this area. Despite representing a pertinent question in legal issues, the estimation of PMI is of particular difficulty, not only because of the lack of reliable methods that currently exist to estimate it but also due to the variability of the cadaveric decomposition process. Many studies have demonstrated the variability of the decomposition process, where both extrinsic and intrinsic characteristics to the individual play an important role, as they have also shown that the deposition context and surrounding environment are important to the body’s degradation. Although there has been an increase in the number of studies dealing with these issues, it is clear that there is need for more research, especially ones that focus on skeletonized remains and buried remains. As a result of these difficulties, this thesis has been developed in order to assess the taphonomic changes and their relationship with PMI in 86 skeletonized remains that make up the Collection of Identified Skeletons from the XXIst Century. These remains have been recovered from a burial environment, whereas the changes of the atlas, axis, humerus, femur and first metatarsal were analyzed. In order to verify a possible relationship between PMI and the remains, there were also taken into account extrinsic (such as the date of burial and exhumation and season in which the corpses were buried) and intrinsic (such as gender, age at death and weight of the bones) variables to the individual; determined the stage of decomposition of the remains and analyzed their surface, weight, color, stains, cracks, degradation and exfoliation. However, analysis of the association between the variables in study and PMI did not lead to strong conclusions, with only the number of stains present on the axis showing a slight dependence with the interval. Conversely, the relationship shows a great variability, so if unknown we would not be able to establish with credibility the PMI. Also, the classification of skeletal remains according to stages of degradation showed that the relationship between them and PMI was quite variable for the same time intervals, and therefore does not allow to establish the PMI with credibility. Besides these associations we observed the differential influence of diverse environments on bone degradation; the greater survival of long bones in burial context; increasing degradation of bone with a higher age at death; weight reduction of bone specimens with increasing age at death for each gender; low practicality in establishing the PMI by studying the atlas; unpromising results in the relationship between the PMI of this sample (which is long) and color, stains, cracks and exfoliation of bone surface. We have to bear in mind that, in the present study, the sample is mainly represented by individuals with an advanced age at death and a thirteen to fourteen year old PMI, which may have influenced some of the statistical results. Therefore we cannot trustfully evaluate the relationship between the observed features, PMI and age at death; perhaps a more diverse study sample may have more promising results. Nonetheless, this study also demonstrates how difficult it is to estimate the PMI for the forensic anthropologist since, even for skeletal remains of identical PMI, their classification according to categories of decomposition can be quite variable, making the establishment of a predictive formula complex. Therefore it is important to cross observations with other variables that are known to have influence on the degradation process of the body. Despite the limitations encountered, this thesis allows a better characterization of skeletons that were buried in coffins and may offer new approaches for future studies.
URI: http://hdl.handle.net/10316/31498
Rights: openAccess
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UC - Dissertações de Mestrado

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