Title: Shame memories that shape who we are
Other Titles: Memórias de vergonha que moldam quem somos
Authors: Matos, Marcela Salomé Albuquerque Andrade de 
Orientador: Gouveia, José Augusto Pinto
Gilbert, Paul,
Keywords: Psicologia clínica;Vergonha;Memórias traumáticas;Depressão;Memórias;Ansiedade;Stress;Vinculação;Paranóia
Issue Date: 28-Sep-2012
Citation: MATOS, Marcela Salomé Albuquerque Andrade de - Shame memories that shape who we are = Memórias de vergonha que moldam quem somos. Coimbra : [s.n.], 2012. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/21127
Abstract: Background: Shame is a powerful self-conscious and socially-focused emotion that has increasingly captured the attention of researchers and clinicians. Shame has been studied under the light of an evolutionary biopsychosocial approach that argues this is a genetically prewired emotion that arises from humans’ evolved social motivational systems to form affiliative relationships and unfolding cognitive competencies for social understanding and self-conscious awareness. Even though shame plays a vital role in human psychosocial functioning and development, a consistent body of research has demonstrated it can have significant detrimental effects on mental and physical well-being. Nevertheless, the phenomenological features of shame experiences, particularly those that occur early in life within the family or in wider social arenas, warrant empirical clarification. Furthermore, there is a dearth of empirical research on how these shame experiences are structured as emotional memories and impact on selfidentity and psychological distress. Therefore, the main aim of the present work was to study the phenomenology of early shame experiences, how they operate as traumatic and autobiographical memories and impact on self-identity and current emotional and psychological distress. Method: This research project includes twelve empirical studies with a cross-sectional design and conducted in diverse samples of Portuguese general population and college students, and in a mixed clinical sample. Self-report questionnaires were administered to measure the constructs and a semistructured interview - the Shame Experiences Interview - was developed to assess shame experiences phenomenology and employed in some of the non-clinical and clinical studies. Results: Results showed that early shame experiences function as traumatic memories, can become central to self-identity and life story and reveal autobiographical memory properties. Shame traumatic and central autobiographical memories were found to be associated with elevated external and internal shame and increased vulnerability to psychopathological symptoms, such as depression, anxiety, stress and paranoid ideation. Results further indicated that, when compared to other negative emotional memories, shame traumatic and central memories have an independent and unique impact on several psychopathological indicators that goes above and beyond their negative emotional valence. Besides, shame memories seem be differentially structured and impact differently on emotional and psychological difficulties depending on whether they involved an attachment figure or other social agents. In addition, results established that affiliative safeness memories and feelings protect against the negative impact of internal shame and shame memories on depressive symptoms. Finally, results demonstrated the multifaceted nature and complexity of shame experiences and memories, characterized by several threatrelated phenomenological components, which are associated with the traumatic and centrality qualities of those memories. Also, in the clinical sample, shame memories were found to be more intense in terms of phenomenological features, traumatic and autobiographical memory properties and impact on selfidentity and mental well-being. Conclusions: Taken together, results from the empirical studies offer new insights into the nature of shame experiences, the phenomenology, traumatic and autobiographical properties of shame memories, and their potential detrimental effects on self-identity and mental well-being. These findings add to existing research and conceptualizations of shame, and traumatic and autobiographical memory. Building on the evolutionary biopsychosocial model of shame, we draw a new integrative and comprehensive model of shame and shame memories that outlines the pathways through which they operate and elevate shame proneness and vulnerability to psychopathology. The model also includes the role of affiliative experiences as buffers of shame and shame memories’ impact. This doctoral thesis’ findings raise new challenges for future research and entail relevant clinical implications for therapy with high shame individuals and/or for whom shame memories are a source of current distress.
Enquadramento: A vergonha é uma poderosa emoção autoconsciente e socialmente focada que tem vindo a ser alvo de uma crescente atenção por parte de investigadores e clínicos. A vergonha tem sido estudada à luz de uma abordagem evolucionária biopsicossocial, a qual argumenta que esta é uma emoção geneticamente formatada que deriva de sistemas sociais motivacionais que evoluíram nos humanos para formar relações afiliativas, e do desenvolvimento de competências cognitivas para a compreensão da arena social e para a autoconsciência. Um leque consistente de estudos tem demonstrado que a vergonha, embora desempenhe um papel vital no funcionamento e desenvolvimento psicossocial humano, pode ter efeitos negativos significativos no bem-estar mental e físico. Não obstante, torna-se necessário clarificar empiricamente as características fenomenológicas das experiências de vergonha, particularmente aquelas que ocorrem numa fase precoce de vida no seio familiar ou em contextos sociais mais alargados. Para além disso, existe uma lacuna na investigação empírica relativamente à forma como estas experiências de vergonha se estruturam como memórias emocionais e ao seu impacto na autoidentidade e no sofrimento psicológico. Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo principal estudar a fenomenologia das experiências precoces de vergonha, o modo como estas operam enquanto memórias traumáticas e autobiográficas e a forma como influenciam a autoidentidade e o sofrimento emocional e psicológico atual. Metodologia: Este projeto de investigação inclui doze estudos empíricos com um desenho transversal, conduzidos em diversas amostras da população geral portuguesa e de estudantes universitários, e numa amostra clínica mista. Foram administrados questionários de autoresposta para medir os constructos em estudo e foi desenvolvida uma entrevista semiestruturada – Entrevista de Experiências de Vergonha –, para avaliar a fenomenologia das experiências de vergonha, a qual foi aplicada em alguns dos estudos não-clínicos e clínicos. Resultados: Os resultados demonstraram que as experiências precoces de vergonha operam como memórias traumáticas, podem tornar-se centrais para a autoidentidade e história de vida, assim como revelam propriedades de memória autobiográfica. Verificou-se que memórias autobiográficas de vergonha traumáticas e centrais se associam a níveis superiores de vergonha interna e externa e a uma maior vulnerabilidade para sintomas psicopatológicos, tais como de depressão, ansiedade, stress e de ideação paranoide. Os resultados indicaram ainda que, quando comparadas com outras memórias emocionais negativas, as memórias traumáticas e centrais de vergonha têm um impacto independente e único em vários indicadores psicopatológicos, que vai além da sua valência emocional negativa. Adicionalmente, as memórias de vergonha parecem ser diferencialmente estruturadas e ter um impacto distinto nas dificuldades emocionais e psicológicas consoante tenham envolvido uma figura de vinculação ou outros agentes sociais. Os resultados demonstraram igualmente que memórias e emoções afiliativas de segurança são protetoras do impacto negativo que a vergonha interna e as memórias de vergonha têm na sintomatologia depressiva. Finalmente, os resultados evidenciaram a natureza multifacetada e a complexidade das experiências e das memórias de vergonha, caracterizadas por vários componentes fenomenológicos ligados à ameaça, os quais estão associados às qualidades traumáticas e centrais de tais memórias. Na amostra clínica, as memórias de vergonha revelaram-se ainda mais intensas em termos das suas características fenomenológicas, das suas propriedades de memórias traumáticas e autobiográficas e do seu impacto na autoidentidade e no bem-estar mental. Conclusões: De uma forma geral, os resultados dos estudos empíricos oferecem novas perspetivas acerca da natureza das experiências de vergonha, da fenomenologia e das propriedades traumáticas e autobiográficas das memórias de vergonha, e dos seus potenciais efeitos nocivos na autoidentidade e no bem-estar mental. Estes resultados complementam a investigação e conceptualizações existentes acerca da vergonha e da memória traumática e autobiográfica. Tendo por base o modelo evolucionário biopsicossocial, edificámos um novo modelo integrativo e compreensivo da vergonha e das memórias de vergonha que detalha as vias através das quais tais memórias operam e aumentam a propensão a experienciar vergonha e a vulnerabilidade à psicopatologia. O modelo inclui ainda o papel das experiências afiliativas como sendo capazes de suavizar o impacto da vergonha e das suas memórias. Esta dissertação de doutoramento lança novos desafios à investigação futura e contém implicações clínicas relevantes para a intervenção terapêutica em sujeitos com níveis elevados de vergonha e/ou cujas memórias de vergonha são uma fonte de sofrimento atual.
Description: Tese de doutoramento em Psicologia, na especialidade de Psicologia Clínica
URI: http://hdl.handle.net/10316/21127
Rights: openAccess
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