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Title: Adaptação psicossocial de casais portugueses à infertilidade e à reprodução medicamente assistida
Authors: Moura-Ramos, Mariana
Orientador: Canavarro, Maria Cristina
Soares, Isabel
Keywords: Infertilidade
Reprodução Medicamente Assistida
Issue Date: 25-Oct-2011
Abstract: Enquadramento A infertilidade é um acontecimento não normativo na vida dos indivíduos e das famílias. Para além de inesperado, constitui um obstáculo à prossecução de um objectivo de vida fundamental para muitos casais: a parentalidade. Assim, para além de ser uma condição clínica, que merece atenção médica e tratamento, a infertilidade é um acontecimento de vida perturbador, com implicações em diversas dimensões da vida dos indivíduos e dos casais inférteis (pessoais, relacionais e sociais). Enraizado numa abordagem ecológica e desenvolvimental, o objectivo do presente trabalho foi estudar a adaptação psicossocial e conjugal dos casais inférteis durante a realização de um tratamento de reprodução medicamente assistida, procurando identificar os factores e contextos que influenciam essa adaptação; bem como conhecer as trajectórias dos casais um ano após a realização daquele tratamento e os factores que as afectam. Metodologia Para concretizar estes objectivos, dois tipos de estudos foram desenvolvidos: Um estudo transversal, em que três grupos de casais [casais inférteis sem tratamentos prévios (N=29 casais); casais inférteis no início do tratamento de RMA (N=86 casais) e casais presumidamente férteis (N=45 casais)] foram comparados e os factores preditores da adaptação dos casais a realizar RMA foram analisados; e um estudo longitudinal prospectivo, que acompanhou um grupo de participantes inférteis ao longo de 12 meses, com início no momento da estimulação hormonal prévia à realização de um tratamento de Reprodução Medicamente Assistida (RMA). Para além da recolha de dados sociodemográficos e clínicos, os participantes foram avaliados, nos diversos momentos, em relação a diversas dimensões, caracterizadoras da adaptação psicossocial: No plano individual, foi avaliada a reactividade emocional (Escala de Avaliação de Emoções – EAS), a perturbação emocional (Inventário de Sintomas Psicopatológicos – BSI), e a qualidade de vida (Questionário de avaliação da Qualidade de Vida da OMS – WHOQoL); no plano conjugal, foi avaliada a qualidade da relação conjugal (ENRICH) e a intimidade na relação conjugal (PAIR). Foi ainda avaliado, apenas no caso dos casais inférteis, o stress associado à infertilidade (Inventário de Problemas de Fertilidade – FPI). Um ano após a realização do ciclo de RMA, apara além destas dimensões, foram igualmente avaliados a percepção dos casais inférteis relativamente ao impacto da experiência do tratamento nas suas vidas (QAETI) e o grau de perturbação associada a estes procedimentos (CAIS). Resultados Dos resultados obtidos, salientamos aqueles que nos parecem mais importantes na resposta aos objectivos definidos, nomeadamente: 1) No que se refere à adaptação ao tratamento de RMA, os resultados mostram que os casais inférteis, e nomeadamente as mulheres, apresentam reactividade emocional negativa mais acentuada que os grupos de comparação. Porém, quando avaliada a perturbação emocional e a qualidade de vida no domínio psicológico, não foram encontradas diferenças entre grupos, mostrando que as dificuldades emocionais dos casais inférteis não parecem alcançar relevância clínica. As diferenças encontradas no relacionamento conjugal são pequenas, apesar de se ter verificado uma tendência para maior satisfação com a relação nos casais a realizar um ciclo de RMA que os casais presumidamente férteis; 2) O estudo dos factores preditores mostrou que há variabilidade na adaptação dos casais à infertilidade e à RMA, indicando que esta depende da história da infertilidade (a duração da infertilidade e o número de ciclos de RMA realizados), de factores relacionais (a maior satisfação com a relação conjugal e com a resolução de conflitos no casal modera a associação entre a história da infertilidade ou a necessidade da parentalidade no tratamento e a depressão um ano mais tarde), e de factores socioculturais (casais com nível socioeconómico mais baixo e provenientes de meio não-urbano tendem a apresentar maior dificuldade em lidar com a infertilidade, originando dificuldades emocionais); 3) a comparação da adaptação entre o momento do tratamento e um ano mais tarde mostrou que o alcance da gravidez provoca mudanças acentuadas pela diminuição da reactividade emocional negativa e aumento da reactividade emocional positiva e da qualidade de vida no domínio psicológico. Conclusões Os resultados sugerem que, de um modo geral, os casais inférteis apresentam uma adaptação positiva num ciclo de tratamento de RMA. Porém, apesar de, enquanto grupo, não terem sido identificadas dificuldades emocionais ou relacionais com relevância clínica, salienta-se a variabilidade na adaptação em função de alguns factores clínicos, relacionais e contextuais. Estes resultados apelam a uma abordagem que, mais que comparativa, permita a identificação dos casais ou indivíduos com maior risco de inadaptação à infertilidade e RMA. Os resultados sugerem ainda que as dimensões específicas da infertilidade, nomeadamente a importância atribuída à parentalidade, constituem um aspecto fundamental na compreensão da adaptação, devendo por isso ser integrada em estudos futuros. A identificação dos factores responsáveis pela variabilidade na adaptação psicossocial dos casais inférteis é um importante contributo deste trabalho, esclarecendo quais os factores e contextos que contribuem para a presença de dificuldades de adaptação. Este conhecimento é fundamental na medida em que pode permitir a identificação atempada dos casais em maior risco de inadaptação, bem como orientar a intervenção psicoterapêutica com casais inférteis. Este trabalho permitiu ainda reflectir acerca da investigação sobre a adaptação à infertilidade e RMA, colocando novas questões e oferecendo pistas para estudos futuros.
Peer review: Yes
URI: http://hdl.handle.net/10316/17202
Appears in Collections:FPCEUC - Teses de Doutoramento

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