Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/100354
Title: Entre a organização do que é conhecido e o conhecimento da sua organização: Um estudo comparativo entre as abordagens ontológicas da Integrative Levels Classification e da Basic Formal Ontology
Authors: Machado, Luís Miguel Oliveira 
Orientador: Borges, Maria Manuel
Almeida, Maurício
Ávila, Daniel Martinez
Keywords: Integrative Levels Classification; Basic Formal Ontology; abordagem ontológica; sistemas de organização do conhecimento; cognição universal
Issue Date: 4-May-2022
Project: SFRH/BD/145937/2019
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: Uma organização do conhecimento compartimentado em disciplinas não se mostra adequada a uma práxis científica que carece de abertura interdisciplinar. Uma potencial solução envolve uma mudança do foco epistemológico para o ontológico na modulação de novos Sistemas de Organização do Conhecimento (SOC). Uma classificação ontológica, dos seres e não dos saberes, incidirá sobre o que, à partida, é comum aos vários domínios – a realidade. Nesta conjuntura é necessário distinguir como o conhecimento é adquirido e fundamentado da forma como a realidade é constituída e estruturada. Este ponto de partida envolve um debate milenar em torno da designada questão da cognição universal. Um posicionamento sustentado relativo a essa questão mostra-se necessário para o desenvolvimento consistente de SOC de cariz ontológico com o potencial para melhor servir a prática interdisciplinar. Pretende-se contribuir para a clarificação relativa à abordagem ontológica; contextualizando-a relativamente à cognição universal e aos conceitos, enquanto unidades de conhecimento dos SOC, complementando, empiricamente, o estudo com uma comparação entre as abordagens ontológicas dos SOC: Integrative Levels Classification (ILC) e Basic Formal Ontology (BFO). Assim, pretende-se: i. esquematizar os requisitos dum sistema ontológico; ii. apresentar um panorama geral relativo à questão da cognição universal; iii. identificar os principais modos de existência atribuídos aos conceitos e sua adequação a unidades de SOC; iv. caracterizar as abordagens ontológicas da ILC e da BFO; e v. sistematizar recomendações de auxílio à modelação de SOC de natureza ontológica. Para cumprir tais objetivos usaram-se os métodos analíticos hermenêutico-dialético e comparativo. Conclui-se que um SOC ontológico parte duma análise ontológica, i.e., uma categorização de tipos de entidades existentes que podem ser objetivamente subsumidos sob categorias distinguíveis. O sistema resultante poderá não definir rigorosamente as entidades que incorpora e as relações entre as mesmas, como acontece na ILC. Nesta procura-se explicitamente a integração da dimensão epistemológica sendo a naturalidade das suas classes expressa apenas implicitamente. Os conceitos continuam a ser entendidos como peças elementares dos SOC, com uma formulação muito próxima da de Dahlberg. Na BFO não só é explicitada a preocupação desta conter apenas classes naturais, como os conceitos são apenas entendidos como ferramentas cognitivas de acesso à realidade. O sistema, além de definições rigorosas, resulta de princípios ontológicos e formais rigorosos e uma adequação à realidade exterior ao próprio. Estas são as caraterísticas dum modelo ontológico que se distingue de sistemas com abordagens mais permissivas, derivada da não definição rigorosa dos seus constituintes ou da não aplicação da referida análise rigorosa de índole filosófica. No âmbito dos SOC, sobressaiu a inadequação da interpretação psicológica dos conceitos, atendendo ao cariz individual destes enquanto entidades mentais. Na perspetiva linguística os conceitos são comummente interpretados como etiquetas dos respetivos significados, sendo estes associados à leitura epistemológica. Nesta, se a sua abrangência não promover a separação entre objetos unicamente intencionais de outros de diferente natureza, será problemática a sua aplicação ao desenvolvimento de SOC ontológicos. Diferentes especificações relativas à natureza da realidade são impostas por distintos posicionamentos epistémicos. Foi possível verificar um mínimo denominador comum relativo a essa realidade. Sejam os posicionamentos considerados realistas, nominalistas ou conceitualistas, direta ou indiretamente, a sustentação das perceções humanas é colocada em algo independente das mesmas. Apesar das potenciais imperfeições das perceções humanas, elas não serão simplesmente, ou unicamente, sobre si mesmas. Neste contexto, são propostas cinco recomendações para auxílio à modulação de SOC ontológicos: i. apresentar definições precisas e ontologicamente consistentes das classes a incluir; ii. diferenciar claramente as classes das respetivas instâncias particulares; iii. classificar com base nos traços intrínsecos pertencentes às respetivas entidades; iv. não representar os dados de uma base em particular, mas os géneros de entidade existentes no domínio ao qual os dados reportam; v. usar as representações cognitivas como um meio para representar as entidades existentes no respetivo domínio e não como elemento a ser representado. Estas recomendações pretendem ser um ponto de partida para futuro desenvolvimento e não como a panaceia para a problemática envolvida. A presento tese não pretender ser uma resposta cabal nem definitiva à questão abordada, mas espera-se ter detalhe suficiente, para que, no contexto da Ciência da Informação, a abordagem ontológica seja melhor compreendida e encarada como uma alternativa viável à epistemológica.
Description: Tese de Doutoramento em Ciências da Informação apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
URI: http://hdl.handle.net/10316/100354
Rights: openAccess
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UC - Teses de Doutoramento

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